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Em entrevista à Variety, o quadrinista Frank Miller afirmou que a redução no volume de filmes de super-heróis em produção beneficia diretamente o mercado de quadrinhos. Segundo o autor, o menor número de adaptações permite que as publicações impressas recuperem o seu espaço original.

“Espero que sim. Sim, com certeza. A situação tinha saído tanto do controle que os quadrinhos começaram a perder muito da sua própria identidade. Tenho defendido veementemente que os quadrinhos voltem a afirmar seu propósito e sua identidade como forma literária”, disse Miller.

O roteirista também comentou a atração exercida por Hollywood sobre os criadores da indústria: “Ah, sem dúvida. O apelo vai além do dinheiro e envolve a fama, o respeito e a glória de trabalhar na mídia mais poderosa da história. É inegável, mas acho que era um caminho um tanto pesado, no sentido de que os quadrinhos corriam o risco de perder sua essência no processo.”

Para Miller, o avanço tecnológico das adaptações cinematográficas deixou de ser um diferencial tão expressivo quanto na época do lançamento de Superman: O Filme, na década de 1970. Hoje, os recursos visuais do cinema igualaram a escala que antes era restrita às páginas das revistas.

“Ah, era só isso. Em parte, foi porque a tecnologia nos alcançou. Então, a única coisa que os quadrinhos conseguiam fazer e que ninguém mais conseguia eram os efeitos pirotécnicos absurdos e tudo mais. Mas, pensando bem, a sorte estava lançada nos anos 1970 com o slogan do filme ‘Você vai acreditar que um homem pode voar’, quando eles realmente tornaram o voo do Superman convincente, e agora eles podem fazer praticamente qualquer coisa que se possa imaginar”, comentou o quadrinista.

Ao longo de sua carreira nos quadrinhos, Miller assinou obras aclamadas como O Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano Um, Demolidor: A Queda de Murdock, Sin City: A Cidade do Pecado e 300. Vários desses projetos ganharam adaptações de destaque no cinema e na televisão nas últimas décadas.

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