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Depois do de Assassin’s Creed Unity, algumas pessoas  ficaram meio com o pé atrás com a franquia da Ubisoft. Só que a empresa não desistiu e trouxe a guerra contra os templários para a era da Revolução Industrial e dar um ar mais parecido com “Gangues de Nova York”.  Assassin’s Creed Syndicate é um ótimo retorno para aquilo que é mais interessante na franquia, transformando-se em um dos melhores títulos da série.

Geralmente, a parte mais importante de um jogo de Assassin’s Creed é o elenco de personagens e a Ubisoft é conhecida por tentar fazer suas histórias flertarem com lugares e pessoas famosas para dar uma sensação maior de realidade. Aqui, a Ubisoft conseguiu fazer algo diferente de Assassin’s Creed Unity, com um design mais interessante para Londres, deixando bem menos repetitiva que Paris.

As áreas de Lamberth, Southwark, Whitechapel, Strand, Westminster e a cidade de Londres são bem diversificadas e parecem reais, com diferenças bem dinâmicas. Existem  áreas ricas da cidade em que você pode encontrar artistas de rua pedindo moedas e jovens limpadores de chaminés procurando por trabalho. Depois de chegar em outra área, você irá encontrar casas se despedaçando e pessoas desesperadas para trabalhar em um fábrica. O que é exatamente o cenário que temos nos livros de história, como sabemos, a Revolução Industrial foi bem importante, mas também foi uma das épocas com maior desigualdade social e grandes índices de pobreza.

Verdade seja dita: não importa se você está subindo uma torre de relógio, brigando no porão, escalando os muros de uma fábrica ou apenas passeando por aí, Londres está linda. Os gêmeos protagonistas de Syndicate, Jacob e Evie Frye, são dois dos mais detalhados personagens que a Ubisoft já criou. Sendo assim, o elenco de apoio, incluindo Charles Darwin, Florence Nightingale, Charles Dickins e Alexander Graham Bell (só feras, né?), é sensacional. A Ubisoft consegue mostrar o bom trabalho da empresa até nos NPCs que você encontra na rua, tá tudo bem amarrado e arranjado, altamente polido. Claro, existem certos problemas que você pode encontrar aqui e ali (tais como alguns problemas de texturas e rostos repetidos em alguns personagens), mas nada que tire o brilho do jogo.

Syndicate também agradou meus ouvidos. Paul Amos e Victoria Atkin são os dubladores originais e fazem um trabalho excelente. Os dois conseguem exprimir bem a personalidade de cada irmão e isso me deixou bastante empolgado com o game. Isso também é verdade com outros personagens, o jogo consegue parecer autêntico, o sotaque ficou bem real. Mas o melhor de tudo é a trilha sonora, ela segue o ritmo daquilo que você está fazendo. Se você está lutando ou escalando, a trilha sonora reflete exatamente isso. A Ubisoft está de parabéns por esse trabalho.

Infelizmente, ainda existem certas pausas e quedas de frames que acontecerem de vez em quando. O lado positivo é que geralmente elas ocorrem fora do combate. Isso me alegra bastante, visto que o sistema de combate de Syndicate é o melhor de toda a franquia. Existem algumas escolhas de world design que também fazem total sentido: ao invés de termos aquele feno na base de prédios altos, vemos montes de folhas, que são usadas para aparar o impacto daqueles nossos pulos de mais de 30 metros.

O gameplay está bem polido e refinado. Sim, o núcleo é o mesmo de sempre. Você precisa se misturar na multidão, usar habilidades de parkour para atravessar os lugares, escalar prédios e furar pessoas com objetos pontudos, mas Syndicate consegue ser único visualmente. O sistema de carruagens é um dos melhores recursos, pois você pode pegar uma carruagem nas ruas e começar a passear com ela. Isto abre um leque de possibilidades, visto que você pode deixar corpos nas carruagens. Inclusive, as melhores cenas do game são as grandes perseguições com carruagens, onde você pode atirar no “motorista” da carruagem para causar problemas aos inimigos. Controlar carruagens também é bem divertido, até porque parece que os cavalos se sentem invencíveis, já que você pode bater em qualquer coisa com eles.

A maior mudança para o gameplay do jogo é a presença do Rope Launcher, um dispositivo que permite que você possa atravessar a cidade no maior estilo “Homem-Aranha”. Você atira para os telhados dos prédios e quando sobe, a experiência muda completamente. Apesar de ainda podermos escalar tudo, esse sistema é muito mais divertido e interessante. Agora, você pode subir um prédio em questão de segundos. Você pode usar isso ao seu favor para criar pontos de assassinatos. Isso ajuda bastante a escapar do combate. Você usa a corda, sobe, mata o inimigo e desce para escapar do combate. Simplesmente genial.

Os protagonistas também permitem uma variedade de opções para combate. O estilo de Jacob é mais voltado ao combate direto, Evie é mais focada no modo stealth. A maioria das pessoas irá gostar mais da Evie por causa do Stealth, mas eu prefiro Jacob. Devo mencionar que ambos conseguem fazer as duas coisas, mas cada um tem sua “especialidade”. A gangue de mecânicos também foi um toque interessante e um upgrade definitivo para as possibilidades que você teve em Brotherhood.

Ainda assim, Syndicate mantém o espírito da franquia. Você terá que sincronizar em lugares altos, liberar zonas, desbloquear missões extras e fazer sidequests. Só que neste jogo, elas estão mais divertidas. Charles Dickens irá pedir para caçar fantasmas com ele, Florence Nightingale irá pedir para salvar os doentes, Graham Bell irá fazer seus dispositivos e Karl Marx irá discutir sobre filosofia (enquanto você salva a pele dele).

Assassin’s Creed Syndicate traz toda a qualidade que esperávamos em Unity. Londres é divertida, interessante e cheia de coisas para fazer. Com várias mudanças, o jogo ficou ainda mais interessante. Jacob e Evie são protagonistas fortes e cativantes. Este jogo conseguiu chamar minha atenção para a franquia novamente. Recomendo demais!

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.