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Explorar Arrakis nunca foi tarefa fácil, e Dune: Awakening faz questão de lembrar disso a cada grão de areia. Este ambicioso MMO de sobrevivência da Funcom consegue, por diversas vezes, capturar o que há de mais tenso e fascinante na mitologia criada por Frank Herbert, ainda que tropece em sistemas que nem sempre acompanham sua visão.
Um deserto implacável e vivo
Desde o primeiro momento, Awakening se distancia de outros jogos do gênero com mecânicas singulares, como o sistema de temperatura corporal, que obriga o jogador a procurar abrigo ou perecer sob o sol inclemente. Outro detalhe, grotesco, mas funcional, permite extrair e consumir sangue de inimigos para saciar a sede, refletindo de forma crua os extremos da sobrevivência em Arrakis.
Mas nada se compara ao verdadeiro terror do deserto: os vermes de areia. Com sua escala colossal e comportamento imprevisível, eles tornam cada travessia uma roleta mortal. Se for detectado ao andar pelas dunas, o jogador pode ser engolido em segundos, perdendo todos os itens carregados. O resultado é uma tensão constante e genuína, que transforma até uma simples caminhada em um momento memorável.
Sobrevivência com fluidez

Surpreendentemente, Dune: Awakening simplifica aspectos clássicos dos jogos de crafting. Construir bases, fabricar equipamentos e pesquisar novos itens são processos ágeis e acessíveis, sem a burocracia tradicional. Um sistema de desbloqueio de conhecimento vinculado à progressão elimina a necessidade de voltar a pontos específicos do mapa para avançar. Isso, aliado à variedade de veículos terrestres e aéreos que o jogador pode criar, garante dinamismo até nas fases mais avançadas.
Mesmo após 25 horas de jogo, ainda há uma vasta gama de equipamentos, estruturas e habilidades para desbloquear. O sistema de crafting é inteligente, rápido e evita o excesso de menus, algo raro no gênero.
Uma narrativa alternativa, mas fiel
Situado em uma linha do tempo alternativa onde Paul Atreides nunca nasceu, Awakening cria uma base narrativa instigante: os Fremen desapareceram, e Arrakis é um campo de guerra entre Atreides e Harkonnens. A história pessoal do jogador, envolvido em missões para encontrar vestígios dos Fremen e escapar da vigilância dos Sardaukar, avança por meio de provações que incentivam o uso de diferentes habilidades, dando um ritmo leve de RPG de ação a uma experiência essencialmente MMO.
Curiosamente, apesar de sua estrutura online, o jogo frequentemente parece um RPG single-player. Longos períodos de exploração sem encontrar outros jogadores contribuem para uma sensação de isolamento, algo coerente com a vastidão de Arrakis. PvP existe, mas nunca é imposto, o que garante liberdade para seguir a narrativa no próprio ritmo.
Combate funcional, mas repetitivo

Se há um ponto em que Awakening ainda precisa evoluir, é o combate. As armas carecem de impacto, e os inimigos muitas vezes parecem esponjas de dano. A mecânica envolvendo escudos Holtzman, que exige ataques lentos para atravessá-los, é criativa e fiel à ficção, mas o combate corpo a corpo, ainda que funcional, raramente exige mais do que apertar o mesmo botão repetidamente.
Faltam variedade de inimigos e momentos verdadeiramente memoráveis nos confrontos. A maioria dos combates é evitável e, às vezes, é melhor assim.
A força está na ambientação
O que mantém Dune: Awakening fascinante é seu sentido de lugar. O planeta Arrakis é vasto, vertical, brutal. A direção de arte respeita o cânone visual da franquia, e há uma abundância de segredos, formações geográficas e estruturas antigas esperando para serem descobertas. A ambientação sonora contribui para a imersão, e o jogo apresenta um equilíbrio agradável entre ação, exploração e sobrevivência.
Existem bugs e decisões questionáveis como o uso obrigatório de um cursor em controles, algo que deveria ter ficado no passado, mas esses detalhes são superáveis diante da experiência oferecida.
Veredito

Dune: Awakening entrega uma abordagem refrescante dentro do saturado gênero de MMOs de sobrevivência. Com mecânicas únicas, ambientação densa e uma história alternativa bem integrada ao universo Duna, ele oferece tensão e liberdade em igual medida. Ainda precisa evoluir em combate e performance, mas já demonstra ter areia o suficiente para fincar seu lugar entre os grandes.
- Desenvolvedora: Funcom
- Publisher: Funcom
- Plataformas: PS5, Xbox Series X/S e PC
- Review feito no: PC
- Também testado no: Steam Deck
- Ambientação fiel e imersiva
- Mecânicas únicas de sobrevivência
- Construção e crafting acessíveis
- Combate pouco impactante
- Baixa variedade de inimigos
- Presença de bugs e glitches





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