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Brad Bird detalhou os motivos que o levaram a não desenvolver Ray Gunn em parceria com a Pixar. Em uma entrevista concedida ao portal Indie Wire, o criador explicou a decisão de buscar um destino diferente para a ficção científica.

O profissional revelou que a natureza narrativa da obra exigia uma abordagem madura que se distanciava do catálogo tradicional da empresa. A busca por liberdade criativa para explorar elementos fora do escopo familiar padrão guiou o desenvolvimento do projeto para a Skydance Animation.

“Eu queria atingir um público um pouco diferente, e obviamente queria que houvesse uma grande sobreposição. O público da Pixar é amplo, e eu adoro isso, e adoro trabalhar com a Pixar”, disse Bird. “Eu queria dar um toque um pouco diferente a este filme, e é por isso que não o apresentei à Pixar. Porque eles têm o seu nicho, e eu me identifico com esse nicho, mas não vejo este filme seguindo esse caminho. Eu queria mirar num público um pouco mais velho. Não muito mais velho, adolescente está ótimo. Mas fazer algo um pouco mais adulto e impactante.”

“Acho que [esse filme] pode mudar a opinião de algumas pessoas sobre a animação”, acrescentou. “Ela consegue fazer coisas complexas e cheias de nuances de uma forma divertida.”

O realizador também elogiou a Netflix por apostar na animação, destacando que a colaboração com a gigante do streaming foi extremamente positiva.

“Tenho apenas sentimentos positivos em relação à Netflix, porque eles apoiaram este filme, apostaram nele e me deram recursos incríveis. Se eles disserem: ‘Sabe, gostaríamos de experimentar com o cinema’, eu serei o primeiro a dizer: ‘Posso me voluntariar para ser sua cobaia?’”, acrescentou. “Eles me aceitaram no meu estilo de exibição em cinemas, e espero que o máximo de pessoas possível possa ver este filme em uma tela gigante. Isso realmente compensa.”

A idealização da história existe há décadas e antecede até mesmo trabalhos clássicos do realizador, como O Gigante de Ferro. O roteiro assinado em conjunto com Matthew Robbins permaneceu engavetado por anos enquanto o mercado cinematográfico não abria espaço para animações com essa escala temática.

A escolha por caminhos separados interrompe uma longa trajetória de colaborações nas telas. O histórico de Brad Bird com a Pixar inclui a concepção de Os Incríveis, Ratatouille e Os Incríveis 2, produções que o consagraram como um mestre da animação contemporânea.

A trama inédita acompanha o último investigador humano do mundo trabalhando para solucionar um mistério complexo dentro de uma vasta metrópole retro-futurista delineada pelo estilo noir. O elenco de voz no idioma original reúne os astros Sam Rockwell, Scarlett Johansson e Tom Waits.

Ray Gunn chega ao catálogo da Netflix em 18 de dezembro.

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