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A jornada de Diablo IV tem sido uma busca incessante por redenção. Desde o lançamento do jogo base, a Blizzard Entertainment tenta equilibrar a balança entre a expectativa dos fãs e a execução de um serviço ao vivo que nem sempre acertou o passo. Agora, com a chegada de Lord of Hatred, o arco focado no Senhor do Ódio atinge seu clímax.

Esta expansão não apenas encerra pontas soltas deixadas por Vessel of Hatred, mas tenta consolidar as mecânicas de RPG de ação que foram refinadas ao longo de sucessivas atualizações gratuitas, entregando um pacote que é, ao mesmo tempo, deslumbrante e familiar até demais. O cenário da vez é Skovos, um arquipélago vulcânico que remete à “Berço da Criação”. Visualmente, a Blizzard continua em um patamar inalcançável.

A direção de arte abandona um pouco as selvas densas para abraçar uma estética inspirada na Grécia Antiga, com ruínas majestosas e uma iluminação que utiliza o ray tracing para criar atmosferas épicas. A exploração das Ilhas Skovos é mais compacta e prazerosa do que o mapa aberto original, permitindo que o jogador sinta a progressão sem o desgaste de longas cavalgadas sem propósito. O trabalho sonoro acompanha esse nível, com trilhas que evocam uma mitologia clássica distorcida pela corrupção de Mephisto.

Narrativamente, a expansão foca na perseguição ao Senhor do Ódio, Mefisto, que agora possui o corpo do profeta Akarat. O reencontro com Lorath e a saga de Neyrelle ganham contornos mais íntimos e emocionais, embora o ritmo da campanha sofra com decisões de design já datadas. O jogador frequentemente se vê travado em diálogos expositivos que travam a fluidez do combate, criando um contraste incômodo entre o desejo de “limpar hordas” e a necessidade de ouvir aquilo que já estava bem claro com as belíssimas cenas cinematográficas do jogo. Apesar de alguns momentos de conveniência roteirística que lembram clichês de blockbusters, o ato final e a batalha contra o último chefe são, sem dúvida, os melhores de toda a franquia até aqui.

O verdadeiro brilho de Lord of Hatred reside nas novas classes: o Paladino e o Bruxo (Warlock). O Paladino traz de volta a nostalgia das auras e do combate sagrado, com impactos que parecem ter peso real em cada golpe. Já o Bruxo oferece uma abordagem caótica para a classe de invocador, permitindo que o jogador utilize demônios brutais e magias de fogo infernal para dominar o campo de batalha. Ambas as classes chegam com árvores de habilidades robustas e mecânicas únicas que revitalizam o interesse por novas builds, sendo o principal motivo para adquirir a expansão.

No que diz respeito aos sistemas, o retorno do Cubo Horádrico e a introdução do Talismã adicionam camadas necessárias de customização. O Cubo permite uma manipulação de itens mais profunda, enquanto o Talismã introduz selos e berloques que evocam a complexidade de Diablo II. No entanto, esses sistemas trazem consigo um novo nível de aleatoriedade (RNG) que pode frustrar quem busca a otimização máxima.

O endgame recebe o sistema de Planos de Guerra, que funciona como uma lista de tarefas estruturada para guiar o jogador por atividades já conhecidas, como o Fosso e as Masmorras de Pesadelo. Embora facilite o acesso ao conteúdo e recompense a progressão linear, o sistema parece mais uma “reembalagem” de conteúdos antigos do que algo verdadeiramente inovador. Outra novidade é o Eco do Ódio, um desafio de sobrevivência contra hordas que, infelizmente, possui uma barreira de entrada baseada em itens extremamente raros, o que pode afastar a base de jogadores mais casual que pagou pelo conteúdo.

Para os momentos de respiro, a Blizzard adicionou a Pescaria. É uma atividade simples e opcional, mas que serve como um passatempo gratificante para colecionadores. Encontrar pontos de pesca em Santuário e buscar espécimes exóticos oferece uma mudança de ritmo bem-vinda, embora seja algo que os puristas da franquia provavelmente ignorarão solenemente. É o tipo de detalhe que mostra o esforço da equipe em transformar o jogo em um ecossistema mais completo, mesmo que nem todas as peças se encaixem perfeitamente no clima de apocalipse iminente.

Diablo IV: Lord of Hatred é um triunfo técnico e artístico que entrega exatamente o que os fãs esperam, mas falha em surpreender quem busca uma evolução da fórmula. As novas classes são espetaculares e o combate continua sendo o melhor do gênero, mas a reciclagem de atividades no endgame impede que a expansão atinja a perfeição. É indispensável para quem já ama Santuário, se você é fã de Diablo, não há hora melhor para voltar ou conhecer Diablo IV.

Diablo IV: Lord of Hatred está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. O jogo exige uma conexão constante com a internet e oferece suporte total a cross-play e progressão cruzada entre as plataformas.

Diablo IV: Lord of Hatred
  • Desenvolvedora: Blizzard
  • Publisher: Blizzard
  • Plataformas: PlayStation 5,Xbox Series, PC
  • Review feito no: PS5
  • Também testado no: PS portal
Positivo
  • Paladino e Bruxo são extremamente divertidos e trazem fantasias de poder distintas e bem executadas.
  • Um mapa mais compacto e visualmente refrescante que foge da monotonia das áreas anteriores.
  • Expande significativamente as possibilidades de crafting e otimização de equipamentos.
  • Chefe Final: Uma batalha memorável que figura entre as melhores da história da Blizzard
Negativo
  • O excesso de diálogos travados e o ritmo arrastado prejudicam a experiência de quem quer focar na ação.
  • O sistema de bônus de conjunto e o RNG podem limitar a liberdade criativa nas builds.
Nota 8
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.