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batman-rebirth-1Após o lançamento de DC Universe: Rebirth, HQ oneshot que mais uma vez envolveu mudanças na realidade e revelou segredos do universo dos Novos 52, a DC Comics mais uma vez parece estar disposta a tentar consertar a confusão que ela mesma criou. Mas com esse “não-reboot” não são apenas os heróis e suas histórias que vão sofrer mudanças, mas o próprio “espírito” do universo da editora, que passará a ter um viés mais luminoso e esperançoso, em contraste com os elementos sombrios que foram tendência da cultura pop por muitos anos.

No entanto, como aconteceu quando houve o lançamento dos Novos 52, não parece que grandes mudanças acontecerão para o Batman. Segundo o que é apresentado na, também oneshot, Batman: Rebirth #1, o Cavaleiros das Trevas vai ser o Batman de sempre. Mas, como as outras Hqs a levarem “Rebirth” em seus títulos, a edição do homem morcego apresenta um pouco do caminho que as histórias dele tomarão nesta nova etapa da DC. As ideias são interessantes, mas não é nada muito surpreendente.

Um dos pontos mais interessantes da revista, é o tratamento que se está sendo dado à Bruce no quesito ação. O Batman é retratado com uma coragem e altruísmo quase suicida. A revista é curta, mas pelo menos duas vezes ele se lança numa situação de morte quase certa e, obviamente, sobrevive. Provavelmente isto remete a busca pelo retorno do “heroico” como ele era no passado. E nesse sentido a revista até consegue lidar bem com este aspecto. Afinal, além de se lançar ao perigo para proteger a sua cidade, o Batman é retratado – um pouco forçadamente, talvez – como alguém no ápice da condição humana, resistindo à elementos da natureza como pressão e frio intenso sem equipamento apropriado e muito além do que uma pessoa normal conseguiria. Mas quem liga pra isso ser exagero ou não? Ele é o maldito Batman.

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A revista também situar como estará o personagem em questão de “sidekicks” e vilões. Duke Thomas, que foi introduzido na Ano Zero, de Scott Snyder, está de volta. Ao que parece, ele será o principal aliado do homem morcego, mas como o Batman deixa bem claro, não vai ser um Robin, mas algo novo. O fato do personagem ser negro mostra talvez uma preocupação com a famosa representatividade. O “algo novo” que Duke será, no entanto, não é explicado, mas a impressão que fica é que é tão próximo de um Robin que não fará muita diferença.

O vilão acaba tendo uma introdução mais interessante. O Homem Calendário retorna para atormentar o Batman, mas desta vez ele ganha habilidades novas e até interessantes. Agora o vilão se regenera a cada estação, trocando de pele quase como um lagarto. Mas a mudança não é apenas estética, toda a psique do personagem se altera, ainda que mantenha suas lembranças. Além disto, aparentemente a cada versão ele retorna melhor e superando a anterior. Ainda não dá pra saber se isto vai ser bem utilizado, mas traz uma ideia interessante, comentada pelo próprio Bruce Wayne: o Batman terá de se sobressair a cada nova versão deste inimigo. Talvez isso leve a uma trama onde cujo tema mostre que, como o tempo, o Homem Calendário é algo imbatível á longo prazo.

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Apesar de anunciar algumas novidades, a história não é nada empolgante. Os elementos começam a ser fundamentados e ela consegue estabelecer alguns temas que serão usados nos primeiros arcos do Batman e nas histórias escritas por Tom King, o novo roteirista do título principal do Homem Morcego. A arte de Mikel Janin é boa, e logo no início da revista ele compôs uma página dupla muito bem feita que resume uma luta entre o Batman e o Homem Calendário. No entanto, não parece ter nada de muito original no estilo usado pelo artista, que parece bastante padrão. O modo como ele utiliza alguns quadros é interessante, contudo, focando ocasionalmente em alguns detalhes que não são de extrema importância, mas colaboram para a narrativa.

Batman: Rebirth é no máximo mediana. O que, fosse uma edição, poderia ser o suficiente para não decepcionar. No entanto, sendo a primeira edição do Homem Morcego após este não-reboot, ela acaba decepcionando muito. Depois de todas as novidades apresentadas, mas não explicadas, no Rebirth, o leitor esperaria encontrar mais do que foi deixado em aberto. No entanto, nada disso é apresentado, e o que deveria ser um grande recomeço para Bruce Wayne é apenas uma história parada e que não traz nada do que os leitores curiosos com todas as meia-revelações bombásticas estão esperando. Bruce Wayne é novamente o maldito Batman de sempre, mas onde estão os malditos três coringas e os dois malditos estranhos vigilantes que apareceram em Rebirth?

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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