Comentários

Review: Crysis 2


Desde a sua primeira versão lançada em 2007, Crysis tem sido um padrão de jogo com bons gráficos. A qualidade das texturas e a modelagem foram um choque para época, e elevaram o game a um ícone quando o assunto são gráficos. Desde então sua sequência é muito aguardada pelos gamers tiveram a chance de jogar a pesada primeira versão.

Assim que Crysis 2 foi anunciado, em junho de 2009, muito se falou sobre o possível salto na qualidade gráfica, que levaria o jogo a um nível jamais visto. Outro assunto polêmico foi o anuncio de versões para Xbox 360 e Playstation 3. O primeiro argumento dos jogadores de PC ( que tiveram como exclusivo o primeiro game), foi de que o port para console forçaria a a Crytek, desenvolvedora do jogo, a simplificar bastante o game, com texturas e resolução menores. A Crytek rebateu prontamente afirmando que a versão para PCs seria mais robusta do que a dos consoles, e que o game teria visuais impressionantes.

Conforme o desenvolvimento do game avançava, as polêmicas continuaram crescendo. Surgiam boatos de que a versão do PS3 seria superior a do X360, devido ao maior poder de processamento do console. A Crytek tratava de colocar panos frios em cada assunto, com afirmações de que as versões seriam equivalentes, e que estariam próximas a qualidade vista nos Pcs.

Crysis 2 é um jogo de tiro em primeira pessoa (FPS) que se passa em Nova York, em um futuro não muito distante, que sofre com a proliferação de um vírus que dizimou a raça humana, além de estar sendo atacada por uma poderosa raça alienígena. A apresentação pode ser definida como uma mistura dos FPS modernos (Call of Duty, Battlefield), com alguns traços da série Halo e até mesmo Killzone, o exclusivo da Sony. O jogador controla Alcatraz, que a princípio é tratado como Prophet, herói do primeiro game, que usa a mesma poderosa NanoSuit, uma poderosa armadura orgânica, que é capaz de absorver os NanoPoints. Os pontos são usados para fazer upgrades na armadura, adicionando ou melhorando as suas funções.

Os modos de jogo não trazem novidade para o gênero, contando apenas com uma campanha single player e um modo multiplayer (sem suporte para tela dividida, somente online). O jogador também pode acumular alguns extras durante a campanha, como trilha sonora, souvenirs de Nova York e vídeos apresentados nas sequencias single player, além de algumas tranqueiras como e-mails trocados pelos protagonistas.

A grande identidade do game fica por conta da NanoSuit, que permite Alcatraz correr e pular com mais velocidade, ter uma (quase absurda) resistência a ferimentos e tornar-se invisível. Todos os poderes cedidos pela armadura são acionados pelo próprio jogador, e consomem uma barra de energia. Quando a barra se esgota, é hora de se esconder. Todas as funções são desativadas automaticamente, e o herói fica totalmente vulnerável a ataques inimigos.

Os comandos seguem o padrão dos FPS contemporâneos, sem grandes surpresas, o que deve agradar aos novatos. Com pouco tempo o jogador terá se acostumado com as mecânicas de jogo, mas não se impressione se esquecer da existência da barra de energia e tornar-se visível quando acreditava estar passando despercebido por um grupo de inimigos.

A inteligência artificial segue o modelo da grande maioria dos FPS, e não apresenta nada de surpreendente. O jogo oferece pouquíssima variedade de inimigos, que se repetem infinitamente na tela do jogador.

Alcatraz avança por pontos famosos de Nova York, como Wall Street, Times Square e até o famoso Central Park. Os mapas são lineares, e raramente apresentam alguma rota alternativa.

A versão para PCs roda a uma boa taxa de quadros por segundo, mas requer uma maquina bastante robusta. As versões para consoles apresentam algumas inconsistências, em especial a do Playstation 3, que sofre com quedas constantes de framerate. O Xbox 360 não se salva dos problemas, que apesar de acontecerem com menor frequência, são bastante bruscos, devido a quantidade absurda de efeitos.

Crysis 2 manteve a fama de seu antecessor e apresenta gráficos impecáveis em todas as versões. As ruas de Nova York foram retratadas com precisão, e apresentam um grande leque de efeitos simultâneos. As texturas utilizadas não deixam nada a desejar, e retratam os objetos com grande exatidão, tal como asfalto, ferro e vegetação. Os gráficos de água e fogo chegaram a níveis surpreendentes, e adicionam ainda mais imersão no game. Crysis 2, depois de poucos dias de seu lançamento, já vem sendo considerado um dos mais belos jogos da história.

Mas é claro que nada é perfeito. A quantidade de efeitos simultâneos é tamanha, que as vezes o motor gráfico parece simplesmente não aguentar a mistura de elementos, e é ai que aparecem as acentuadas quedas de framerate, que chegam a atrapalhar em alguns casos. Em raras ocasiões objetos e texturas se materializam bem em frente ao personagem, os famosos pop-in. Um grande problema ficou restrito aos jogadores de PC. O jogo não trás compatibilidade com DirectX11, o que limita significantemente a performance visual da versão, que poderia ser ainda melhor. Tal fato revoltou jogadores pelo mundo todo, que acusaram a Crytek de lançar uma versão incompleta do jogo, já que a desenvolvedora prometeu lançar em breve um patch que adiciona compatibilidade com o aplicativo.

O som não pecou, e torna ainda mais cinematográfica a experiência. Os efeitos parecem ter sido tirados de um filme, tamanha definição. As armas tem o seu ruido característico, de rifles a lançadores de mísseis, e completam bem a sensação.

Crysis 2 é um prato cheio para os fãs de FPS, até mesmo para os que não jogaram a primeira versão, já que faz uma boa ponte entre os enredos. Com belos gráficos e uma jogabilidade consistente, torna-se uma boa pedida até mesmo para os novatos no mundo dos FPS, que não vão se decepcionar. Recomendado!



Comentários