
O ano de 2015 acabou e é hora de rever o que foi feito de forma crítica e analisar o que tivemos de bom e de ruim no mercado de mangás no nosso Brasil. Para começar, já adianto que “nunca antes na história desse país” tivemos um ano tão recheado e maravilhoso como esse. Agora sim podemos dizer com honra que somos uma nação que consome mangá no nível que consumimos outras mídias, como quadrinhos de super-heróis e livros. E esse trabalho foi construído em um ano de crise financeira! É para comemorar muito.
Se antes não tínhamos muitas escolhas de títulos, hoje podemos escolher o gênero que quisermos que vai existir na banca vários títulos de ótima qualidade. Se antes não tínhamos poder de escolha, se antes as editoras só publicavam o que elas achavam melhor baseando-se em nada, hoje as editoras nos escutam, acatam sugestões de maneira oficial e acompanham as temporadas recentes dos animes para saber ao que está fazendo sucesso. Se antes morríamos de medo de uma série ser cancelada, hoje praticamente não se fala nessa possibilidade.
O maior problema que amantes de mangás tinham que aturar era o fato de que tínhamos que pegar obras que eram canceladas nas revistas japonesas (exemplo mestre disso: Blue Dragon Ral Grad). Hoje temos um cenário utópico nas bancas: temos praticamente todas as séries que são grande sucesso no Japão. Ano passado tivemos Assassination Classroom, Kuroko no Basket e No Game No Life, séries lançadas quando o mangá estava ainda em andamento. Este ano fomos premiados com Tokyo Ghoul, Terra Formars, Gangsta, Nanatsu no Taizai, Orange, Ao Haru Ride, Zetman, All You Need is Kill e vários e vários outros.

Os mangás TOP que ainda faltam ser trazidos são facilmente justificáveis, e alguns são certeza de virem em breve. Haikyu!! Talvez chegue após Kuroko terminar, Shokugeki no Souma tem chances claras de vir, talvez pela Panini após terminar Reborn ou Belzebub, World Trigger também entra nessa mesma situação, e Gin no Saji virá mais cedo ou mais tarde.
Reclamavam que shoujo estava em escassez. Agora temos as principais séries dessa demografia. Reclamavam que não tinha títulos tão longos. Agora as editoras apostam mais ainda em séries que estão no começo e que podem perdurar por anos e anos.
Ainda existe receios de publicar séries que estão fechadas e que são extremamente longas, mas isso pode ser compreensível. É mais fácil unir o público em volta das novas obras e fazer com que os fãs acompanhem a série até o seu fim, independentemente de quando termine (casos claros de Terra Formars e Nanatsu).
Outro ponto claro a se destacar é o fato da JBC ter trabalhado e ser reconhecida como a principal editora, pelo menos no que se refere a contato com público, quantidade de publicações, movimento no mercado e clareza na apresentação de conteúdo. É fato que JBC e PANINI estão disparadas como as principais, mas o mercado está abraçando todas as outras também.
A Astral Comics surgiu do nada e hoje é uma das mais reconhecidas no mercado, trazendo títulos completamente diferente do que qualquer um esperava. Talvez não sejam tão bons, mas claro que consumimos para poder ao menos fazer essa análise e claro que haverá sempre um público fiel que pretende acompanhar todas as publicações. E o que dizer na New Pop? Foi o melhor ano da editora, foi o ano para se consolidar de vez, trazendo títulos de altíssimo nível e investindo em uma área que até então era temida pelas outras editoras: as Novels japonesas! Eles investiram fundo, deu resultado, e agora estão servindo de exemplo para que outras obras desse mesmo estilo sejam publicadas, caso do livro de Another da JBC.
A grande polêmica gerada no ano talvez tenha sido em relação ao papel utilizado nas impressões. Vários mangás sofreram com a já famosa “crise do papel”, e tinham volumes lançados com papeis diferentes a cada mês. Poderia ser um ponto extremamente negativo, mas a constante explicação das editoras, principalmente da JBC, a respeito desse problema baixou um pouco a poeira que exigentes leitores estavam levantando.
Para fechar o ano tivemos o presente de Papai Noel, e completamente inesperado. Simplesmente termos One Punch-Man! One Punch-Man!!! Em 2014, Cassius Medauar, gerente de conteúdo da JBC e figura mais marcante do ano no mercado de mangás, cedeu entrevista em que declarou, entre outras coisas, que uma das séries favoritas dele era One Punch-Man, e que ele já havia tentado lançar, mas infelizmente os japoneses não queriam, naquela época, lançar o mangá fora do Japão. Mas com o lançamento do anime, a comercialização do mangá para todo o mundo foi inevitável, e por certo a Panini aproveitou o momento e passou a perna na JBC. Coisas de mercado.
Para finalizar e assustar um pouco: da lista dos 50 mangás mais vendidos em 2015 (analisando os volumes), apenas 7 volumes são de obras que não são lançadas atualmente no Brasil. Traduzindo: entre os 50 volumes mais vendidos no ano, 43 são volumes de obras lançadas no Brasil. São 86% dos mangás. É realmente muita coisa.
O mercado evoluiu bastante e 2016 promete ainda mais!




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