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anotherjpgeAnother World é um jogo de aventura e plataforma lançado pela Delphine Software em 1991 e projetado por Éric Chahi. Lançado originalmente para Amiga e para o Atari St, recebeu versões atualizadas no ano seguinte para plataformas DOS, e para consoles 16 bits como o Super Nintendo e o Mega Drive, todos contando com cenas e eventos extras. Recentemente, em 2011, foi lançada uma versão comemorativa de 20 anos para plataformas mais modernas, que incluiu gráficos em HD, efeitos de som remasterializados e três níveis de dificuldade.

A premissa do jogo é simples. Lester, um jovem cientista, acaba tendo um acidente durante suas pesquisas em um acelerador de partículas afetado por uma tempestade e é enviado para um mundo alienígena desconhecido, onde precisará enfrentar a fauna local e uma raça de escravocratas que o havia capturado. Ao longo da trama – que é bem sucinta, Lester forma uma amizade com outro cativo da civilização que o capturou. Durante a fuga, a necessidade faz com que se separem várias vezes, mas o caminho dos dois se cruza em diversos pontos.

Mas o brilho de Another World surge no gameplay. Recheado de puzzles e perseguições, o jogo consegue mostrar um pouco de tudo que se esperaria de um filme de ação e, apesar das limitações da época, consegue trazer um ritmo agradável e um dinamismo que, apesar de não chegar ao frenesi dos blockbusters atuais, poderia muito bem ser de uma obra audiovisual de aventura e ação dos anos 80 e 90.

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Isso se dá porque os enigmas do jogo normalmente lidam com ação. Para conseguir passar de um corredor pode ser preciso enfrentar um grupo de três inimigos armados com armas laser e escudos, mas não bastará apertar o botão de tiro várias vezes seguidas para aniquilá-los. Em Another World, a maioria dos enfrentamentos segue a lógica de um puzzle, é preciso descobrir a forma correta de agir para derrotar os adversários, e isso acontece no espaço de alguns segundos. Não conseguir de primeira entender como vencer o inimigo normalmente faz com que o protagonista seja desintegrado, então é preciso recomeçar de um checkpoint e novamente voltar à correria, o que passa a impressão de que tudo está sempre em movimento e, após uma série de mortes, que aquela é uma fuga desesperada.

Claro que existem outros tipos de puzzles para serem resolvidos e nem tudo do jogo é trocar tiros com os inimigos. E é nesses momentos de calmaria que o jogo pode se tornar bastante desafiador. Em alguns momentos o jogador pode ficar sem muitas ideias do que fazer, ou então acabar resolvendo uma situação por pura sorte. Mas esses momentos são poucos e acabam acontecendo na maioria dos jogos do gênero. Apesar de uma frustração inicial, a sensação de vitória acaba sendo maior.

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Essa sensação de uma narrativa fluida é auxiliada pelos efeitos cinemáticos utilizados no jogo. Sendo um cinematic platformer, um subgênero dentro dos jogos de plataforma, Another World busca representar movimentos humanos e uma física realista, diferente de muitos outros do gênero que não se importam com tais características. Em outro tipo de “cinematic”, a obra também foi bastante elogiada por suas cenas, tanto em tempo real quanto em cutscenes, que se assemelham a filmes e dão todo o aspecto cinematográfico que se encontra no jogo.

Apesar da idade, o jogo não parece de forma alguma datado. O estilo de animações e a estética empregada eram de última geração em seu lançamento e hoje, longe de parecem mal feitos, conferem um estilo minimalista ao jogo, como se tivesse sido uma escolha consciente. Another World envelheceu muito bem. Pois ao invés de causar aquele desconforto devido ao anacronismo gráfico, o tempo fez com que sua apresentação ganhasse um toque de poesia saudosista, semelhante a muitos jogos indie da atualidade.

Another World não é daquelas obras antigas que se experimenta apenas para estudar e compreender a história dos jogos digitais. Seu design e preocupação com jogabilidade, atmosfera e ritmo fazem com que seja mais do que um jogo importante para a evolução dos games. Mesmo hoje, este importante platformer merece ser jogado pelo o que é e não pelo o que foi. Pela diversão que proporciona, pela atmosfera cinematográfica que cria com gráficos minimalistas e pelos desafios que proporciona ao jogador.



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