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Eu lembro bem quando vi o trailer de Dragon Quest VII Reimagined pela primeira vez: era uma Nintendo Direct que eu tive que cobrir diretamente de uma sala de imprensa em um hotel enquanto estava numa viagem (não era da Square Enix, infelizmente). Na hora que vi os primeiros frames do vídeo, logo gritei: “É Dragon Quest VII!!!” – E realmente acertei, enquanto todo mundo seguia boquiaberto ao redor.

Durante os últimos dias, eu tive a chance de jogar o game de forma antecipada, graças à uma key proporcionada pela Square Enix para Nintendo Switch 2. E eu me foquei em aproveitar o máximo de tempo possível. Se você jogou o primeiro game, lançado para PlayStation 1 ou o remake que foi feito para Nintendo 3DS, saiba que o subtítulo “Reimagined” se encaixa perfeitamente aqui, afinal, o jogo muda bastante em relação aos lançamentos anteriores.

Primeiramente, vamos falar da mudança artística: enquanto o novo jogo tenta preservar a perspectiva isométrica presente no lançamento original, ele também muda bastante os personagens. Foram feitos bonecos de verdade para servir de referência para o jogo, convertendo tudo e dando um resultado maravilhoso, que dá vida à arte criada por Akira Toriyama para os personagens (aliás, o jogo original contava com um manual lindo cheio de artes do criador de Dragon Ball, algo que posso publicar depois aqui).

Final de Dragon Quest VII
Reprodução/Square Enix

Claro, durante os últimos tempos, eu vi muita gente pedindo um tratamento HD-2D, seguindo o que foi feito na trilogia de remakes de Dragon Quest. Entretanto, eu, sinceramente, gostei mais desta pegada, afinal, também traz uma evolução para essa série de remakes da franquia, algo que fica muito mais coerente quando você percebe que este jogo tem cutscenes, diálogos com dublagem (em inglês ou japonês) e animações bem bacanas nas batalhas.

Sim, é uma pena que o game não tenha legendas em português do Brasil, algo que seria fundamental para popularizar uma das séries mais importantes do gênero RPG. Afinal, eu acabei me apaixonando muito cedo por essa franquia e sei que nem todo mundo tem o mesmo amor porque não conseguiu jogar de forma mais acessível. Vamos torcer que futuros lançamentos ou patches corrijam este problema e que mais pessoas possam jogar o game.

Durante o meu tempo com o jogo, eu aproveitei para testar tanto na forma portátil, quanto na TV. Em ambos os casos a experiência foi maravilhosa. Afinal, este é o grande ponto positivo deste tipo de arte, ela fica muito bem quando há mais definição e tanto a TV quanto o modo portátil proporcionam que ela seja embelezada por diferentes fatores. Claro, tenho certeza que o jogo roda ainda melhor um PlayStation 5, mas acredito que a diferença não é tão grande, mesmo que você esteja jogando no Nintendo Switch 2.

No gameplay, uma das grandes mudanças está no sistema que permite que você agora escolha uma subclasse, permitindo que o jogador tenha uma grande chance de customização e variação, já que poderá misturar atributos e ter algo totalmente novo e muito diferente do que vimos no jogo original. Também tem uma nova mecânica em que cada personagem pode ativar uma habilidade passiva durante a batalha, ligada diretamente à sua classe. Os resultados são sempre legais para a party, aumentando a defesa, ataque ou aproveitando para melhorar a chance de crítico, por exemplo, sendo essas 3 as habilidades da sua party inicial.

Ao longo do tempo, seus personagens vão desbloqueando novas habilidades ativas que possuem diferentes efeitos de batalha ou efetividade em monstros. Outro ponto bastante bacana é que ainda que as roupas não sejam alteradas pela mudança de equipamentos (você pode desbloquear skins por jogar a demo, por exemplo), as armas são visíveis tanto na tela de equipamentos quanto na tela de batalha, algo que achei bem legal pra um cuidado maior com o jogo.

Para quem jogou o game original e teve uma experiência não muito bacana, afinal, eu entendo que Dragon Quest VII foi meio deixado de lado por muitos por ser longo e ter uma introdução muito mais demorada, saiba que o Reimagined encurta esse tempo de iniciação. Sim, é o caso de realmente ter sido reimaginado, pois o game deixa tudo mais acessível e fácil de entender, colocando o jogador em uma aventura e para a batalha em bem menos tempo.

Não só isso: as tabuletas necessárias para abrir as aventuras também estão mais fáceis de encontrar, algo que o próprio criador fez questão de deixar claro em uma entrevista recente. A ideia é uma forma do jogo se adaptar ao público da nova geração, fazendo com que todos possam apreciar a franquia Dragon Quest e se divertir. Sim, Dragon Quest é uma história sobre aventura e principalmente diversão.

Como você pode ver nas imagens acima, a party pode ser composta por diferentes personagens (caso você não tenha jogado o original), que são bastante carismáticos. Cada um deles é apresentado em diferentes capítulos do jogo, que funciona meio como uma antologia. Talvez, este seja o ponto mais forte de Dragon Quest VII Reimagined: cada ilha, cada capítulo, funciona como um pequeno game adicional, uma nova aventura, com um novo tema, um novo mistério para resolver e novos inimigos para conquistar.

É meio como acontece com One Piece, algo que fica bem mais fácil de relacionar por termos um barco como meio de transporte para viajar entre as ilhas do mundo principal. Ao longo do caminho, você conhece novos locais, povos diferentes e personagens para recrutar, deixando sua equipe ainda mais divertida, diferente e interessante. No meu caso, é um dos meus jogos favoritos da franquia e eu realmente espero que todos os jogos da terceira trilogia sejam lançados neste formato.

É difícil analisar um game quanto ele é apenas um port ou uma remasterização de um lançamento original. Porém, aqui, não é o caso. Após chegar ao fim de Dragon Quest VII Reimagined, eu posso afirmar que este game funciona como um jogo bem diferente. Claro, a essência do game original continua existindo e está intacta, entretanto, tudo ao redor mudou.

É muito bom ver como a Square Enix tem tratado a franquia com carinho. Ainda que ela não seja a mais popular no ocidente, é visível que após Dragon Quest XI, mais pessoas tem demonstrado interesse nessa série. Dito isto, meu conselho é que você aproveite esta oportunidade e mergulhe de cabeça na aventura.

Dragon Quest VII Reimagined traz uma forma nova e empolgante de aproveitar um dos clássicos do primeiro PlayStation, trazendo um dos games mais subestimados da franquia e dando uma nova cor e sabor para ele, deixando muito mais palatável para novos públicos e também para quem não conseguiu aproveitar naquela época. É uma grande aula e uma forma inteligente de como reviver um game que completará 25 anos em breve.

Este review foi feito com uma chave antecipada proporcionada pela Square Enix para Nintendo Switch 2.

Dragon Quest VII Reimagined
  • Desenvolvedora: Hexadrive Co. Ltd
  • Publisher: Square Enix
  • Plataformas: PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series X/S, PC
  • Review feito no: Nintendo Switch 2
Positivo
  • Novas mecânicas
  • Redesign completo para dar mais ênfase aos desenhos de Akira Toriyama
  • Recursos que deixam o jogo mais acessível
  • História redesenhada para que o jogo comece antes
Negativo
  • Falta localização em ptbr
Nota 10


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