Se você perguntar para qualquer jogador qual o game que melhor sintetiza o que é Assassin’s Creed, provavelmente a resposta vai ficar entre os títulos estrelados por Ezio Auditore (talvez com uma preferência pelo Brotherhood). No entanto, se você perguntar qual é o melhor jogo da franquia, é bem provável que 9 a cada 10 pessoas responderá que é Assassin’s Creed: Black Flag. Não a toa, foi esse o jogo escolhido pela Ubisoft para ter a honra de receber o primeiro remake da série em seus quase 20 anos de existência.
Assassin’s Creed: Black Flag Resynced traz a jornada de Edward Kenway para uma nova geração, chegando em 9 de julho para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC. Já pudemos testar o game graças uma chave de review cedida pela Ubisoft, e agora estamos trazendo o que achamos.
O Caribe, mais bonito do que nunca

A evolução visual é o elemento de maior impacto imediato em Assassin’s Creed Black Flag Resynced. O título foi integralmente reconstruído utilizando a versão mais recente do motor gráfico Ubisoft Anvil Engine, deixando de lado as limitações tecnológicas da arquitetura empregada há mais de uma década.
Essa transição resulta em ambientes substancialmente mais detalhados, caracterizados por uma iluminação dinâmica realista, vegetação marinha e terrestre consideravelmente mais densa, além de texturas em alta resolução que redefinem a atmosfera das ilhas caribenhas.
Somado ao aprimoramento dos cenários, os modelos faciais dos personagens foram refeitos do zero para garantir maior expressividade nas cenas narrativas. O trabalho de modernização técnica estende-se ao catálogo de animações: os movimentos de locomoção, o sistema de escalada e as interações físicas durante os confrontos foram totalmente revisados, conferindo uma fluidez natural que elimina a rigidez típica das produções daquela geração.
Não é a toa que a Ubisoft esteve insistindo ao longo dos últimos meses, que o game não se trata simplesmente de um remaster, e sim de um remake completamente refeito do zero.
Uma nova forma de navegar
A exploração do vasto mapa marítimo recebeu atualizações substanciais que afetam tanto o deslocamento a pé quanto a condução náutica. No que diz respeito ao parkour, a Ubisoft incorporou comandos contemporâneos da série, introduzindo saltos livres e mecânicas de impulsão em superfícies verticais. Essas adições garantem ao jogador maior liberdade e reatividade no controle de Edward Kenway, conferindo agilidade e eliminando a sensação de peso excessivo que marcava a jogabilidade mecânica de 2013.
No oceano, a navegação ganhou contornos mais dinâmicos e desafiadores. As porções de exploração submarina foram expandidas, concedendo maior autonomia e rotas diversificadas sob a água. Além disso, as condições climáticas agora exercem influência direta na física do navio, transformando tempestades em eventos complexos que exigem perícia na pilotagem.
Verdade seja dita, o combate naval já era impressionante em 2013, sendo uma evolução do protótipo visto em Assassin’s Creed III. Nesse aspecto, tivemos poucas mudanças, afinal, convenhamos, não tinha muito a mexer aqui.
Um combate mais estratégico
Os jogos antigos de Assassin’s Creed (antes da transição para o RPG) possuíam um sistema de combate que era o padrão na maioria dos jogos da época: uma dinâmica baseada quase exclusivamente na espera passiva pelo comando de contra-ataque.
Em Resynced, o ritmo das batalhas foi acelerado e alinhado com as mecânicas introduzidas nos lançamentos mais recentes da marca, a exemplo de Assassin’s Creed Valhalla. A inclusão de um sistema de bloqueio (parry) modernizado e sinalizado por cores exige maior atenção e precisão do usuário durante os confrontos diretos.
Os embates tornaram-se mais estratégicos devido à evolução da inteligência artificial, que faz com que os adversários passem a reagir e a se defender contra padrões repetitivos de ataque. Embora seja possível usar diversos comandos durante a luta, como chutar ou tentar dar uma rasteira no inimigo, nem sempre ele estará suscetível a isso, podendo facilmente se esquivar e contra-atacar, o que torna com combate bem mais interessante.
Muito além do Adéwalé
Quem jogou o Black Flag original lembra muito bem de Adéwalé, o imediato de Kenway e contramestre do Gralha. E desde aquela época, eu, um grande fã de One Piece, já pensava: e se fosse possível recrutar mais tripulantes para o navio?
Pois é, em Resynced isso é possível, embora eu considere até que poderia ter mais membros. Acontece que algumas das novas missões inseridas no game tratam justamente de recrutar companheiros específicos para uma vida em alto mar, como uma carpinteira e um mestre de armas. Os novos tripulantes vem com uma linha de quests específica, que enriquecendo não apenas suas histórias pessoais, mas o mundo ao redor. Seria interessante se tivessem feito mais isso, reunindo um cozinheiro, um músico e… você me entendeu. Eu sou fã de One Piece, desculpa.
A trama central também foi expandida por meio de sequências cinematográficas inéditas e missões focadas em aprofundar figuras históricas marcantes, como Barba Negra e Stede Bonnet, além de oferecer maior profundidade à evolução psicológica do próprio Edward Kenway, sem descaracterizar o enredo original.
Vale destacar ainda a reformulação completa das missões de perseguição e espionagem: o sistema punitivo de falha instantânea ao ser avistado foi descartado. Agora, caso o protagonista seja conhecido pelo inimigo, o alvo reage dinamicamente, iniciando fugas ou combates, permitindo que a missão continue de forma orgânica.
Chega de “dias atuais”
Uma das alterações mais radicais em termos de estrutura narrativa diz respeito aos trechos ambientados no presente. As tradicionais e frequentemente criticadas interrupções nos escritórios da Abstergo Entertainment foram totalmente eliminadas do fluxo do jogo. Essa decisão visa manter a imersão contínua nas atividades do Caribe, evitando que o ritmo da aventura seja quebrado por segmentos de jogabilidade em primeira pessoa fora do Animus.
Para substituir essa conexão com a linha temporal moderna, foram introduzidas fendas do Animus, que são portais opcionais acessíveis pelo mapa que transportam o jogador para cenários alternativos, explorando desfechos hipotéticos e variações na trajetória de Edward e de outros personagens icônicos da franquia.
Sinceramente? Já passou da hora da Ubisoft largar de vez a Abstergo, o Animus e os “dias atuais”. São elementos que só servem para quebrar a imersão do jogador. Além disso, outra coisa irritante é o excesso de itens abstergo que você ganha ao longo da jornada, que servem para, obviamente, “sugerir” que você faça uma visitinha na loja online e pegue suas “recompensas”. Claro, você nunca consegue pegar nada minimamente interessante, afinal em microtransações o que eles querem é a sua grana.
Mais irritante ainda é quando você clica no touch pad para acessar o mapa sem perceber que acabou de pegar um desses itens abstergo (cujo atalho também é no touch pad), e de repente se vê sendo levado para a loja online (que demora a carregar ainda por cima). Triste.
Não tinha como errar. Mas tinha como acertar mais
De uma forma geral, Assassin’s Creed Black Flag Resynced é um ótimo jogo. Mas muito disso vem do fato de que o original já era um ótimo jogo. Claro, como já falei ao longo do texto, todas as adições são muito bem vindas, mas ainda fica a sensação de… “poderia ser mais”.
Um dos problemas do original, por exemplo (e da franquia de uma forma geral) é como a passagem de tempo é tratada. Como estamos falando de jogos que se passam em períodos históricos reais e que inserem figuras que realmente existiram em sua narrativa, é normal que a trama acabe abrangendo vários anos. Porém, exceto por uma breve frase na tela, absolutamente nada no jogo indica o peso dos anos.
Assassin’s Creed Black Flag começa em 1715 e termina em 1722, mas não vemos a passagem do tempo em absolutamente nada, seja nos cenários ou no visual dos personagens. Esse tipo de detalhe (ainda mais falando de nova geração) seria muito bem vindo no game, mas a sensação que fica é que a Ubisoft optou por “jogar no seguro”. Porém, seguro até demais. Essa preguiça gera a inevitável pergunta: quando decidirem fazer um remake da trilogia do Ezio, é só isso que podemos esperar?
A “sorte” da Ubisof é que o carinho enorme da comunidade por Black Flag vende o jogo por si só. E o trabalho feito em Resynced é pelo menos competente, servindo para mostrar para uma potencial nova geração de jogadores que nunca tocaram no original, por que Black Flag ainda é a melhor aventura pirata dos videogames. E agora mais do que nunca.
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- Desenvolvedora: Ubisoft
- Publisher: Ubisoft
- Plataformas: PlayStation 5, XBox Series X|S e PC
- Review feito no: PlayStation 5