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Quando a Team Ninja anunciou A Ascensão do Ronin, os jogadores acostumados com os jogos do estúdio prestaram atenção. Afinal, seria o primeiro jogo de mundo aberto da desenvolvedora de Ninja Gaiden, Nioh e Wo Long: Fallen Destiny. Não apenas isso, dessa vez teríamos uma história muito mais pautada na realidade, passando-se durante o período que precedeu o que ficou conhecido como Restauração Meiji, o processo de derrubada do xogunato e restabelecimento do poder da família imperial japonesa. 

Dado esse contexto histórico, é inevitável lembrar de uma outra franquia que usa de eventos famosos da história da humanidade e permeia sua narrativa com figuras históricas reais: Assassin’s Creed. E talvez o grande problema de A Ascensão do Ronin seja justamente a forma como ele não tem pudor em ser similar a vários jogos bem sucedidos, mas fazendo tudo de forma inferior a eles. Afinal, também temos muito de Ghost of Tsushima e Sekiro: Shadows Die Twice aqui nesse título da Team Ninja.

Japão de A Ascensão do Ronin
Reprodução/Team Ninja

Talvez por isso, persista durante todo o jogo a sensação de uma falta de identidade, impressa apenas por suas mecânicas de combate. Aliás, não, ao contrário do que jogadores de Nioh possam pensar, A Ascensão do Ronin não é um soulslike – e isso já fica claro antes mesmo de iniciar o game, afinal ele conta com três diferentes opções de dificuldade. 

Claro, existem algumas similaridades com aquilo que a empresa já fez dentro desse subgênero, mas aqui temos um combate muito mais cadenciado e (bem) menos punitivo. Sei que comparações demais podem ser chatas, mas em um jogo que não tem medo de ser genérico, é impossível não fazer isso. Então, posso dizer que o combate é uma mistura do cadenciamento de Ghost of Tsushima com a enorme necessidade do tempo exato do parry que vemos em Sekiro. No entanto, sem a elegância desses dois títulos.

Ainda assim, dá para dizer que o combate é onde A Ascensão do Ronin brilha. Contando com vários estilos de combate diferentes, e uma enorme variedade de armas, é possível testar diferentes formatos e escolher aqueles que mais se adequam ao seu estilo. Mas independente de suas escolhas, a esquiva, a defesa e o parry (chamado aqui de contrafulgor) ainda se fazem cruciais – sempre prestando atenção na barra de “ki” do seu personagem, é claro. Acertar um contrafulgor no tempo exato, aliás, vai eliminando a barra de ki do oponente, deixando-o suscetível a golpes mais poderosos.

Reprodução/Team Ninja

Mas embora o combate seja muito divertido, isso não sustenta o jogo, especialmente pela repetição. Entendo que A Ascensão do Ronin marca a primeira vez da Team Ninja se aventurando por um modelo de mundo aberto, mas a escolha de design para esse mapa não poderia ser pior. Com atividades secundárias repetitivas, que consistem em sua maioria em limpar vilarejos de criminosos e enfrentar fugitivos, o jogo acaba fazendo com que o seu aspecto mais divertido, o combate, se torne algo maçante. Além disso, são três mapas consideravelmente grandes: Yokohama, Edo e Quioto, e os três funcionam exatamente da mesma forma, com os mesmos objetivos.

Mas ok, tudo isso seria perdoado se A Ascensão do Ronin oferecesse ao menos uma história interessante. Infelizmente, não é o caso. A trama até começa de forma interessante, com o protagonista (que pode ser masculino ou feminino) em busca de sua “Lâmina Gêmea”, o (a) guerreiro(a) que cresceu ao seu lado e que por algum motivo, após uma suposta morte, reaparece trabalhando para o inimigo (ou seja, os americanos). 

Enquanto está em sua busca, o protagonista conhece vários aliados e se vê no meio de uma guerra envolvendo pessoas que são contra ou pró-xogunato, e que por algum motivo começam a considerar bastante a sua opinião política. O problema é que a narrativa é completamente sem foco, jogando personagens na trama a todo momento, que vão desaparecer algumas horas depois para a chegada de mais uma dúzia de personagens aos quais você não vai sequer decorar o nome.

Reprodução/Team Ninja

Vale dizer, aliás, que por se passar ao longo de um conturbado período histórico japonês, a história do jogo ocorre ao longo de mais de um década, embora isso não seja sentido em momento algum – já que os personagens e o mundo ao seu redor não mudam em absolutamente nada. Chega um ponto, sem exagero, em que você já não sabe quem são os seus aliados e nem pelo que está lutando – já que o plot da “Lâmina Gêmea” é quase que totalmente esquecido, virando uma trama menor dentro das maquinações políticas que alguém achou que seriam mais interessantes.

Graficamente, não há muito o que se falar, já que os trailers já deixavam bem claro o que teríamos pela frente. A Ascensão do Ronin parece um remaster para PlayStation 5, de um jogo de PlayStation 3. E digo isso não apenas em aspectos gráficos, mas também em mecânicas. É curioso, aliás, como o jogo parece radicalmente diferente em alguns aspectos específicos. Enquanto seu combate é muito bem feito e elaborado, a movimentação do cavalo, por exemplo, é uma das coisas mais bizarras dos últimos anos em videogames. 

Em A Ascensão do Ronin, a Team Ninja também aproveita para explorar o multiplayer, já que é possível jogar as missões do game de forma cooperativa em até três pessoas. Embora isso ofereça novas formas e abordagens de jogar, a estrutura quebra um pouco da imersão do jogador singleplayer, já que cada missão funciona da mesma forma, geralmente com uma incursão a uma base inimiga em um pedaço delimitado do mapa. Embora seja plenamente possível jogar as missões com NPCs como seu aliados, é difícil se livrar da sensação de que a mecânica co-op limitou o escopo das missões.

De uma forma geral, A Ascensão do Ronin está longe de ser um jogo ruim, mas definitivamente se mostra muito aquém das expectativas e também de tudo que vimos saindo na atual geração, especialmente quando falamos de exclusivos. Ao seguir fórmulas fáceis em um modelo de jogo que o estúdio não possui expertise, a Team Ninja entrega um produto que infelizmente já nasce datado. 

Leia mais sobre A Ascensão do Ronin:

A Ascensão do Ronin
  • Desenvolvedora: Team Ninja
  • Publisher: Koei Tecmo
  • Plataformas: PlayStation 5
  • Review feito no: PlayStation 5
Nota 7
Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.