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Quando foi anunciado, ainda em 2019, Elden Ring gerou um misto de expectativas e dúvidas. Afinal, a promessa é de que seria a primeira vez em que a famosa fórmula “souls” da desenvolvedora japonesa FromSoftware seria aplicada em um conceito de mundo aberto. Quando o jogo finalmente chegou, em 2022, o mundo constatou que a ambição de Hidetaka Miyazaki não apenas deu muito certo, como entregou um dos melhores games de mundo aberto de todos os tempos, levando para casa facilmente o prêmio de Jogo do Ano.
Agora, dois anos após o mundo conhecer Elden Ring, o game está de volta com sua primeira (e única) expansão: Shadow of the Erdtree, uma aventura que surpreende pelo seu tamanho considerável: foram cerca de 35 horas em minha jogatina para explorar todo o Reino Sombrio e eliminar cada criatura que se move e que tenha uma barra de HP enorme com seu nome embaixo da tela. Sim, eu tenho essa mania de acabar com todos os bosses, incluindo os opcionais.

E por falar em bosses, sim, a DLC traz vários novos inimigos. No entanto, é preciso dizer que, embora sejam criativos, alguns passam a sensação de “já vi esse cara antes” – o que é normal, considerando a quantidade de jogos do gênero que a FromSoftware desenvolveu ao longo dos anos e a diversidade de inimigos que já existe dentro do próprio Elden Ring. O único boss realmente digno de nota é Messmer, o Empalador, mais um dos filhos da Rainha Marika, e responsável por transformar o Reino Sombrio no lugar desolado que é hoje. No entanto, é preciso dizer que quem espera de Messmer uma dificuldade marcante no nível da Malenia, do jogo base, pode se decepcionar. Embora ofereça uma batalha belíssima, Messmer é bem tranquilo de ser derrotado, especialmente para aqueles bem entrosados com o game.
Em termos de criatividade, as coisas ficam mais complicadas quando falamos sobre os inimigos comuns que permeiam o mapa. Observando com atenção (ou nem tanta atenção assim), percebe-se que são todos os mesmos inimigos do jogo base, diferenciados apenas por uma nova skin. Essa reutilização já era esperada em um jogo desse tamanho, mas chega a surpreender quando é possível para o jogador reconhecer a contraparte de cada um dos inimigos da expansão – sem exceção. Da mesma forma, o Reino Sombrio acaba não sendo inovador em aspectos visuais, já que reutiliza muitos dos assets das Terras Intermédias.
Partes de Limgrave, Caelid e de outras regiões são facilmente reconhecíveis em cada canto do novo mapa, do qual esperava-se um pouco mais de originalidade, como acontecia nas expansões de outros jogos da From. Claro, a própria campanha principal de Elden Ring já oferece uma gama riquíssima de diferentes regiões e biomas, mas esperava que a DLC expandisse essa criatividade ainda mais.

Toda a originalidade do novo mapa vem através de sua maior verticalidade. Se isso já era algo elogiável em Elden Ring, aqui se torna ainda mais brilhante. São muitas as vezes em que você vai se encontrar olhando aquele pedaço de terra no horizonte, tão abaixo (ou tão alto), sem ter a menor ideia de como chegar ali. E é um level-design tão intrincado e tão bem feito, que muitas das vezes tudo que você precisa fazer é continuar seguindo sua jornada e seus instintos, que inevitavelmente chegará lá (com uma boa dose de atenção e exploração, é claro).
Essa verticalidade e maior incentivo à exploração do mundo aberto acaba sendo o grande destaque da DLC e onde a maioria de suas horas são gastas. Isso por que, diferente do jogo base, não existem muitos complexos a serem explorados. Ao contrário do que acontecia nas Terras Intermédias, com diversos e gigantescos castelos que traziam de volta o criativo level-design dos jogos anteriores da From, o mapa do Reino Sombrio conta com pouco disso.
Os castelos presentes na expansão parecem quase “ocos”, com caminhos óbvios e poucos corredores, podendo ser concluídos rapidamente. Isso acaba sendo decepcionante especialmente na última área, que embora tenha toda uma expectativa criada até que o jogador finalmente possa acessá-la, tem pouca ou nenhuma exploração e leva para a porta do boss final em questão de poucos minutos. A única coisa que estende esse tempo é a quantidade forçada de inimigos no caminho, criando uma dificuldade artificial que gera um estranhamento por não ser comum vindo da FromSoftware. Essa parte, além da impressão de que “rusharam” o final da DLC, lembra algumas das principais críticas de Lords of the Fallen, um clone souls lançado no ano passado pela CI Games.

A expansão também traz de volta as boas e velhas quests de NPCs, com seus diálogos misteriosos e dúbios. Todas tem a ver com os seguidores de Miquella, o bondoso, figura citada várias vezes no jogo-base, e que aqui é o responsável por desencadear os eventos que levam o jogador (o Maculado) até o Reino Sombrio. Algumas dessas quests são interessantes, mas seu desfecho geral também ajuda naquela sensação de que o final foi apressado – embora falar sobre isso seria entrar em zona de spoilers.
Para aqueles que jogaram Elden Ring e querem experimentar a DLC, devo dizer que existem algumas especificidades para acessá-la. Para acessar o Reino Sombrio, é preciso derrotar dois chefes opcionais nas Terras Intermédias: o Flagelo Estelar Radahn e Mohg, o Lorde do Sangue. Após derrotá-los, você poderá iniciar a DLC justamente na arena de batalha do Mohg, tocando naquele braço definhado que emerge de um casulo. Uma das principais NPCs do jogo, Leda, também já estará no local, vale dizer.

De uma forma geral, embora careça da criatividade do jogo-base, é óbvio que Shadow of the Erdtree vale muito a pena. Talvez seja até uma certa injustiça esperar que a expansão inovasse em todos os aspectos, considerando a obra prima que Elden Ring já é desde o seu lançamento. Porém, é inevitável a sensação de que poderia ser muito mais. Com um foco exacerbado na verticalidade do mapa (feita com primor, diga-se de passagem), fica a sensação de que houve pouco tempo (ou esforço) para tornar todo o restante memorável.
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Elden Ring está disponível para as plataformas PlayStation 4 e 5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC.
- Desenvolvedora: FromSoftware
- Publisher: Bandai Namco
- Plataformas: PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
- Review feito no: PlayStation 5
- - Maior verticalidade no mapa
- - Grande duração
- - Ambientes repetidos
- - Inimigos pouco criativos






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