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Lançado originalmente em 2012 para 3DS, Bravely Default chegou num momento em que os JRPGs começavam a abandonar o combate por turnos em favor de sistemas mais ágeis e cinematográficos. Indo na contramão dessa tendência, o título da Square Enix abraçou suas raízes — e foi justamente isso que o transformou em um clássico instantâneo.
Agora, mais de uma década depois, o jogo ganha um remaster para o Switch 2, chamado de Bravely Default Flying Fairy HD Remaster. E embora não reescreva sua história, ele oferece aprimoramentos visuais, melhorias de qualidade de vida e até minigames inéditos que enriquecem a experiência sem mexer no que já era excelente.
Uma história que esconde maturidade sob uma estética encantadora

Ambientado em Luxendarc, o jogo segue quatro heróis em uma missão para restaurar os cristais elementais que mantêm o equilíbrio do mundo. À primeira vista, tudo lembra um conto de fadas inspirado por Final Fantasy, mas basta algumas horas para perceber que Bravely Default vai muito além disso.
Temas como manipulação de informação, fanatismo religioso e controle de recursos por elites governamentais permeiam a trama. O primeiro ato é especialmente envolvente, com uma narrativa forte e personagens cativantes. Já o segundo ato tropeça ao repetir fórmulas e desafios, mas o jogo se recupera no terceiro ato com ideias criativas que só a série Bravely consegue entregar.
O combate segue sendo o coração do jogo
O sistema Brave & Default é o diferencial da franquia. Além de atacar ou defender, os personagens podem acumular ou gastar pontos de ação (BP) para realizar múltiplas ações em um único turno. Isso abre espaço para estratégias criativas e decisões arriscadas, já que gastar BP em excesso pode deixar seu personagem vulnerável por vários turnos.
E os inimigos também usam esse sistema, o que obriga o jogador a ler padrões e calcular cada passo com cuidado. A combinação com o sistema de Jobs (classes), que permite configurar habilidades ativas e passivas de forma extremamente flexível, transforma cada batalha em um quebra-cabeça estratégico.
A personalização de builds e o progresso constante das classes dão um sabor viciante à jornada, especialmente com a possibilidade de misturar habilidades de Jobs primários e secundários. É o tipo de RPG que recompensa experimentação, criatividade e domínio das mecânicas.
Mais acessível sem perder profundidade

Mesmo com toda a complexidade, Bravely Default pensa no jogador. É possível acelerar batalhas em até 4x, ajustar a frequência de encontros aleatórios e usar auto-battle com configurações personalizadas para farmar XP e JP. Para quem não curte grind, são opções valiosas que respeitam o tempo do jogador moderno.
Fora das batalhas, há cidades e calabouços a explorar, além da reconstrução da Vila Norende — um minigame onde você ajuda Tiz a recuperar sua cidade natal, desbloqueando itens e equipamentos ao longo da campanha.
Os calabouços, no entanto, são o ponto mais fraco da aventura. Com design simples e pouca variedade, acabam sendo facilmente esquecíveis em comparação ao resto do jogo.
Conteúdos extras exclusivos do Switch 2

O remaster traz dois minigames inéditos que usam os novos recursos dos Joy-Con 2:
- Luxencheer Rhythm Catch: um jogo de ritmo com músicas da trilha original, onde você escolhe personagens e trajes desbloqueados para dançar conforme o ritmo.
- Ringabel’s Panic Cruise: um minigame de ação que simula o comando da airship do grupo com controles por movimento e seções de combate.
Ambos são divertidos e adicionam charme ao pacote, aproveitando bem os recursos do console.
Visual e trilha sonora sublimes
O visual recebeu um tratamento cuidadoso. A arte original, pensada para o 3DS, foi convertida com maestria para o HD, mantendo a identidade do jogo e aprimorando cada cenário, personagem e inimigo. Rodando a 60fps constantes, tanto no dock quanto no modo portátil, é um verdadeiro deleite visual.
E a trilha sonora? Um espetáculo à parte. As músicas compostas por Revo misturam orquestra, rock e melodias épicas que ficam na cabeça por dias. É o tipo de OST que te acompanha muito além do fim da jornada.
Vale a pena?
Se você nunca jogou Bravely Default, esta é a melhor forma de começar. E se já jogou, o remaster no Switch 2 é o convite perfeito para redescobrir Luxendarc com ainda mais estilo. É um JRPG clássico que continua relevante, respeita suas origens e mostra como o gênero ainda tem muito a oferecer.
Esperamos que Bravely Second: End Layer receba o mesmo carinho em breve.
- Desenvolvedora: Square Enix
- Publisher: Square Enix
- Plataformas: Nintendo Switch 2
- Review feito no: Nintendo Switch 2
- Novos minigames
- Visuais excelentes
- Um dos melhores sistemas de combates em turno da Square Enix






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