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Double Dragon, lá atrás, ajudou a definir a fundação do gênero: avançar para a direita, enfrentar gangues, sentir o impacto de cada golpe: avançar para a direita, enfrentar gangues, sentir o impacto de cada golpe. Quando uma série com esse peso retorna, a expectativa natural é de reinvenção. No entanto, Double Dragon Revive parece dividido entre reverenciar o passado e temer o futuro. O resultado é um jogo que, embora funcional, raramente inspira entusiasmo.

O game está longe de ser ruim, mas também não encontra uma identidade própria. Surge na esteira de outros retornos bem-sucedidos, como o recente Ninja Gaiden Ragebound, que souberam interpretar o legado com bastante criatividade. Aqui, a sensação dominante é que faltou ambição ou polimento suficiente para transformar nostalgia em algo realmente marcante.

O combate é, como sempre, o coração. E há momentos em que ele mostra a que veio. Billy, Jimmy, Marian e Ranzo possuem estilos distintos, com animações que dão personalidade a cada sequência de golpes. As opções são boas: agarrar inimigos, executar contra-ataques de impacto, usar investidas aéreas e golpes de área. Mas, na prática, o jogo raramente exige que o jogador use esse repertório de forma criativa. A maior parte da campanha pode ser vencida com variações mínimas de combos básicos, e a repetição começa a pesar bem antes da metade do percurso.

Quando o jogo tenta aprofundar o combate, esbarra em inconsistências. O sistema de quicar inimigos em paredes para estender combos parece promissor, mas a física reage de forma imprevisível. Lançar um inimigo pode levá-lo ao teto, ao chão ou a um ponto aleatório, como se houvesse uma roleta invisível decidindo o destino do golpe. O ataque aéreo limitado a uma única descida impede sequências fluidas, e comandos de finalização falham com frequência. Jogar com precisão deveria ser gratificante; aqui, muitas vezes, é frustrante.

Há, porém, esforços nítidos para enriquecer o que está ao redor. Os inimigos variam, retornam em combinações novas, e empurram o jogador a raciocinar sobre posicionamento e prioridades. Alguns chefes introduzem pequenas dinâmicas ambientais, quebrando o ritmo de combate corpo a corpo constante. Esses momentos, quando surgem, sugerem o que Double Dragon Revive poderia ter sido com mais tempo de refinamento.

O problema é que esses lampejos são engolidos pelo restante. A curva de dificuldade cresce de maneira abrupta nos capítulos finais, sobretudo em um chefe que parece ignorar o conjunto de regras que o jogo estabelece até então. Em vez de testar o domínio do jogador, o confronto transmite a sensação de injustiça, um choque ríspido e pouco satisfatório.

Visualmente, o jogo parece meio estranho. Os modelos de personagens são competentes, mas os efeitos de energia e impacto carecem de presença. Os cenários variam entre o inspirado e o esquecível; a torre pagode com mudanças de perspectiva é um destaque, enquanto a sequência na rodovia poderia estar em qualquer jogo genérico do gênero. A trilha sonora se apoia em guitarras e ecos dos temas clássicos, embora poucas faixas permaneçam na memória depois que a fase termina.

Se existe um local onde Revive realmente encontra fôlego, é no modo cooperativo. Jogar com amigos mascara limitações, transforma caos em virtude, e dá ao combate a energia que ele sozinho não sustenta. Mesmo assim, a diversão não é infinita. Sem progressão aprofundada, variações mais ousadas ou modos adicionais que incentivem revisitas, o encanto se dissolve com rapidez.

Double Dragon Revive não mancha o legado da série, mas também não honra com plenitude. Ele funciona e é isso. Ele entretém por um tempo, mostrando que a franquia ainda é interessante. Mas dificilmente alguém vai se lembrar dele daqui a alguns anos. Em um momento em que o gênero vive uma onda de renascimentos criativos, o game parece se contentar com o mínimo, mas, infelizmente, o mínimo não é suficiente.

Double Dragon Revive
  • Desenvolvedora: Arc System Works
  • Plataformas: PC,PS5,Xbox
  • Review feito no: PC
Positivo
  • Elenco jogável variado e com personalidades claras
  • Alguns chefes introduzem ideias interessantes e bem-vindas
  • Modo cooperativo traz o melhor do jogo à tona
Negativo
  • Sistema de combate inconsistente, com física imprevisível
  • Repetitividade acentuada e pouca necessidade de variedade tática
  • Picos de dificuldade desalinhados com a progressão
  • Direção visual irregular e trilha sonora pouco marcante
  • Campanha curta e com pouco incentivo de rejogabilidade
Nota 6
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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