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marcas da guerra

Sinopse:

O que aconteceu depois da destruição da segunda Estrela da Morte? Qual o destino dos remanescentes do Império Galáctico e dos antigos Rebeldes, agora responsáveis pela fundação da Nova República? Marcas da Guerra é o primeiro livro do cânone oficial a mostrar o que acontece depois do clássico Episódio VI: O Retorno de Jedi, dando pistas sobre o que podemos esperar da nova trilogia que se inicia com o O Despertar da Força, a ser lançado nos cinemas em dezembro.

Resenha:

O fim é algo complicado de aceitar e entender. Quando “O Retorno de Jedi” deixou os cinemas em 1985, muitas pessoas acharam que a saga tinha acabado. Mesmo com o lançamento dos episódios I, II e III, as pessoas não sabiam o que aconteceu depois depois do Episódio VI. Em Marcas da Guerra, conhecemos o que houve após a Batalha de Endor.

Marcas da Guerra” é um livro cativante, divertido e pensado para provocar o leitor e manter aquela chama acesa, você terá vontade de saber mais da saga. Assim como qualquer filme da série. Temos grandes personagens aqui e eles tem muitas características marcantes daquela galáxia tão distante.

Tudo isso foi alcançado pelas mãos de Chuck Wendig. O autor consegue criar coisas impressionantes com poucas palavras, enquanto outros autores precisam de uma página inteira para descrever algo similar.

O tema deste livro é o caos que ficou após a queda do Império, com a morte de Darth Vader e do Imperador. Mais importante, as forças militares imperiais e os governos regionais que viviam sob o controle do Império. Depois da batalha de Endor, muitos sistemas solares caíram em uma rebelião imediata, bastou saberem o que houve com a segunda Estrela da Morte. Outros sistemas colocaram sua fé na Nova República, que é encabeçada por Mon Mothma. Também temos um grande número de sistemas que ainda vivem sob o controle do Império, como é o caso de Keyyyshk e Coruscant. Chuck Wendig descreve que a Força Imperial está com suprimentos limitados e oficiais jovens e inexperientes, alguns saíram direto da academia, visto que houve uma perda enorme de veteranos que estavam na Estrela da Morte. Como em qualquer guerra, munição, comida e suprimentos são tudo. As Forças Imperiais estão na defensiva, mas começam a ruir por todos os lados. Em tempos de caos, alguns percebem que possuem o potencial para se levantar e fazer a diferença. Uma delas é a Almirante Rae Sloane, uma personagem dura, fria e resistente como o aço.

O livro começa nos mostrando um herói antigo, Wedge Antilles, enquanto sobrevoa o planeta Akiva. Wedge, herói das duas batalhas contra as Estrelas da Morte, convence o Almirante Ackbar e a liderança da Nova República a enviar pilotos disfarçados de contrabandistas, mercadores e ladrões para  encontrar as linhas de suprimentos do Império. Ele tem certeza que eles estão lá fora, se escondendo e esperando uma oportunidade para se levantarem novamente. Relutante, Ackbar aceita e as missões são iniciadas.Wedge já esteve em alguns planetas antes de chegar na solidão do espaço acima do quente e úmido planeta Akiva. Mas aí, Wedge percebe que acabou encontrando o inimigo que procurava, quando um Cruzador sai do hiperespaço. É a nave da Almirante Rae Sloane.

Este encontro começa uma série de eventos que nos levam para a história principal do livro. O supreendente encontro de um piloto da Nova República e a Almirante da Armada Imperial dá início a uma aventura que captura exatamente o tom presente nos filmes de Star Wars.

Entre vários e interessantes interlúdios, Weding foca em personagens que dão corpo ao trabalho exercido por ambos os lados da Guerra Civil Galática. Norra Wexley é uma piloto de Y-Wing aposentada e com uma família problemática. Sinjir Velus é um ex-oficial imperial, que escapou da Batalha de Endor. A almirante Rae Sloane é aquela que quer acabar com a fome causada pelo colapso do Império e a que nos mostra que nem todos os membros do Império são incompetentes. Estas são as estrelas do livro e elas funcionam porque a Saga Star Wars permite esses arquétipos.

O livro também mostra alguns pontos interessantes da Nova República, estado criado a partir da Aliança Rebelde. Enquanto a força da República cresce, Mon Mothma defende o desarmamento militar. Logo, você descobre que enquanto a Nova República e o resto do Império decidem o que fazer, ambos percebem o motivo da Velha República e do Império terem falhado. Simplesmente, nenhum poderia oferecer paz ou estabilidade para toda a galáxia.

A Aliança Rebelde, por natureza, era uma força desestabilizante. O Império era corrupto e brutal. Wendig constrói a Nova República como algo que pretende deixar a galáxia encontrar um ponto de equilíbrio. E ele não está fazendo isso através de discursos chatos sobre paz e democracia. Muito menos através de batalhas épicas e destrutivas, afinal, isso faria com que a Nova República fosse apenas uma nova espécie de Império.

Ao invés disso, Wendig nos mostra a feia e inevitável guerra. Uma cruzada de crianças em Coruscunt é um exemplo disso. Refugiados vindos de planetas tomados pela anarquia, em que a Aliança conseguiu ferir, mas não parar o Império. Wendig usa o tema de ocupação militar de um jeito muito mais profundo. Alguns leitores podem até achar estranho, mas isso deixa o livro muito mais real.

Então, caro leitor, este livro serve sim como uma ponte entre o Episódio VI e o VII, mas você não saberá o que aconteceu com Han e Leia após Endor. Muito menos se Luke está reconstruindo a Ordem Jedi. Você irá ler uma história que trata o leitor adulto de Star Wars de forma inteligente e humana. Afinal, a guerra não é algo bonito e simples. Weding nos mostra a Guerra de “Guerra nas Estrelas“. Uma Guerra que acontece em várias frentes, envolvendo muitas pessoas e o que ocorre com elas é algo devastador e marcante. “Marcas da Guerra” injeta uma reflexão política a partir de uma visão mais moderna em Star Wars. O livro é interessante e não decepciona, desde que você o leia com esses pontos em mente. Recomendado!

  Você pode encontrar o livro aqui!



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