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Em uma chuva de expectativas e incertezas, Batman v Superman: A Origem da Justiça finalmente chega aos cinemas. E quem estava preocupado com a escolha de atores do Batman e da Mulher-Maravilha, com o design do Apocalypse e com a quantidade de conteúdo a ser inserido em apenas duas horas e meia de filme, pode ficar sossegado: o filme entrega tudo isso com maestria, e ainda mais.

O que nunca foi motivo de dúvidas, entretanto, é a capacidade do diretor Zack Snyder em criar visuais fantásticos e lutas bem coreografadas. Quem é fã de quadrinhos vai adorar caçar a miscelânea de referências do filme, recriadas quadro a quadro como nos clássicos da DC Comics, que não se limitam somente ao Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, nem somente ao mundo das HQs. Assim como em O Homem de Aço, Batman v Superman: A Origem da Justiça é sombrio, mas ao contrário da trilogia do Batman de Christopher Nolan, não se prende tanto a um universo realista, o que deixa as cenas de ação mais empolgantes – e também mais violentas.

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Ben Affleck se encaixou muito bem no papel de Batman, retratando uma versão do Homem Morcego nunca antes vista no cinema: um Batman mais velho, mais duro, mais amargurado e, acima de tudo, mais violento. Em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, não há linhas tênues entre o legal e o ilegal, o que faz de Batman um completo criminoso. As cenas de ação intensas deixam claro que Batman não é um herói, mas uma figura a ser temida, o que ainda não é suficiente para contestar a fidelidade de Alfred Pennyworth, o fiel mordomo da família Wayne, interpretado por Jeremy Irons. Irons e Affleck possuem uma ótima química, que rende tiradas ácidas por parte de Alfred, além de uma participação ativa nos confrontos do Cavaleiro das Trevas.

Apesar de Ben Affleck brilhar como Batman, felizmente esse brilho não ofusca o Superman de Henry Cavill. Aqui, vemos um Homem de Aço que, pouco a pouco, duvida de suas ações mas, ao mesmo tempo, não deixa de acreditar na humanidade. O paralelo entre figura messiânica e falso deus é feito durante todo o filme, mas não é o único motivo que leva à luta entre Batman e Superman, um dos confrontos mais aguardado pelos fãs nas telonas. O choque entre o “dia” e a “noite” é um espetáculo à parte: cru, descomedido e muito bem delineado para gerar uma aflição no expectador, que percebe que a escolha de um vencedor é totalmente desnecessária.

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Para completar a trindade da DC Comics, entra Gal Gadot como Mulher-Maravilha, integrante essencial na batalha contra Apocalypse, que apresenta efeitos visuais fantásticos. Gadot é inserida na trama com graciosidade e mescla bem a sensualidade e o espírito guerreiro da amazona, contrariando todos os fãs mais “desconfiados”. Seu contato com Superman é limitado, mas as interações provocantes com Bruce Wayne vão gerar saudosismo por parte de fãs das animações Liga da Justiça e Liga da Justiça: Sem Limites. Outra personagem feminina que tem seus momentos é Lois Lane, interpretada por Amy Adams, através da qual o expectador vai entendendo o desenrolar da trama, mas que infelizmente é tratada como a típica “donzela em perigo” no arco final.

E para fechar o elenco estrelado, Lex Luthor, vivido por Jesse Eisenberg, surge como antagonista. Sua personalidade fria, calculista e sociopata está presente e fortemente ligada à trama geral. Contudo, o visual “informal” e os trejeitos de piadista de Luthor chegam a ser irritantes e podem gerar discordância por parte dos fãs. Leigos, com certeza, farão uma comparação entre a loucura do Coringa dos filmes do Nolan e a excentricidade de Luthor.

Por fim, as aparições dos demais integrantes da Liga é bastante pontual e não interfere em nada a trama do filme, mas ao mesmo tempo serve de ponto-chave para a formação da Liga da Justiça como a conhecemos nos Novos 52. Enquanto Batman v Superman: A Origem da Justiça pode ser visto como um filme único e, definitivamente, tem um desfecho aceitável – e totalmente inesperado –, o gostinho de “quero mais” permanece, e se as pistas deixadas ao longo do filme sugerem o que vem por aí, o Apocalypse parecerá brincadeira de criança. Para nós, resta apenas aguardar – e dessa vez, sem tantas dúvidas.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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