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É ótimo quando pegamos uma série que melhora a cada título, o leitor fica mais empolgado e sente que tudo valeu a pena. Este é o caso de Deadpool na Nova Marvel, que está sendo republicado na forma de encadernados pela Panini no Brasil. Devo dizer que uma das minhas maiores preocupações no primeiro volume era o elenco de suporte, eu o achava bem fraco. O fantasma de Benjamin Franklin é legal, mas em Deadpool: Caçador de Almas, Michael e a Agente Emily Preston ganham um desenvolvimento significativo, o que os torna melhores personagens para Deadpool. Nesta edição, Mike Hawthorne é o principal artista, assumindo o posto de Tony Moore, mantendo a qualidade do trabalho. No começo também há a contribuição de Scott Koblish.

Neste título, os autores brincam com a ideia de que Deadpool já existia antes dos anos 90, trazendo alguns “flashbacks” para mostrar a vida de Deadpool em seu fictício título próprio dos anos 80. E até que seria uma boa ideia dar a Gerry Duggan e Brian Poserhn um título como “As histórias não contadas de Deadpool”, pois o conceito é simplesmente genial. Vale dizer que as cores de Val Staples ajudam a dar a ideia de que o quadrinho está antigo, permitindo uma maior imersão na história. As piadas funcionam bem e temos até uma referência ao J.A.R.V.I.S. dos filmes.  

Deadpool é contratado por um demônio, Vetis, para humilhar Tony Stark e arruinar o nome do Homem de Ferro. Os autores brincam com o Homem de Ferro de “Demônio da Garrafa”, um dos mais famosos títulos do herói presente na coleção Salvat. Infelizmente, para Vetis, este Deadpool estaria sob o controle editorial de Jim Shooter, logo, a história tem uma moral no final, o que beneficia Tony Stark. E os autores também explicam o motivo de Deadpool ter “desaparecido” até os anos 90: Ele foi levado por Cable para um futuro distante. Faz total sentido.

Voltando ao presente, nós lidamos com as consequências de “Meus Queridos Presidentes”. A agente Preston morreu, mas sua alma encontrou um lugar na mente de Deadpool, o que permite que ela conversa com ele como se fosse a voz da consciência, tendo a chance até de controlar o corpo de Wade (de vez em quando). Isto abre um caminho interessante, visto que ajuda a explorar certas áreas do cérebro de Wade e a revelar segredos do seu passado, coisa que acaba se tornando parte das futuras edições do personagem. Agora Deadpool e Preston precisam correr contra o tempo, pois se ela não encontrar um novo corpo, seu espírito irá sumir. A missão acaba sendo interrompida por Vetis, o demônio que contratou Deadpool no passado, e agora quer dominar o inferno, tomando o poder de Mephisto. E isso dá início à aventura que dá nome a este título.

Deadpool se torna um caçador de almas. Seus contratos são boas piadas e temos até uma paródia óbvia do Aquaman. Entretanto, a coisa fica ainda melhor quando encontramos o “Homem-Aranha Superior”. Devo lembrar que naquela época, as pessoas ainda duvidavam do sucesso do Doutor Octopus no corpo de Peter Parker, mas não há como negar o quão divertida é sua aparição neste título. Realmente hilária.

Juntos, os dois devem lidar com “Daniel Gump” (uma paródia de Donald Trump – a republicação teve um timing perfeito, hein?), um homem de negócios que ganhou poderes para prever o futuro, o que acabou rendendo ótimos frutos para sua conta bancária. É óbvio que isso veio de um acordo entre ele e Vetis. Porém, o homem tem seus próprios mercenários, entre eles temos o Treinador. Como vocês devem saber, o Treinador é um grande amigo de Deadpool e a forma como isso é trabalhado neste título é simplesmente brilhante. O mesmo se aplica aos diálogos entre Deadpool e Lady Metaloide (uma personagem criada por Joe Kelly em uma das histórias de Deadpool com o Homem-Aranha – boa homenagem). Depois de tudo, Deadpool ainda deve lidar com uma pessoa que tem o poder de mudar de forma, o que faz Deadpool entrar em conflito com o Demolidor e fazer graça com os poderes do herói cego.

O final é excelente e Deadpool consegue dar um jeito (no estilo do filme Constantine) para chamar a atenção de Mephisto e encerrar suas obrigações contratuais com Vetis. É legal ver como Duggan e Posehn fizeram seu dever de casa para criar este título, principalmente com tantos retcons presentes na HQ. Confesso que meu interesse pelo personagem foi aumentado devido ao filme, apesar de já ter lido histórias dele antes. Mas este título consegue satisfazer os novos fãs de Deadpool e trazer aventuras bem divertidas, dignas do personagem. Vale a pena adicionar na estante. Caso tenha interesse, clique aqui e encomende o seu. 

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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