
O universo de Warcraft é incrivelmente rico e como qualquer outro produto da Blizzard, ele tem todo um folclore para apoiá-lo, logo, tornou-se natural expandir a franquia para fora do jogo. Neste ponto, é preciso dizer que os livros de World of Warcraft tem apresentado bons resultados, claro que nem todos são assim, mas os que foram lançados no Brasil, eu posso assegurar: São os melhores livros da série. Por isso, espero mesmo que a Galera traga o livro de Arthas para o Brasil, com certeza será um grande sucesso.
Há um ponto interessante aí, a autora de Marés de Guerra, de Arthas e de “A Ruptura” é a mesma, Christie Golden tem produzido produtos de alta qualidade. Em Arthas, ela deu a Blizzard o título de The New York Times-best-seller por 5 semanas consecutivas!
Agora, temos no Brasil o livro que ela escreveu como um prelúdio para o Cataclysm. Sim, este livro já é um pouco antigo, mas não deixa de ser sensacional. Então tenha uma coisa em mente: o Asa da Morte ainda não apareceu aqui. O melhor do livro? Ele é focado em um dos maiores personagens do jogo: Thrall, que na época ainda era o Chefe Guerreiro da Horda.
Tudo começa após guerra em Nortúndria, como a guerra acabou influenciando a Horda e a Aliança. Ambos os lados perderam dezenas de milhares de soldados e cidadãos durante a batalha contra o Lich Rei, mas algumas perdas foram mais intensas. A aliança perdeu Bolvar Fordragon e a Horda perdeu uma de suas melhoras promessas de heróis, Saurfang, o Jovem (filho do lendário Saurfang). Além disso, a guerra foi bem cara, isso falando de dinheiro e suprimentos, deixando Ventobravo e Orgrimmar em grandes dificuldades financeiras. Orgrimmar já vive problemas naturais e eles foram agravados com a crise.
As coisas estão tão ruins que a Aliança e a Horda fecharam uma trégua, terminando todas as hostilidades em todos os três continentes. Nem todo mundo está feliz com isso, principalmente nosso velho amigo Garrosh.
O que leva a quebra são política e relacionamentos pessoais entre Alliance e Horde, professor e aluno, tauren e orc, pai e filho, mesmo Azeroth e Draenor. Ouro sabiamente nos poupa a introdução de personagens super-poderosos que nunca conheceu antes, em vez contando com forte caracterização de figuras lore nós crescemos a conhecer e amar mais do jogo seis anos.
Como todos sabemos, Garrosh é o atual Chefe Guerreiro da Horda e o próximo inimigo a ser vencido no jogo, este livro é uma ótima chance para conhecer melhor este personagem, visto que é dado um tratamento justo para ele, podemos aprender o que impulsiona Garrosh, às vezes de dentro de sua própria cabeça. Ele é apresentado como um indivíduo, não uma caricatura, ele é ferozmente leal à Horda e um excelente guerreiro, mesmo que as suas decisões não sejam as mais corretas o tempo todo. Ele realmente quer o que é melhor para a Horda – o problema é que ele acredita que a Horda deveria ser mais como o seu pai imaginava e menos como Thrall acredita.
Isso faz com que Cairne Casco Sangrento, líder dos Taurens, fique preocupado e entre conflito com o jovem orc. Cairne é um respeitável, sábio e antigo Tauren, um exemplo de guerreiro. É por causa dessas qualidades que ele tem um grande crédito com Thrall, ajudando-o em decisões complicadas.
Mas e Thrall? Thrall se mostra cansado das guerras e interessado em aprender mais sobre a cultura xamã dos Orcs, além disso, quer entrar em paz com os elementos e saber o que se passa com Azeroth. Tudo isso é intensificado quando Eitrigg nota que Thrall tem feito pouco para si mesmo desde que se tornou Líder. Então Thrall agora entra em uma viagem de descoberta interior ao lado de Aggra, por quem ele acaba se apaixonando e nesse ponto Christie Golden se torna lendária, ao mostrar o desenvolvimento afetivo entre os orcs.
Uma ótima passagem é a ascensão de Garrosh a Chefe-Guerreiro, o que acaba causando um problema com o líder Tauren, que o desafia para um duelo e todos aqueles que tem interesse de saber mais sobre a morte de Cairne, terão a chance de ler em detalhes pela excelente narrativa da autora.
Se você não é fã da Horda, não se preocupe: A Aliança também teu seu espaço aqui. O enredo da Aliança segue quase que exclusivamente Anduin Wrynn, príncipe herdeiro de Ventobravo, como ele interage com os líderes da Horda e da Aliança. Seu relacionamento com o pai, Varian e tudo que o rei de Ventobravo tem passado. O rei acaba sugerindo que Anduin passe algum tempo fora da cidade.
É através desta sugestão que Anduin conhece a “tia” Jaina e o “tio” Magni Barbabronze melhor, viajando até Theramore e Altaforja. Jaina se encanta com Anduin; visto que ele é um garoto extraordinariamente bem-comportado e maduro, mas ele ainda é uma criança, que vive diversos problemas graças a guerra que assola Azeroth. Através da tutela de ambos, ele descobre um lado de si mesmo que ele sempre soube que existia, diferente daquilo que o pai sonhava para ele.
O tema entre pai e filho está presente em outra parte da história, mostrando o relacionamento entre Magni e Moira, além da luta do rei dos anões para deter a revolta elemental. Merecem destaque alguns eventos chocantes, tanto elementais quanto políticos, que ameaçam desestabilizar um dos pilares mais antigos da Aliança.
Neste livro, vemos como o Conselho de três Martelos é formado, as coisas que Cairne viu e como ele já previa que era perigoso deixar Garrosh solto com muito poder.Vemos uma aliança muito incomum quando Baine Casco Sangrento procura ajuda para retomar Penhasco do Trovão.
No geral, World of Warcraft: A Ruptura é um livro cheio de emoções, conspirações, traições, intrigas, vinganças, incertezas e amor. Temos os personagens mais famosos e lendários presentes.
O livro é peça obrigatória na sua coleção de World of Warcraft e depois que você ler o livro, tudo aquilo que você sentia pela expansão do Cataclisma vai se transformar em nostalgia.
Recomendado!