
Nos anúncios, um que chamou bastante atenção principalmente do público em nosso país foi Bizarro, uma minissérie em 6 edições escrita por Heath Corson com a arte cartunesca do brasileiro Gustavo Duarte, autor de quadrinhos como Có!, Birds, Monstros! e a Graphic MSP Chico Bento: Pavor Espaciar. Agora, a HQ finalmente chega ao Brasil pela editora Panini, em um encadernado de 148 páginas, com capa cartão, custando R$ 21,90.
Ao pegar o quadrinho em mãos, já fica perceptível o objetivo da DC. A HQ é completamente descompromissada e focada na diversão, algo que ganha ainda mais forças devido ao traço estilizado de Gustavo Duarte, que traz a sensação de estarmos assistindo a um bom desenho animado. Não é preciso qualquer conhecimento profundo do Universo DC para aproveitar a aventura, seja o passado ou o dos Novos 52. Basta saber o básico, de que Bizarro é uma versão ao contrário do Superman, e que Jimmy Olsen é o jovem fotógrafo do Planeta Diário. Aliás, não é preciso saber nem isso, afinal o próprio gibi explica quem é Bizarro, com uma introdução engraçadíssima de sua “origem secreta”. O interessante é que apesar de ser uma HQ extremamente didática com zero de peso cronológico servindo para divertir qualquer potencial novo leitor, Bizarro traz ainda uma série de referências e homenagens ao Universo DC para deleite dos leitores mais antigos ou já iniciados nesse universo.
A história é extremamente simples – como deveria ser – porém completamente eficiente. Em suas tentativas de ser um super-herói como Superman, Bizarro acaba atrapalhando mais do que ajudando, e assim fazendo com que o povo de Metrópolis o queira longe da cidade. Assim, incentivado por uma ideia de Clark Kent para escrever um livro contando suas aventuras e ganhar muito dinheiro, o jovem Jimmy Olsen decide convencer Bizarro a deixar Metrópolis, com a promessa de levá-lo para os “Estados Unidos Bizarro” (que nada mais é do que o Canadá). Assim, os dois saem em viagem, no melhor estilo road trip de filmes como Caindo na Estrada, Um Parto de Viagem e Antes Só do que Mal Acompanhado.
A jornada dos dois personagens, bem como o crescimento de sua interação e consequente amizade, é muito bem escrita e gera curiosidade no leitor. Durante sua viagem, Bizarro e Jimmy dão de cara com um chupacabra (com o nome de Colin!), vendedores de carros com poderes egípcios (!) e até uma cidade fantasma (com direito a participação especial do próprio Jonah Hex). Outros cenários e participações envolvem uma passada em Gotham City (com Batman aparecendo pontualmente), uma rápida parada em Central City (com uma hilária cena envolvendo o Flash), além de Zatanna, Desafiador, e é claro… o próprio Superman, desenhado magistralmente em um quadro pelo lendário Tim Sale. Sim, porque o gibi é ainda recheado de participações especiais de aclamados desenhistas do Universo DC como Bill Sienkiewicz, Kelley Jones e Darwyn Cooke, além dos também brasileiros Rafael Albuquerque e os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon.
Para quem procura um quadrinho despretensioso, extremamente divertido e que traz uma aventura fechadinha sem qualquer peso cronológico, esse é o gibi certo. Bizarro consegue entreter, fazer rir e até mesmo emocionar, trazendo carisma a um personagem que comumente é tratado como um vilão. Ao terminar a leitura, é impossível não estar completamente preso a esses personagens, já torcendo por uma continuação, e por que não.. imaginando o quão divertida seria uma animação adaptando essa história.