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Em um mercado saturado de fórmulas repetidas e já cansativas, Absolum surge como um raro sopro de criatividade em um gênero que, por muito tempo, caminhou em círculos. Desenvolvido por um time de peso, afinal, estamos falando da Dotemu, Guard Crush Games e Supamonks, o jogo mistura o DNA dos beat’em-ups clássicos com o espírito imprevisível dos roguelikes. O resultado é uma experiência que não só desafia as expectativas, mas também resgata a essência dos fliperamas com uma roupagem atual e instigante. Eu tive a oportunidade de zerar o jogo e, hoje, trago aqui minhas impressões sobre ele.
Batalhas com peso e propósito

O ponto de partida em Absolum é familiar: encarar hordas de inimigos, combos fluídos e chefes com padrões cruéis. Mas bastam alguns minutos de gameplay para perceber que há algo diferente com este game. Cada golpe tem peso. Cada esquiva é recompensadora. Cada combo encaixado traz uma dose de satisfação indescritível. E tudo isso é impulsionado por um sistema de progressão baseado em runs, onde você morre, aprende e volta mais forte, eu sei, esta é a fórmula típica dos roguelikes, mas aqui aplicada com maestria ao formato de pancadaria em side-scroll.
O sistema de combate, refinado por quem entende profundamente do gênero, é uma aula de ritmo e impacto. Todo golpe mostra o seu poder ao ver os inimigos saltando da tela para realizar cenas inusitadas e engraçadas. Combos longos são incentivados com bônus e recompensas, criando uma camada estratégica para jogadores mais experientes, mas sem excluir os novatos.
Progressão roguelike que recompensa a persistência

Absolum não tenta reinventar as bases dos roguelikes, na verdade, ela as respeita para que você entenda como isso funciona de verdade. Você começa fraco, coleta melhorias temporárias ao longo das fases e, com o tempo, desbloqueia upgrades permanentes que ampliam o leque de habilidades. A grande diferença está na forma como isso é incorporado ao universo do jogo. As fases são ramificadas, com rotas alternativas, missões opcionais e áreas secretas que recompensam a curiosidade. Essa estrutura não só evita a repetição como mantém a sensação de descoberta viva a cada nova tentativa.
Se há um ponto de atenção, é que o ritmo de desbloqueio pode ser lento demais. Algumas sinergias só começam a surgir após várias horas, o que pode afastar os mais impacientes. Mas quem perseverar será recompensado com builds criativos e momentos de pura genialidade estratégica, algo que eu aprecio, afinal, vocês sabem que eu sou um grande fã de jogos que sabem usar seus sistemas para adicionar camadas estratégicas.
Um espetáculo audiovisual

Vamos falar a verdade aqui, Absolum é um um banquete visual pra quem curte algo mais estilizado: Os cenários, todos desenhados à mão, têm o charme de um quadrinho de fantasia em movimento, os personagens tem bastante personalidade e isso me deixou muito empolgado e ver qualquer derivado dessa franquia em HQs ou até série animada. As animações são suaves, detalhadas e muito bem pensadas. Os personagens principais tem detalhes únicos e mecânicas distintas.
A trilha sonora, por sua vez, é um dos maiores destaques do jogo. Compositores lendários de grandes franquias dos games uniram forças para criar uma obra-prima musical. As faixas acompanham o ritmo da ação, crescendo junto com o combate e desacelerando nos momentos de alívio. Há verdadeiros picos emocionais proporcionados só pela música, algo raro de se ver em qualquer produto da indústria moderna dos games.
Diferente da maioria dos beat’em-ups, Absolum se preocupa com a narrativa. Ambientado em Talamh, um mundo de magia onde o cruel Rei Sol, Azra, impõe seu domínio, a trama envolve quatro heróis improváveis tentando libertar o reino. Os diálogos são profundos, revelando camadas dos personagens e do próprio universo conforme o jogador avança. Não é apenas uma desculpa para a ação: é uma história marcante, que vale a pena acompanhar.
Embora a proposta roguelike traga frescor ao gênero, há limitações inerentes. Os cenários são fixos e desenhados à mão, então o jogo depende mais de rotas alternativas do que de geração procedural para garantir variedade. Isso pode tornar os primeiros biomas repetitivos após múltiplas tentativas, especialmente se os upgrades ainda forem escassos.
Felizmente, a curva de aprendizado do combate compensa. Dominar combos, descobrir atalhos, refinar sua execução, tudo isso oferece recompensas tangíveis, mesmo antes de desbloquear os melhores poderes. A verdadeira evolução está tanto no jogador quanto nos sistemas.
Conclusão

Absolum é um daqueles raros jogos que conseguem resgatar o passado enquanto apontam para o futuro. É nostálgico sem ser preso à nostalgia, inovador sem trair suas raízes. Sua mistura de beat’em-up clássico com roguelike moderno resulta em uma experiência coesa, viciante e absurdamente divertida.
Mesmo com alguns tropeços na progressão e variedade inicial, o pacote geral é forte o suficiente para colocá-lo como um dos grandes títulos de 2025. E em um ano lotado de lançamentos incríveis, esse feito por si só já é digno de aplausos.
- Desenvolvedora: Guard Crush e Games Supamonks
- Publisher: Dotemu
- Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
- Review feito no: Nintendo Switch 2
- Combate visceral, responsivo e com profundidade surpreendente
- Progressão roguelike bem implementada, com sensação constante de evolução
- Trilha sonora magistral com nomes consagrados da indústria
- Visual deslumbrante, com animações fluidas e estilo artístico memorável
- Narrativa envolvente e personagens bem construídos
- Alto fator replay com rotas alternativas e builds criativos
- Progressão inicial pode ser lenta demais
- Pouca variedade nos cenários nas primeiras horas
- Upgrades elementares iniciais pouco impactantes






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