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Com o lançamento do filme do Doutor Estranho, mais pessoas passaram a se interessar pela história do personagem. Assim, a Panini aproveitou o momento para republicar uma história que estava desaparecida das prateleiras brasileiras: Shamballa. Um conto peculiar, liricamente encantador e filosoficamente divertido.

Para quem ainda não conhece, Stephen Strange já foi um dos maiores cirurgiões do mundo, um homem brilhante, mas bastante arrogante. Porém um acidente muda sua vida. O homem chega ao fundo do poço em uma odisseia obsessiva pela cura, que o leva até o Himalaia, onde encontra a redenção, que o transforma em um vigilante solitário que protege o mundo contra ameaças escondidas. Ele batalha contra o mal com o título do Mago Supremo, um Mestre das Artes Místicas.

Dentre tantas aventuras, temos uma das obras mais importantes do personagem (que foi citada em nosso guia de leitura). “Doutor Estranho: Shamballa” é escrita por J.M. DeMatteis, famoso por “A Última Caçada de Kraven” e, mais recentemente, por sua obra em Liga da Justiça Sombria. A ilustração é feita por Dan Green, de quem a obra mais conhecida é esta do review.  

A história foi publicada originalmente em 1986, mas uma grande diferença é que ela não se trata de um combate do Doutor Estranho contra algum vilão. Ela é focada em uma viagem espiritual que o Mago Supremo embarca, um exercício de catarse e autoconhecimento, uma busca que poderia consumir sua própria alma. Stephen recebeu a missão de lançar ‘Shamballa’ em nosso mundo, trazendo uma nova era dourada para a humanidade. Entretanto, esta bênção possui um custo: a aniquilação de dois terços da população mundial. Será que ele é capaz de superar esta prova?

Esta é uma obra bem complexa para leitores novatos. Ela não é uma HQ comum, pois não possui tantos balões e nem sequências longas de quadros. Sua característica é mais similar a um livro ilustrado, dividido em vinhetas, para utilizar um estilo mais literário. Esta fórmula exigem um nível bem maior de interesse e atenção à leitura.

Superando este obstáculo, temos que dizer que estamos diante de uma obra que pode ser lista antes ou depois do filme. Basicamente, a estética vista no filme bebe muito da fonte desta HQ. Um modelo esotérico oriental, retratando a espiritualidade do herói. Devemos lembrar que Doutor Estranho não é um mago que solta raios, mas sim um feiticeiro de ampla sabedoria. Assim, muitos elementos das mitologias tibetana, hindu e budista estão presentes no material.

Tal coisa não se aplica apenas aos desenhos, mas também ao funcionamento de toda a obra. Dan Green tenta exprimir toda a profundidade metafísica do personagem em seus quadros, algo que lembra muito o onírico e o surrealista. Da mesma forma, os textos de J.M. DeMatteis conseguem casar a mitologia da Marvel e os princípios morais do personagem com doutrinas religiosas. O autor consegue fazer com que os monólogos de Estranho reflitam a psiquê do protagonista, ressaltando suas dúvidas, pontos fracos e fortes.

Graças a tudo isso, encontramos um Doutor Estranho de forma mais íntima, um homem vulnerável, ao invés da figura do mago frio e apático. Doutor Estranho: Shamballa é uma leitura profundamente filosófica sobre as origens do personagem. Altamente recomendada para quem quer saber mais sobre o personagem e busca uma obra mais madura. Você pode encontrar o material, clicando aqui.