Agora o sábado é dia de resenhas aqui no O Vício! Esta semana trouxemos uma dezena de quadrinhos para você conhecer melhor. Então aperte seu cinto e nos acompanhe nessa montanha-russa de avaliações!

LENDAS DO UNIVERSO DC: QUARTO MUNDO, DE JACK KIRBY, VOLUMES 1 A 4
A coleção Lendas do Universo DC: Quarto Mundo talvez tenha sido uma das mais pedidas dos leitores fanáticos pela DC Comics para a Panini Comics Brasil. É considerada a magnus opus do virtuose dos quadrinhos de super-heróis Jack Kirby pai de toda uma maneira própria de se fazer histórias em quadrinhos. As principais séries de Kirby no Quarto Mundo ou, pelo menos, as mais celebradas, são Quarto Mundo e Senhor Milagre, que seguem as aventuras de dois filhos trocados na maternidade para selar a paz entre o pacífico Nova Gênese e o belicoso Apokolips. Órion, filho de Darksei foi criado pelo Pai Celestial, e Scott Free, foi criado por Darkseid em suas masmorras. O interessante disso tudo é que os dois personagens enveredaram para o bem dentro da concepção heroica de Kirby. Mas enquanto a série do Senhor Milagre tenta focar no herói, a de Órion e seus aliados tenta focar na reação das pessoas da Terra a poderes que elas não conseguem compreender. Magia divina ou tecnologia avançada? Ou seriam as duas coisas? Uma pergunta que também poderíamos fazer sobre a capacidade de Kirby de criar mundos e histórias extremamente dinâmicas.
Vou aproveitar que este encadernado tem a capa de Superman’s Pal Jimmy Olsen para falar mais especificamente sobre esta série do Quarto Mundo, uma vez que a coleção contempla quatro títulos confeccionados por Jack Kirby. É muito legal como Kirby se aproveita dos personagens já criados no Universo DC como Jimmy Olsen e Superman para dar um pano de fundo para a invasão das hordas de Darkseid à Terra. Logo nas primeiras histórias ele mostra uma cidade toda feita de árvore, que é um deleite fascinatório para aqueles que buscam se maravilhar com o fantástico. Quem brincou trepando em árvores quando pequeno e fazendo casas na árvore vai sentir o mesmo que eu. Kirby também experimenta sua narrativa fazendo colagens de material xerografado ao mesmo tempo que também usa sua arte sobre essas colagens dando a impressão de que os personagens estão atravessando dimensões. Por fim, ele adiciona uma versão jovem da Legião Jovem (Newspaper Legion) à sua cota de personagens, uma homenagem a ele mesmo e Joe SImon que criaram esses personagens nos anos 1940. É, quem disse que Kirby não sabia se reinventar?

Um dos grandes problemas do Quarto Mundo de Jack Kirby é o fato de que ele não pode concluir o que havia planejado para os seus personagens. Coube a outros dar continuidade a alguns dos personagens de Kirby, mas nem todos. O Povo da Eternidade foi um dos títulos que teve suas histórias descontinuadas para nunca mais. O Povo da Eternidade talvez seja, na minha humilde opinião, o título mais interessante e inovador que Kirby colocou nas bancas a partir do quarto mundo. Cinco jovens que se unem para formar um ser superpoderoso. Acho que você já deve ter ouvido esse conceito em outro lugar, certo? Quem falou Capitão Planeta e os Defensores da Terra, acertou. O conceito é muito parecido. Além disso, os personagens do Povo da Eternidade eram encarados como hippies, e Kirby estava muito a fim de trabalhar subculturas quando trouxe essas criações à baila dos leitores do início dos anos 1970. É de se pensar, dado o sucesso que o Capitão Planeta com mensagem hippie-ecológica teve, vinte anos depois, que as criações de Kirby, principalmente o Povo da Eternidade estavam à frente de seu tempo.
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FABULOSOS X-MEN: A QUEDA, VOLUME 1, DE MATTHEW ROSENBERG, KELLY THOMPSON, ED BRISSON E MAHMUD ASRAR
Eu vejo muitas críticas para essa fase dos X-Men na internet, mas eu acho que é exagero de quem caiu de para-quedas nas histórias a partir desse momento e não sacou o contexto que as histórias dos mutantes estavam até então. Por isso, acho essa iniciativa de juntar vários autores e construir uma saga semanal bastante louvável. Dá praver que tiveram um cuidado editorial de separar de forma igualitária as partes que cada um dos autores tomaria conta e de forma azeitada que não conseguimos reparar quem escreve cada parte de Dissassembled (desculpem, não gosto do nome A Queda). Os desenhos e as cores, estes sim, comprem bastante tabela, não encantam tanto, mas também não chegam a incomodar. De todo o mais acho que gosta bastante desta saga porque me lembra A Canção do Carrasco (que é muito pedida para republicação pela Panini) e que saiu em X-Men Gigante, sendo, sim, essa uma das intenções dos autores, que tinham a orientação editoria de fazer um retorno aos anos noventa. Como sou fruto dessa época, para mim, os autores não erraram a mira e fizeram um trabalho bastante competente que vai culminar em A Era do X-Man. Compre com desconto, clicando aqui!

SURPREENDENTES X-MEN, VOLUME 3: ATÉ QUE NOSSOS CORAÇÕES PAREM, DE MATTHEW ROSENBERG, GREG LAND, NEIL EDWARDS E TRAVEL FOREMAN
Talvez a maioria das pessoas não concordem comigo, mas dessa última leva de quadrinhos do RessurXion, dos X-Men, que envolveu as equipes Azul, Dourada e Vermelha, bem como outros dois volumes de Supreendentes X-Men por Charles Soule, este terceiro e último volume desta nova empreitada me pareceu o melhor. Os X-Men estão sofrendo com roteiros pífios desde o final das Guerras Secretas na Marvel quando começou o boicote frio sobre essa franquia por causa da guerra dos estúdios de Hollywood. Mas o que Surpreendentes X-Men, Vol. 3: Até Que Nossos Corações Parem tem de bom? Talvez não seja o que ele tem de bom, mas o que falte nos outros. Que é a fidelidade e a concordância com as atitudes dos personagens que aprendemos a gostar, que não servem só aos propósitos da história, mas que a personalidade deixa a história fluir. Também leva uma coisa que foi deixada de lado por anos que foi a continuidade e que é um elemento que faz os quadrinhos de super-heróis distinto dos demais. Claro, a arte de Greg Land é bastante contestável, mas ela tem um bocadinho de guity pleasure que até isso deixa a HQ mais interessante. Compre com desconto, clicando aqui!

BAÚ DAS MÁGOAS E OUTRAS HISTÓRIAS ORDINÁRIAS, DE CARLOS JENISCH
Neste Baú das Mágoas e Outras Histórias Ordinárias, Carlos Jenisch entrega diversas histórias, aparentemente autobiográficas, mas contadas através dos olhos de diversos personagens. São enredos que abordam desde a relação com as artes e as histórias em quadrinhos, passando pela sexualidade e pelas relações de amizade e também pela ansiedade pelas expectativas que todos formamos acerca de nossa existência. Algumas das histórias são bastante contundentes, que batem na tecla da autenticidade, outras, buscando um formato mais alternativo de narrativa acabam perdendo essa condição de parecer estar falando de si enquanto fala dos outros. Os desenhos de Carlos são muto bons, que quando usados na impressão preto e branco ganham uma dimensão espacial, um volume, todo próprio. As mágoas encerradas em um baú fazem parte da vida de todos nós, alguns, contudo abrem esse baú para que todos veja, outros os mantém fechado, e ainda tem aqueles que só abrem para si mesmos num afã doente de revisitar essas mágoas para que sofra cada vez mais no momento da reabertura desse arcabouço.

LAZARUS, VOLUME 3: CONCLAVE, DE GREG RUCKA, MICHAEL LARK E LUCA ARCAS
Se você gosta do trabalho de Greg Rucka e ainda não leu Lazarus, talvez esteja perdendo um dos melhores trabalhos do autor. No mundo distópico e futurista que o roteirista criou, o mundo está distribuído entre famílias que controlam as pessoas política e economicamente e as diferenças de poder são muitíssimo mais sublinhadas. Para garantir a segurança de cada um desses “reinos feudais”, existem os Lazarus, aparentemente filhos dos “pais” das organizações familiares, engendrados geneticamente para serem imortais e hábeis em habilidades assassinas. Em Lazarus acompanhamos os dilemas de Forever, a Lazarus da Familia Carlyle. É um quadrinho ótimo e somente ver o que Rucka desenvolve nas edições finais deste encadernado com direito a um conclave em alto-mar, uma súbita paixão, uma grande manipulação de um supervilão digno de James Bond, cheia de reviravoltas que fariam Ian Fleming corar. Fora isso, temos a maravilhosa arte de Michael Lark que confere à história o tom necessário para que embarquemos na jornada de Forever e não queiramos sair de lá tão fácil. Compre com desconto, clicando aqui!

TÔM, DE EDUARDO RIBAS
Este TÔM é o último tomo de uma trilogia que o meu parceiro de aventuras quadrinisticas, Eduardo Ribas, veio engendrando desde 2018. O primeiro deles é PÛT e o segundo deles se chama MÄQ. A ideia é tecer um plano de fundo para aventuras medievais baseadas em campanhas de RPG. Mas como pode acontecer em campanhas de RPG, as jogadas de dados que fazemos com o universo podem resultar em feacassos ou acertos críticos. A trilogia do Edu, que é linda de se ver, com desenhos e tiradas narrativas muito impressionantes, sem falar nas cores dinâmicas que ele usa, são um pouco desses elementos. O primeiro, PÛT, eu relamente não curti muito, mas já o segundo MÄQ, eu adorei muuuito mesmo. Este, TÔM, ultimo da trilogia, traz, então, o equilíbrio entre o meu não gostar e o meu gostar muito. De qualquer forma, recomendo aos leitores a darem uma olhada na trilogia do Edu, que os volumes individuais são baratinhos e, depois partir para aventuras mais extensas feitas por ele. Você pode encontrar os trabalhos do Eduardo Ribas no perfil do instagram @epicdoo e conferir mais do que ele tem a oferecer.

DEMOLIDOR, VOLUME 21, DE JED MACKAY, DANILO BEIRUTH, IBAN COELLO, STEFANO LANDINI E PAOLO VILLANELLI
Quem diria, amigos marvetes, que chegaríamos ao número 21 de um encadernado trimestral do Demolidor? Um número que se aproxima cada vez mais dos 35 que o defensor chifrudo da Cozinha do Inferno teve com sua revista mensal uma década atrás. Pois é, mas a minissérie que compõe esse numero vinte e um de Demolidor não é lá essas coisas. Aliás o que ela parece mesmo é tapa-buraco. Até agora não entendi qual foi a intenção da Marvel em fazer uma “Morte do Demolidor”. Essa iniciativa lembra mais a terrível saga Terra das Sombras do que uma saga clássica de morte como foi com a sua precursora e modelo para todas as mortes de heróis desde então, que foi a. “Morte do Superman”. Neste encadernado vemos uma sucessão de visitas de amigos de Matt Murdock à sua cama no hospital, inclusive de seu arquiinimigo, Wilson Fisk, o Rei do Crime, mas que não fazem sentido nenhum para a tal história da “morte”, porque ninguém morre. Não faz sentido o luto dos personagens, não faz sentido aquilo que eles falam com Matt como se ele estivesse enterrado num túmulo. Enfim, um quadrinho bastante dispensável a não ser pela arte do brasileiro Danilo Beyruth, emulando John Romita Jr. e se saindo muito bem! Compre com desconto, clicando aqui!

JEANINE, DE MATTHIEU PICARD
Jeanine, de Matthias Picard, é um quadrinho biográfico que segue bastante o estilo de outros trabalhos feitos na mesma editora, que é a francesa L’Association, que também trouxe ao mundo Epiléptico, de David B. e Persépolis, de Marjane Satrapi, entre muitos outros quadrinhos de renome na crítica ao redor do mundo. A capa pode parecer inocente, uma senhorinha com seu cachorrinho dentro de um carro, mas é a biografia de uma prostituta. E, por ser uma postituta que foge do estereótipo que temos dessa profissão, a história de Jeanine é cativante. O traço de Matthias Piccard, que também é um personagem da história, é bastante rebuscado. Nesse sentido, o tamanho em estilo livro da graphic novel acaba prejudicando o desenho, que se, na minha humilde opinião, fosse publicado em um tamanho A4, valorizaria mais o trabalho de Piccard. Por outro lado, encareceria ainda mais um produto que em seu valor original já está acima do praticado pela maioria das editoras. De qualquer forma, Jeanine figurou em diversas listas de melhores quadrinhos publicados em 2019 no Brasil e eu não posso discordar dessa classificação. Compre com desconto, clicando aqui!
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