
E é completamente notório o que Percy tenta trazer para o personagem já em suas primeiras edições. Fugindo um pouco de todo o misticismo que permeava o título durante a fase de Jeff Lemire, o roteirista traz um tom mais “pé no chão” para a trama, que apesar de ainda dever muito para os tempos áureos do personagem pré-reboot, buscam uma reencontro com esse Oliver Queen ativista e envolvido mais em problemas sociais do que em questões envolvendo mágica e super-poderes. Cada situação e diálogo da história praticamente grita essa concepção ativista, mas de uma forma que não torna a ideia forçada. Na verdade é extremamente satisfatório ver o esforço de Percy em demonstrar sua abordagem para o Arqueiro desde o início, o que aliás lhe rendeu continuar no título mesmo após a chegada do DC Rebirth. Mas já chego nisso.
Na história, que traz Oliver de volta à cidade de Seattle vivendo com sua irmã Emiko, somos apresentados a uma trama envolvendo uma onda de crimes racistas escondidos por trás de um projeto que acaba sendo financiado pelo próprio Oliver – através das Indústrias Queen – cujo conceito é de um drone mortífero com tentáculos de metal, disposto a atacar qualquer pessoa com “predisposição” a cometer delitos, baseando-se apenas em aspectos banais discriminatórios como expressão facial, postura, modo de falar e localização geográfica. Não demora para a máquina cometer assassinatos injustos e ocasionar uma série de protestos por toda a cidade.
“É fascista, racista, elitista e perigoso. Essas coisas até podem pegar alguns marginais… mas deixam toda uma população em desvantagem.”
A história é envolvente, traz um bom debate, a questão social e racista é bem trabalhada, apresenta dois vilões interessantes cada um em seu diferente aspecto de maldade… mas peca no clímax e encerramento. Ainda não sei se consigo mensurar se o final é realmente um ponto fraco na história, mas fiquei com uma leve sensação de encerramento abrupto. O plano dos heróis é executado de maneira impecável e efetiva – ainda que seja extremamente simplório – e o roteiro trabalha amarrando as pontas soltas todas de uma só vez, quase como se o autor estivesse com pressa em encerrar a história.
Ainda assim, a chegada de Benjamin Percy traz um fôlego muito interessante às aventuras do Arqueiro Verde. Além de retornar com a veia ativista e política do personagem, o autor já começa a mexer em seu elenco de coadjuvantes, desenvolvendo o relacionamento com a irmã Emiko, e a inclusão de um mestiço de lobo com cachorro, George, que é salvo por Oliver e passa a ser seu mascote. Além de trazer o arco principal, “Pássaros da Noite”, o encadernado lançado pela Panini traz a primeira história do seguinte: “O Segredo do Lobo”, que trata justamente das raízes de George.
Como citado acima, a fase do roteirista foi tão bem recebida, que ele acabou sendo um dos poucos a continuar em seu título mesmo após o fim do DC You e a chegada do DC Rebirth. Na nova fase, Percy contará com ainda mais liberdade nos roteiros do personagem, trazendo seu icônico cavanhaque abandonado desde 2011 e prometendo um foco ainda maior nas questões sociais. O roteirista refere-se a Oliver em sua fase como um “Justiceiro Social”, e traz ainda a Canário Negro de volta ao universo do herói. Quem está interessado nessa nova fase que já começou a sair lá fora, pode muito bem começar por aqui, e ver o surgimento das ideias de Ben Percy.
Gosta do Arqueiro Verde? Não deixe de conferir o nosso Guia de Leitura sobre o personagem.