Uma das franquias mais conhecidas e bem sucedidas da Ubisoft é Far Cry, que, ao contrário da maioria dos jogos, não traz o maior destaque em seus heróis, mas sim em seus vilões. Diferente de outras franquias da empresa, esta é, com certeza, a que menos passou por mudanças em sua fórmula, o que considero bastante positivo, já que o jogador sabe o que esperar de cada game. Claro, os jogos podem surpreender de diversas maneiras, mas falo isso em relação à fórmula.
Aqui, você joga com Dani Rojas, um guerrilheiro que tenta derrubar o governo de Anton Castillo, o ditador da ilha de Yara. Em tese, podemos dizer que é uma versão paralela de Cuba, trazendo muitos detalhes como o aspecto visual e vários outros pontos (que não vale comentar para evitar discussões políticas). De todo jeito, como qualquer ditador, Castillo sobe ao poder com a promessa de progresso, mas se sustenta apenas em poderio militar, propaganda e populismo.

A Ubisoft acerta bastante no tom da história, tendo até uma das melhores aberturas da série. Um fato que merece destaque é que o ator Giancarlo Esposito, que fez o Gus de Breaking Bad, é quem dá vida a Anton. Como estamos falando de um senhor com muita experiência em viver vilões, não dá pra esperar nada menos do que uma excelente atuação. Entretanto, ao mesmo tempo, toda a parte do tema escolhido é tocado de forma superficial, o que dá pra entender, já que a discussão política não precisa ser o núcleo do jogo, apenas servindo para dar tema para a aventura.
No começo, o jogo quer te passar a ideia de ser um guerrilheiro com poucos recursos, então, você sentirá isso na pele. Suas armas são mais problemáticas, tudo é um pouco mais complicado e difícil de alcançar e, na boa, eu gostei bastante deste começo. A estética, o tom, a escassez de itens, tudo isso combina bastante com a ideia de estar em uma pequena ilha para derrubar um governo ditatorial. Porém, depois de algumas horas, a coisa muda de figura e, basicamente, você se vê como os personagens de O Esquadrão Suicida na ilha de Corto Maltese (que também é baseada em Cuba, vale lembrar). Depois de um tempo, você estará bem equipado com armas de todo o tipo e explodindo tudo que vê pela frente.
O jogo também aproveita para adicionar diferentes tipos de munição, o que ajuda a derrubar diferentes tipos de inimigos. Há também várias peças de roupas que trazem bônus diversos, embora alguns desses itens de vestir tirem um pouco do tom mais sério que o jogo tenta alcançar e te passar. Não, as coisas não chegam a ser desperdiçadas, a história ainda é mantida e o vilão continua sendo interessante. Só que tudo fica bem mais louco do que se esperava, o que traz uma certa confusão sobre a identidade que o jogo pretendia alcançar.
Para quem busca apenas a diversão de entrar em combates insanos e cheios de explosões, o jogo tá no nível certo: você enfrentará helicópteros, tanques de guerra, vários soldados, diferentes tipos de forças especiais. Sim, o game possui uma vasta quantidade de inimigos, bem variados, além de diferentes ambientes: florestas, praias, cidades, tudo isso está lá, pronto para testemunhar a destruição que você causará.
Aliás, o cenário é um ponto bastante positivo, já que tudo é bem bonito, principalmente no PlayStation 5, que me dexou de boca aberta por diversas vezes. O nível de detalhamento é impressionante. Além disso, o mapa é cheio de locais com diferentes animais, puzzles e conteúdos já tradicionais da franquia Far Cry, o que gera bastante diversão. As armas também podem ser consideradas como as melhores da série. No começo, como falei acima, elas serão ruins, pra mostrar a triste vida de guerrilheiro, mas ao conseguir novas e poderosas armas, prepare-se para sentir o poder que a Ubi desenvolveu.
Assim como em Far Cry 5, dá pra usar as oficinas espalhadas pelo mapa para criar itens e fazer upgrades nas suas armas. Você pode desbloquear rifles, metralhadoras, fuzis e muito mais. Ao longo da jornada, duvido que você passe mais de uma hora com a mesma arma. É praticamente impossível, dada a grande variedade do arsenal.
Far Cry 6 é um belo jogo de ação, repleto de diversão e coisas para explodir. Apesar do tom mais sombrio, o game abraça a loucura e te coloca em um verdadeiro playground digital. Quem curte a série, não ficará desapontado e pra quem nunca jogou, vale a pena levar em consideração os pontos citados acima. De toda forma, estamos diante de um jogo com uma história fantástica e um ótimo nível de combate.
- Ótima história
- Visuais incríveis
- Muita diversão