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Vira e mexe, os fãs da DC retomam a discussão: quem é a verdadeira face e quem é a máscara, Batman ou Bruce Wayne? As respostas mudam conforme a época, mas neste artigo decidi dar os meus dois centavos sobre o assunto. Para isso, levo em conta uma abordagem que Ed Brubaker e Greg Rucka desenvolveram e que, para mim, é a leitura mais precisa do herói e sua personalidade sombria.

Há quem defenda com unhas e dentes que a personalidade de Bruce Wayne morreu naquele beco junto a seus pais, e que o vazio resultante foi preenchido pela entidade sombria do Homem-Morcego — que passaria a usar a figura de Bruce apenas como um disfarce.

Reprodução/DC Comics

Eu até concordo que esse embate é um elemento importante para as histórias do Batman, principalmente no início de sua carreira, já que envolve seu processo de autodescoberta como herói e como indivíduo. No entanto, discordo dessa separação total entre os dois.

O Batman é o Bruce Wayne e vice-versa. Honestamente, não acredito que exista uma máscara e uma personalidade original. O Batman não mata porque a bússola moral do Bruce Wayne não permite, assim como o Bruce Wayne se disfarça de socialite justamente para auxiliar as investigações do Batman. Eles são uma coisa só.

Reprodução/DC Comics

Bruce Wayne: Assassino? e Bruce Wayne: Fugitivo, de Brubaker e Rucka, são quase mil páginas desse debate sendo colocado à prova quando o nome de Bruce é jogado na lama. A princípio, o Batman acredita que pode seguir em frente sozinho, descartando sua identidade civil, mas logo percebe que não tem a menor chance de sucesso nessa empreitada.

Reprodução/DC Comics

Achava que, de certa forma, Bruce Wayne havia morrido com seus pais, e que a máscara que eu mostrei ao mundo por todos esses anos era um resquício do que aquela criança era antes daquela noite fatídica. Mas isso não é verdade. Meus códigos, as regras pelas quais vivo… Essas ideias vieram do meu pai, de Thomas Wayne. […] Passei todo esse tempo cego para a verdade. Eu sou Bruce Wayne. Sempre fui!“, diz o Batman em Motivos, de Ed Brubaker e Scott McDaniel, publicada em Batman #604.

O Batman não é um fantasma que assombra o corpo de um bilionário; ele é a extensão dos valores, da dor e, principalmente, do caráter que Bruce Wayne herdou de sua família e de Alfred, que o criou.

Reprodução/DC Comics

Sem o código moral de Bruce, o Homem-Morcego seria apenas mais um dos monstros que ele mesmo combate. Da mesma forma, sem o Batman, Bruce seria um homem incompleto, incapaz de agir sobre a promessa que moldou sua existência.

No fim das contas, essa investigação de quem veio primeiro é um exercício inútil. A beleza do personagem não está em uma suposta dualidade, mas na sua integridade: ele é um homem que se fragmentou para salvar uma cidade, mas que precisa estar inteiro para conseguir salvar a si mesmo.

Atenção: Este texto é baseado inteiramente na opinião de seu autor e não necessariamente reflete a opinião do site.

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Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.


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