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Finalmente está entre nós “Call of Duty: Modern Warfare“, game produzido pela Infinity Ward e distribuído pela Activision, que funciona como uma espécie de “soft-reboot” da sub-série “Modern Warfare”, sendo o 16º jogo da franquia Call of Duty.

E o que podemos perceber logo de cara é que o novo game, apesar de se manter fiel à sua fórmula, inova com um combate cadenciado, muito mais estratégico e portanto, muito mais realista.

Esse ritmo é necessário para que o jogo possa equilibrar gameplay e narrativa, afinal temos uma campanha single-player que demonstra em diversos aspectos um enorme cuidado dos desenvolvedores.

Esse cuidado vai dos personagens, muito bem desenvolvidos, cada um com suas características e personalidades, até a própria trama, que coloca o jogador em um cenário de guerra realista que exigirá não apenas habilidade, mas que também irá testar o seu psicológico.

Decisões morais estão presentes no game o tempo inteiro, e muito do peso disso está no fato de que dessa vez você realmente sente o peso das vidas em suas mãos. Não apenas reféns podem morrer se você fizer um movimento errado, como inocentes pelo cenário (na maioria das vezes mulheres e crianças) podem acabar baleados – e aqui, de uma forma crua e dura, na maioria das vezes não há nada que você possa fazer para impedir.

Esse aspecto serve para tornar a experiência de colocar o jogador em situações de combate moderno ainda mais imersiva, o que inclui até mesmo uma dificuldade, em alguns momentos de tiroteio mais frenético, em saber quem é inimigo e quem é aliado. Aqueles acostumados à velha estratégia de correr e atirar em tudo que se mexe podem se surpreender.

Principalmente porque há um esforço do jogo em brincar com as possibilidades de gameplay, mesmo em um shooter em primeira pessoa. Devido ao fato da campanha ter personagens muito bem delineados e um enorme foco na narrativa, nem sempre os capítulos vão se resumir a um soldado com um fuzil eliminando inimigos. Sem muitos spoilers aqui, mas existem diferentes mecânicas em capítulos específicos, como ajudar uma refém a fugir controlando câmera de segurança, escapar de uma prisão e até mesmo controlar uma criança em uma interessante e claustrofóbica boss-fight dentro de uma casa.

Sério, não pense que a perspectiva em primeira pessoa limitou a criatividade desses caras.

Esse dinamismo oferece uma campanha muito interessante, que apesar de ser curta, contando com cerca de 6 a 7 horas, é muito bem construída.

Porém, deixa a sensação de uma conclusão muito apressada, já que apesar de tudo ser muito bem construído ao longo da campanha,  todos os plots acabam sendo resolvidos de uma só vez e de forma abrupta – e até mesmo um pouco anti-climática – no capítulo final. Isso faz com que mesmo alguns momentos mais dramáticos acabem ficando sem peso.

Na campanha você joga com três personagens principais:

Alex, um agente da CIA responsável por missões secretas de alta ameaça, incorporado à força de libertação do Urzquistão, que acaba se afeiçoando à causa.

Kyle Garrick, um sargento do SAS de coração bom, que deixa suas emoções falarem mais alto e logo se vê pessoalmente envolvido na busca por um perigoso terrorista.

E Farah Karim, a líder da frente de libertação do Urzquistão, mas que diferente dos outros dois, é jogável apenas em momentos pontuais do game, especialmente em flashbacks.

A inteligência artificial do game é boa, mas tem diferentes aspectos em relação a aliados ou inimigos. Aliados são realmente muito úteis, e ajudam de verdade nos conflitos.  Eles não apenas fingem que estão atirando, como vemos em outros games, e em vários momentos acabam realmente abatendo alguns inimigos para você – porém, se você não souber lhes dar a devida cobertura, pode ter algumas mortes de bravos soldados na consciência. E olha, eu ficava realmente com pena quando perdia alguns deles – até porque cada um deles tem um nome, visível quando você mira neles.

Já os inimigos, não são tão inteligentes assim, mas cumprem o seu papel. Como a maioria dos cenários são lineares e “escriptados”, não é difícil “bugar” a programação de alguns deles. Isso é fácil de acontecer principalmente em uma missão que envolve uma mansão onde você precisa chegar até o terceiro andar. Quem disse que você precisa matar todos os soldados na ordem que forem aparecendo? Talvez esse seja o momento mais “correr e atirar desesperadamente” do jogo. Mas é algo que fica a seu critério, claro.

Essa já citada preocupação com a campanha e a busca pelo realismo é algo que também reverbera nas batalhas coop e multiplayer. O modo Special Ops, por exemplo, é uma espécie de continuação da campanha principal do game, onde um novo inimigo surge encabeçando a principal organização terrorista da trama.

Em times de até quatro pessoas, é preciso remover ou destruir algo essencial do inimigo, e o longo caminho até esse propósito pode ser bem árduo. Um companheiro pode reanimar outro caído, mas se os quatro caírem ao mesmo tempo, toda a missão precisará ser reiniciada.

Além disso, existem diversos outros modos, seja confrontos entre equipes das mais variadas formas ou o clássico mata-mata. Apreciadores dos modos online de Call of Duty não devem se decepcionar com as opções que existem aqui.

É muito devido a essa interação entre single e multiplayer que o jogo não conta com o famoso Zombie Mode, presente em quase todos os jogos da franquia a ponto de já quase ter se tornado uma marca registrada de seu multiplayer. O motivo dessa ausência é bem claro: não desconectar o jogador daquele universo que ele acabou de experimentar na campanha.

Call of Duty: Modern Warfare deve agradar tanto os novos jogadores quanto os veteranos. É bom ver a franquia sem medo de fugir do lugar comum e ousando mais, ao mesmo tempo em que investe naquilo que os seus fãs gostam.

Positivo
  • ► Campanha muito interessante
  • ► Criatividade nas mecânicas
  • ► Personagens carismáticos
Negativo
  • ► Campanha poderia ser maior
  • ► Conclusão apressada demais
Nota 8010
Review | Call of Duty: Modern Warfare



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