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Isaiah Bradley foi apresentado no segundo episódio de Falcão e o Soldado Invernal, e o personagem ajuda a enfatizar os temas sociopolíticos em jogo na série. A história e a carreira de Isaiah nos quadrinhos estão entre as partes mais trágicas e desconhecidas da Marvel, e sua introdução no MCU ajuda a colocar uma nova luz sobre o legado do Capitão América no cinema.

Então, aqui nesse artigo vamos mergulhar na história de Isaiah e explicar tudo que você precisa saber sobre como seu legado heroico define um capítulo do Universo Marvel que reflete uma das histórias mais sombrias da história norte-americana real.

Quem é Isaiah Bradley?

Isaiah Bradley é um dos heróis menos conhecidos a carregar a identidade do Capitão América. Para a maioria das pessoas no Universo Marvel e no mundo real, seu nome é provavelmente totalmente desconhecido no mundo dos super-heróis. E pelo menos no Universo Marvel, isso é quase intencional, já que a trágica história de Bradley esconde uma parte fundamental das realidades políticas por trás do programa Super Soldado.

Criado pelo escritor Robert Morales com o artista Kyle Baker na minissérie de 2004 Truth: Red, White, and Black, Isaiah Bradley fez parte de uma série de cobaias, todos homens negros, que foram dosados com versões experimentais do Soro do Super Soldado de Steve Rogers, como parte de um programa da Segunda Guerra Mundial projetado para recriar o sucesso do programa Capitão América.

Isaiah era originalmente um soldado estacionado na base do exército de Camp Cathcart, que abrigava uma unidade de soldados negros. 300 dos soldados foram submetidos a experimentos conduzidos por um cientista eugenista alemão chamado Dr. Wilfred Nagle. Os experimentos de Nagle resultaram na morte de todos, exceto cinco dos experimentados no teste, dos quais Isaiah Bradley foi um dos sobreviventes. As demais cobaias foram mortas junto com suas famílias e entes queridos para encobrir o horror de terem assassinado 295 pessoas em um experimento que acabou fracassando.

A história de Isaiah ecoa o caso real do Estudo da Sífilis Não Tratada de Tuskegee, no qual 600 negros pobres do Alabama receberam a promessa de assistência médica gratuita do Centro de Controle de Doenças e do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos como parte de um estudo que disseram que duraria seis meses.

Foram usados 600 homens sifilíticos como cobaias em um experimento científico: 399 para observar a progressão natural da sífilis sem o uso de medicamentos e outros 201 indivíduos saudáveis, que serviram como base de comparação em relação aos infectados. Os doentes envolvidos não foram informados sobre seu diagnóstico e jamais deram seu consentimento de modo a participar da experiência. Eles receberam a informação de que eram portadores de “sangue ruim”, e que se participassem do programa receberiam tratamento médico gratuito. O “estudo” durou mais de 40 anos, de 1932 a 1972, deixando centenas de homens negros debilitados com sífilis degenerativa em um dos casos mais terríveis de violação da ética médica e dos direitos humanos do século passado.

Voltando aos quadrinhos, os cinco Super Soldados sobreviventes, incluindo Isaiah, são enviados ao exterior para lutar contra os nazistas – no entanto, apenas Isaiah sobrevive. Após isso, pegando uma roupa sobressalente e um escudo reserva que seria usado por Steve Rogers, Bradley termina sua missão sozinho, mas é capturado pelos nazistas. Depois de ser resgatado da experimentação nazista, Bradley é levado à corte marcial por roubar o uniforme do Capitão América e é preso na Penitenciária Leavenworth de 1943 a 1970, quando recebe o perdão do presidente Eisenhower e é libertado.

Após sua libertação, Bradley – ainda jovem e vigoroso graças ao Soro do Super Soldado em suas veias – se torna um herói underground da comunidade negra, um símbolo reconhecido como um defensor daqueles que mais precisam do Capitão América. Embora a maioria dos heróis brancos – incluindo o próprio Steve Rogers – ignore o legado e a carreira de Bradley, heróis negros como Monica Rambeau, Luke Cage e o Falcão têm Bradley em alta reverência. Ele também mostrou ser um herói e inspiração para a versão do universo Marvel dos abolicionistas negros do mundo real, ativistas dos direitos civis e pessoas notáveis, como Nelson Mandela, Muhammed Ali, Angela Davis, Malcolm X e até mesmo Richard Pryor.

Porém, a história de Isaiah termina de forma trágica, com a versão falha de seu Soro do Super Soldado o levando à degeneração neurológica, resultando em uma condição semelhante ao Alzheimer.

A importância de Isaiah Bradley para o MCU

Isaiah Bradley reescreve a história do MCU, apresentando a ideia de como mais soros do super-soldado foram criados; é razoável supor que o Power Broker – a organização que persegue os Apátridas – descobriu o soro a partir das amostras de sangue de Isaiah. Mais importante, porém, ele também complica o legado do Capitão América, porque há uma nova camada nele; um super-soldado negro que foi criado secretamente e que foi tratado de forma horrível, em vez de celebrado como deveria ser, embora tenha arriscado a vida por seu país. A verdade é que ele merecia ser o sucessor de Steve Rogers desde os anos 50, mas ao invés disso acabou sendo torturado e indo parar na prisão. Esse conhecimento sem dúvida abalará Sam Wilson até o âmago, forçando-o a reavaliar o legado do Capitão América. Quando finalmente decidir pegar o escudo novamente, Sam estará muito ciente do quão complicado é esse legado, e como ser um Capitão América negro é algo que trará ainda mais uma dose de problemas a enfrentar.

O segundo episódio de Falcão e o Soldado Invernal também apresenta o ator Elijah Richardson no papel do neto de Isaiah, Eli Bradley. Nos quadrinhos, Eli se tornou o herói conhecido como Patriota, um membro-chave dos Jovens Vingadores. A Marvel está claramente configurando os Jovens Vingadores no MCU – vários membros devem aparecer na Fase 4, com Wiccano e Célere já introduzidos em WandaVision, e a Gaviã Arqueira, que em breve aparecerá na série do Gavião.