
O Batman se estabeleceu em Gotham após a morte do prefeito Cobblepot pelas mãos de seu mordomo… digo, guarda-costas. Agora, o herói está trabalhando junto com o Detetive Gordon e a cidade tem uma chance de ser um lugar melhor. Infelizmente, Gotham nunca melhora. A cidade agora está de cabeça para baixo graças a Harvey e Jessica Dent, o Charada e o Crocodilo. É hora de Bruce Wayne decidir se irá ser mais do que apenas o Batman.
Assim como o primeiro volume da série, este volume pega vários nomes conhecidos e as motivações de cada personagem que foram desenvolvidas por mais de 75 anos. Porém, tudo é feito de uma maneira nova, visto que temos uma abordagem diferente do Duas Caras e do Crocodilo. Uma coisa que não se pode negar é que para fazer um verdadeiro conto do Batman, é possível criar um milhão de versões distintas, mas nunca pode se esquecer daquilo que faz o Batman ser o Batman. Entretanto, essa ousadia em criar novas versões não se aplica a todos os personagens deste material.
Ao mesmo tempo, vale dizer que não é por falta de tentativa da equipe criativa. Geoff Johns consegue imbuir as páginas com personalidade e boas motivações, em algus casos, de forma mais efetiva do que vimos em algumas sagas mais famosas do Morcego. E ele fez isso em um pequeno número de páginas, o talento dele é notável.
Alfred continua sendo um personagem forte, mas fica em segundo plano graças ao relacionamento entre Bruce e Gordon. Mas eu diria que a verdadeira estrela deste volume é Waylon Jones, o Crocodilo. A HQ traz uma ótima abordagem do personagem, as cenas entre ele e o Batman são as mais tocantes e críveis do encadernado.
O trabalho de Gary Frank também arranca aplausos. A sua habilidade de colocar realismo nas imagens é interessantíssima. O Crocodilo se torna ainda mais crível graças à arte empregada por Frank. A máscara de Bruce é outra obra de arte. Frank também impressiona nas cenas de ação, ele faz com que você sinta o peso dos personagens e admire cada movimento.
Frank consegue te dar a ideia de movimento das ações a cada página, dando ritmo para a leitura, ele não esquece de dar detalhes para as expressões faciais. Esse cuidado, zelo em cada detalhe é importante para uma graphic novel, algo que só melhora a experiência de imersão.
O único ponto fraco no design de personagem ou construção é o antagonista central, o Charada. Sua motivação parece ser rasa em comparação aos demais personagens de Gotham, algo que é bem estranho neste volume. Gotham é uma cidade que transpira motivação. Entretanto, não é algo que estrague a experiência geral e que nem diminua o brilho deste volume.
Batman: Terra Um Vol. 2 é uma grande adição para o Universo “Terra Um” e consegue estabelecer um Batman jovem e inexperiente de uma forma que não vimos em outras histórias. No fim, este volume é altamente recomendado para os fãs do Morcego. Este pode não ser o Batman que você admira, mas é um ótimo começo para quem quer ver um Batman começando do zero.