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Recentemente, tive a oportunidade de assistir aos 4 primeiros episódios de Cavaleiro da Lua e, diferente de todas as séries lançadas até agora na plataforma Disney+, esta é a única que não faz referência e nem se baseia em nada para começar sua aventura. E adianto, esta é a série com melhor início na Marvel Studios.

Basicamente, nenhum evento que virou praticamente bordão no Universo Cinematográfico da Marvel foi citado aqui, nada sobre o blip, nada sobre Thanos, nada sobre Vingadores ou qualquer referência a um martelo mágico… Não, Cavaleiro da Lua parece até algo totalmente independente, embora, saibamos que possivelmente teremos alguma referência ou participação especial nos últimos episódios.

Para quem assistiu o trailer, o sentimento de desorientação é o mesmo que segue os primeiros capítulos. Como estamos falando de um personagem que tem múltiplas identidades e não possui certeza de que está vivendo algo real ou não, a série faz tudo para que o telespectador tenha o mesmo sentimento e isso gera momentos divertidos e até angustiantes.

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O personagem título é muito bem apresentado e traz bastante diferenças em relação à sua versão nos quadrinhos, embora, sim, haja base em histórias para os poderes e mudanças que ele apresenta. Steven Grant/Marc Spector é muito bem defendido por Oscar Isaac, que consegue interpretar muito bem cada uma das suas personas, mostrando mudanças não apenas na voz ou no sotaque, mas no modo de andar, de se portar, algo que faz diferença para a imersão.

Do outro lado, temos Arhur Harrow, o grande antagonista, que é vivido por Ethan Hawke. Com duas estrelas desta magnitude nos papéis principais, você já sabe que pode esperar boas cenas e os diálogos também são bem trabalhados. Claro que existem várias e várias inspirações para que o projeto ganhe forma e a série deixa isso bem claro.

Para quem estava preocupado, a série tem um belo orçamento e isso é comprovado pela grande quantidade de cenas com efeitos especiais, que são praticamente constantes, afinal, a presença de Khonshu, o deus da lua, é essencial para que a história seja contada. Alguns fãs do personagem nos quadrinhos poderão reclamar de certas adaptações, porém, como leitor das fases mais recentes do herói, confesso que nada aqui me pareceu chato ou problemático. Pelo contrário, entendo a necessidade de algumas mudanças, principalmente pelas comparações que poderiam surgir entre Batman e o Cavaleiro da Lua… tal como vemos nas HQs.

Sobre a promessa de ser a série mais sangrenta da Marvel, bem… isso é verdade. Há um volume considerável de sangue, embora a série tenha conseguido um jeito de manter a violência sob controle, tal como vemos em Mandalorian ou Boba Fett, por exemplo. Dito isto, as cenas de ação são bem feitas, embora algumas delas sejam terminadas de forma abrupta, dada a situação do protagonista em mudar de personalidade nos momentos mais inoportunos possíveis.

Ainda assim, Cavaleiro da Lua é a série com melhor início na Marvel Studios e mesmo vendo que a crítica internacional ficou reticente em bater o martelo sobre a nota final, dá pra dizer que talvez a ausência da fórmula Marvel usada em suas séries derivadas tenha surpreendido alguns. Afinal, este produto se afasta bastante do tom usado até agora, trazendo uma ambição mais similar à de Loki, em que temos uma história própria, separada das demais, com personagens e desafios ligados apenas ao protagonista.

No fim, Cavaleiro da Lua é um belo exemplo daquilo que esperamos de uma série da Marvel Studios – a apresentação de um personagem novo, sem depender totalmente de histórias prévias e sem ter uma aventura que poderia ser considerada como um ‘filler’ dentro do Universo Cinematográfico da Marvel. Olhando para tudo que foi lançado até agora, a série consegue ser a mais sombria, ambiciosa e interessante. Com o possível sucesso do produto, talvez este seja o caminho que a Marvel Studios tome daqui pra frente, apresentar algo com mais liberdade, com um tom diferente, enquanto casa isso com a criatividade que sempre esteve presente no Universo Cinematográfico da Marvel.

Positivo
  • Excelente introdução
  • Boas cenas de ação
  • Criatividade e liberdade que fazem a série se distanciar da necessidade de ter visto qualquer outra coisa
Nota 9
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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