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DEMOLIDOR - FIM DOS DIAS VOL2Que Brian Michael Bendis é aclamado como um dos maiores contribuidores do Demolidor depois de Frank Miller, todo mundo sabe. Então quem melhor que ele para escrever uma história que homenageia grandes momentos da vida do Homem Sem Medo e faz referência a grandes acontecimentos do personagem? Com essa ideia em mente, a Marvel publicou em 2012 a minissérie Demolidor: Fim dos Dias que foi lançada esse ano aqui no Brasil em dois volumes, pela Panini Comics.

Contando com a arte de Klaus Janson na história principal, além do suporte de vários outros desenhistas que já trabalharam com o personagem como Bill Sienkiewicz, David Mack e Alex Maleev, Fim dos Dias é uma passeio pela trajetória do herói, e com certeza será muito melhor aproveitado por aqueles que possuem um conhecimento prévio da mitologia do personagem, pois a série é recheada de referências que tornam a leitura muito mais prazerosa para um leitor de longa data. Não que a história necessite de muito peso cronológico para ser entendida, mas um leitor novato com certeza pode ser pego de surpresa e acabar não gostando da experiência.

O fato de Klaus Janson ser o desenhista da HQ, aliás, é algo por si só sensacional. Arte-finalista na época de Frank Miller, Janson chegava a desenhar algumas histórias intercalando com Miller, já que a arte dos dois era parecidíssima. Só de ver a arte de Janson nessa história, já traz um banho de nostalgia, com seu traço sujo e característico, que remete àquela fase clássica. É impossível não lembrar dessa fase áurea do personagem.
A trama por si só, é simples. Se passando em uma linha paralela mostrando alguns anos no futuro, a HQ já começa com uma batalha brutal entre o Demolidor e seu arqui-inimigo Mercenário, onde o herói aparentemente leva a pior. Em uma última tentativa de tirar o vilão do sério, Matt diz uma misteriosa palavra direcionada para ele: “Mapone”. A palavra claramente desestabiliza o assassino e o deixa assustado, mas o efeito não é tão positivo para Murdock ou talvez não tenha tido o resultado esperado. O Mercenário fica ensandecido e atravessa a cabeça do Demolidor com seu próprio bastão. É isso mesmo. O Demolidor morre nas primeiras páginas do quadrinho.

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E esse é o acontecimento principal que desencadeia o restante da história. Após ter acesso a uma filmagem amadora que revela a existência dessa última palavra dita por Matt, o jornalista Ben Urich – grande coadjuvante e amigo do Demolidor em algumas de suas melhores fases – decide começar uma investigação em busca da verdade sobre a morte de Matt Murdock, e o que ele quis dizer com essa enigmática palavra que foi capaz de tirar do sério alguém louco e psicopata como o Mercenário.

Porém, Urich vai percebendo que os últimos dias de Matt envolvem mais mistérios do que ele imagina, e que sua própria vida pode estar em risco conforme vai descobrindo as peças desse quebra-cabeça. Durante sua investigação, vamos descobrindo também algumas informações sobre esse universo, como por exemplo o fato de que Demolidor estava sumido há alguns anos, após ter cruzado a linha que sempre respeitou e ter matado o Rei do Crime perante toda a cidade de Nova York.

Como todos sabem, Murdock sempre foi um homem de muitas mulheres – inclusive você pode conferir o nosso top 10 de namoradas do ceguinho clicando aqui – então por onde mais começar uma investigação sobre sua vida, senão por seus amores? Pelos olhos de Urich vamos reencontrando algumas das mulheres que já se relacionaram com Matt, como Mary Tyfoid, Maya Lopez, Milla Donovan e finalmente Elektra. O engraçado aqui é que Matt era praticamente um Mr Catra, e o leitor vai perceber filhos do personagem espalhados por toda a história. Sensacional!

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Em meio a tudo isso, temos ainda na trama uma fuga do Justiceiro da prisão, e alguém utilizando o uniforme do Demolidor pela cidade e caçando criminosos, porém com um modus operandi dez vezes mais cruel e violento que o original.

Ao terminar a história,  adorei a experiência de leitura, mas fiquei com a sensação de que o final foi corrido demais. Algumas pessoas tem reclamado que o significado de “Mapone” acaba sendo broxante devido à expectativa enorme que é criada durante toda a historia, mas particularmente não vi problema nisso. Na verdade, achei uma ótima sacada, me surpreendi positivamente e me agradou a resolução. O problema para mim, o que me incomodou mesmo, é que ao final da história a maioria das perguntas permanecem sem resposta. São criadas diversas situações dentro das primeiras 7 edições, e oitava não consegue fechar todas as pontas soltas.

Mas de uma forma geral, Demolidor: Fim dos Dias acaba sendo uma ótima história do personagem, e uma baita homenagem à sua trajetória. Ao final, a impressão que fica é que aquela continuidade daria ótimas histórias, tamanhas as possibilidades geradas a partir das últimas páginas.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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