
Thriller de zumbis no Universo de Star Wars
Lançado no mesmo ano do filme Zombieland, em 2009, ficou a cargo de Troopers da Morte a tarefa de juntar dois fenômenos muito conhecidos – e utilizados – na cultura pop: zumbis e a saga Star Wars. Joe Schreiber, na época contando com três livros em sua carreira, todos thrillers de horror, estreou nestes dois “gêneros” díspares com a obra em questão. No entanto, sua história claustrofóbica e um tanto quanto escatológica atingiu com precisão o objetivo, fornecendo um livro atraente, rápido e que não tenta ser mais do que é, se concentrando na tarefa de entreter com uma história simples e direta. Mortos-Vivos e Star Wars. O livro não se propõe a mais do que isso.
Troopers da Morte abre sua trama sem pressa, tomando o tempo necessário para apresentar os protagonistas da história e o espaço comum que compartilham. “Purgação” é uma nave-prisão se encaminhando para o destino final de mais de 500 prisioneiros. Entre eles, estão os irmãos Longo, cujo pai, um contrabandista faceiro, foi morto durante a viagem, deixando os dois podendo contar apenas um com o outro neste ambiente hostil. Trig é o mais novo. Com apenas 13 anos, precisa enfrentar o medo que sente de sua nova condição, dos outros prisioneiros e de não ser corajoso e esperto como o pai, ficando a cargo de Kale, o mais velho, enfrentar a situação e proteger o que restou da família. Logo em seguida aparece a Dra. Cody, uma médica altruísta que tem uma relação difícil com o resto dos imperiais, principalmente com Jareth Sartoris, o sádico capitão dos seguranças.
Os capítulos curtos e dinâmicos vão mostrando a rotina da nave e os dramas pessoais dos personagens estabelecendo com competência as bases da história que será contada. Fica claro logo no início a estrutura que a obra tomará, seguindo um padrão quase cinematográfico – tanto no estilo breve e expositivo, quanto na progressão do ritmo em três atos. O autor de Troopers da Morte não vê problema em seguir uma fórmula comum, mas tenta tirar o melhor dela para compor a história.
Com seus capítulos breves, tão semelhantes a cenas de filme, o livro vai girando de personagem em personagem com diferentes passagens de tempo nas entrelinhas, mas sem passar a impressão de que o roteiro está seguindo de forma não natural. Schreiber dá bastante atenção à criação do clima da história, não se preocupando em colocar momentos significativos de ação antes que tenha fomentado a ambientação de terror que toma conta da nave. Inclusive, é nos momentos em que a nave Purgação se vê praticamente extinta de vida devido à doença letal que se espalhou no veículo, poupando apenas uma pequeníssima parcela imune, que o livro mostra suas melhores passagens.
No ambiente claustrofóbico e vazio da nave, quando os mortos ainda estão mortos, a história consegue demonstrar tensão e suspense, principalmente nos momentos em que os personagens têm vislumbres do que está por vir. Ainda que seja um pouco difícil que algum leitor, principalmente os mais experientes nesse tipo de literatura, realmente se sinta afetado pela situação que os protagonistas estão passando, o livro consegue apresentar de forma convincente os sentires dos personagens ao mesmo tempo em que compõe cenas bastante visuais e semelhantes às narrativas utilizadas em filmes de terror. As reações dos personagens, sobretudo a de um contrabandista, conseguem ser convincentes e bastante reconhecíveis.
No entanto, parte disso acaba se perdendo quando enfim os cadáveres daqueles que foram vitimados pela estranha praga levantam-se e caçam os sobreviventes. Neste momento, o livro vai do suspense à ação desesperada. É verdade que não existe apenas correria após tal acontecimento. Mas após a ameaça dos mortos-vivos se tornar algo concreto, as cenas dos capítulos parecem ir se encurtando e mesmo nos momentos em que os zumbis deveriam funcionar para, sem aparecer de fato, aumentar os riscos e emoções devido à mera possibilidade de seu surgimento, esse efeito não é alcançado.
Quanto à origem da epidemia e dos mortos irrequietos, não há novidades espantosas em Troopers da Morte. Schreiber consegue usar algumas ideias interessantes, formular imagens criativas quanto à fonte dos zumbis e encaixar esses cadáveres ambulantes de forma competente dentro do universo Star Wars, mas em momento nenhum ele inova. Por outro lado, o livro deixa bem claro que sua intenção nunca foi reinventar o gênero das histórias de zumbis, mas apenas inserir a existência e possibilidades de histórias destas criaturas dentro do universo de George Lucas. A forma como os monstros são encaixados e as pequenas particularidades de sua fonte são criativas e bem amarradas o suficiente para que o leitor não pense que está lendo algo reciclado.
Em Troopers da Morte, Joe Schreiber parece ter se comprometido a se esforçar apenas o suficiente para entregar uma obra minimamente bem feita. O roteiro é redondo, explorando tudo o que se propôs a explorar e não deixando pontas soltas para trás; os personagens foram feitos com algum cuidado – sem cair no clichê, mas nem chegando perto de serem memoráveis, mas até que têm seus pontos altos. É uma obra que não mostra defeitos gritantes, mas passa ainda mais longe de impressionar: o livro entrega o que promete, só não promete muito. Para o bem ou para o mal, o leitor vai encontrar exatamente zumbis e Star Wars. E no que toca à galáxia muito muito distante, pode até encontrar um par de surpresas que, apesar de serem lugar comum no conjunto do universo de George Lucas, são muito bem descritas.




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