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À primeira vista, Code Vein II parece a definição exata de ambição sem freio. Ele mistura vampiros de estética anime, ficção científica pós-apocalíptica, viagem no tempo e a estrutura clássica dos soulslikes, tudo isso embrulhado em um mundo semiaberto cheio de sistemas, personagens e promessas narrativas. É um jogo que quer ser grande, barulhento e memorável. Em vários momentos, ele consegue. Em outros, tropeça no próprio excesso.

Mesmo sendo uma sequência direta no nome, Code Vein II faz questão de se afastar da história do jogo original. O cenário é o mesmo universo, mas em outra região e em outro ponto da linha do tempo. Aqui, você assume o papel de um novo Revenant Hunter, envolvido em um desastre conhecido como Ressurgência, um evento que transforma pessoas em criaturas irracionais e ameaça empurrar a civilização para o colapso definitivo. A narrativa se apoia fortemente na ideia de saltos temporais, permitindo visitar versões passadas e futuras do mesmo mundo para tentar impedir que o pior aconteça.

Essa mecânica de viagem no tempo não é apenas um truque narrativo. Ela influencia diretamente missões, decisões envolvendo companheiros e até os finais possíveis. Embora a história tenha bastante lore e contextualização, ela raramente surpreende de verdade. O enredo cumpre seu papel funcional, sustenta a jornada e justifica os sistemas, mas dificilmente deixa uma marca emocional duradoura. É competente, mas previsível.

Demo do Code Vein
Reprodução/Bandai Namco

O grande diferencial estrutural de Code Vein II está no novo sistema de companheiros. Diferente de simples aliados controlados pela IA, esses parceiros podem ser ativados ou “assimilados” pelo jogador. Quando assimilados, eles concedem bônus temporários de ataque, defesa ou habilidades especiais, alterando o ritmo do combate de forma imediata. Essa escolha cria um jogo constante de risco e recompensa: manter o parceiro em campo para dividir a atenção dos inimigos ou absorvê-lo para ganhar poder bruto em momentos críticos.

Esse sistema funciona muito bem na teoria e, na prática, adiciona uma camada estratégica interessante. Ele também permite ajustar a dificuldade de forma indireta, algo que jogadores menos experientes certamente vão apreciar. O problema é que essa ênfase nos parceiros veio acompanhada de uma decisão controversa: a remoção completa do modo cooperativo online. Para quem se aproximou do primeiro Code Vein justamente pela possibilidade de jogar com amigos, essa ausência pesa e faz falta.

O combate, por sua vez, é mais rápido e agressivo do que no jogo original. Combos fluem com facilidade, habilidades especiais são usadas com frequência e a presença constante dos parceiros muda completamente o ritmo das batalhas. Isso torna Code Vein II menos cadenciado e menos tático no sentido tradicional dos soulslikes. Em troca, ele oferece um estilo mais caótico e explosivo.

Visão geral de Code Vein
Reprodução/Bandai Namco

Nem tudo funciona como deveria. O combate sofre com inconsistências claras: hitboxes irregulares, inimigos que ajustam ataques de forma artificial durante esquivas e chefes com alcances exagerados que punem o jogador mesmo após uma defesa bem executada. Em alguns momentos, a dificuldade parece menos fruto de design cuidadoso e mais de desequilíbrio técnico. Soma-se a isso uma câmera instável, que frequentemente prejudica a leitura da ação, especialmente durante habilidades mais elaboradas.

Em termos de progressão, Code Vein II continua sendo um prato cheio para quem gosta de personalização. O sistema de Blood Codes retorna, permitindo alternar builds livremente sem a necessidade de recomeçar o personagem. Cada código favorece atributos específicos e traz bônus e penalidades próprias, incentivando experimentação constante. É um dos sistemas mais inteligentes do jogo, pois evita a rigidez comum a outros títulos do gênero.

Armas e equipamentos, aqui chamados de Formae, oferecem boa variedade, desde lâminas tradicionais até opções mais exóticas, como rifles de baioneta e armas conjuradas. Não há armaduras convencionais, já que a defesa depende da combinação entre nível, Blood Code e escudos específicos. O foco visual está totalmente voltado para a personalização estética, que é absurdamente extensa. É possível modificar o personagem com capas, acessórios, orelhas de animais, óculos e uma infinidade de itens cosméticos, sem impacto direto nos atributos.

Code Vein da Bandai Namco
Reprodução/Bandai Namco

A exploração é ampla, mas irregular. Os mapas são maiores do que no primeiro jogo e até contam com um veículo para locomoção, embora seu funcionamento seja inconsistente. Os cenários cumprem seu papel funcional, mas raramente impressionam. Ambientes industriais abandonados, ruínas urbanas e construções góticas se sucedem sem grande identidade visual. Falta aquele senso de descoberta marcante que define os melhores jogos do gênero.

Visualmente, Code Vein II adota uma direção artística mais clara, com predominância de tons brancos e dourados, abandonando parte da atmosfera sombria do original. A mudança torna o jogo mais reconhecível à primeira vista, mas também o aproxima perigosamente de um visual genérico comum a muitos títulos em Unreal Engine 5. Tecnicamente, o desempenho é sólido, com boa qualidade de imagem e estabilidade, ao menos nas plataformas mais robustas.

No fim das contas, Code Vein II é um jogo de contrastes. Ele melhora sistemas, amplia escopo e tenta se diferenciar dentro de um gênero saturado, mas nem sempre consegue alinhar ambição com refinamento. É um título que oferece diversão, especialmente para quem gosta de experimentar builds e explorar mecânicas profundas, mas que também deixa a sensação constante de oportunidades perdidas.

O review foi feito com um código enviado pela assessoria da Bandai Namco para a produção de conteúdo.

Code Vein 2
  • Desenvolvedora: Bandai Namco Studios
  • Publisher: Bandai Namco
  • Plataformas: PS5, Xbox, PC
  • Review feito no: PlayStation 5
  • Também testado no: PS Portal
Positivo
  • Combate bacana
  • Sistema de Viagem no Tempo
  • Exploração melhorada
Negativo
  • Excesso de sistemas
  • Câmera maluca
  • Hitboxes em todo lugar
Nota 7
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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