Dando continuidade aos encadernados DC que compilam os primeiros arcos da iniciativa Novos 52, a Panini resolveu que já era de presentear o Velocista Escarlate com uma edição de luxo aqui em Terra Brasilis. E assim, os leitores brasileiros foram agraciados com Flash: Seguindo em Frente, primeiro arco que reiniciou o personagem para novos leitores em 2011, cortesia de Brian Buccellato e Francis Manapul.
Assim como o Demolidor na Marvel, Flash é um personagem que costuma dar sorte com seus roteiristas. Além de ter tido uma ótima fase na década de 90 sob o comando do veterano Mark Waid, teve ainda uma passagem de Geoff Johns pelo título no início do século XXI, quando o roteirista – um verdadeiro nostálgico – trouxe Barry Allen de volta ao manto.
Agora, sob o comando de Brian Buccellato e Francis Manapul – com sua arte cada vez mais incrível – o Flash precisava fazer jus às histórias de outrora. E, bem… digamos que gibi não decepciona. Apesar de ainda estar muito aquém de seus antecessores (ao menos nessa primeira edição), Seguindo em Frente cumpre a sua função, que é apresentar o personagem e chamar novos leitores sem um peso muito grande de cronologia, ao mesmo tempo que traz uma história bem contada e redondinha que diverte e proporciona algumas boas horas de leitura.

A HQ se divide em dois arcos, com o primeiro sendo maior e ocupando boa parte da revista. Nele vemos o aparecimento de uma antigo amigo de Barry Allen, da época em que ele ainda não possuía seus poderes de velocidade: Manuel Lago. Apesar de escolher o caminho mais fácil e mais clichê possível do amigo-que-ninguém-nunca-viu-nem-nunca-foi-citado-antes-mas-que-surge-agora-pedindo-ajuda, os autores conseguem entregar uma boa história, que envolve regeneração celular, clones, e – sim, arrumaram um espacinho pra isso – viagem temporal. O interessante aqui é que, apesar de tudo parecer um pouco corrido demais (isso não foi um trocadilho proposital, juro), são inseridos no roteiro ótimos conceitos científicos a todo momento, principalmente sobre a Força de Aceleração, a qual Barry faz novas descobertas que podem mudar sua vida. Meio clichê também, mas funciona. Digamos que a HQ é recheada de momentos que rementem ao “clássico super-herói”, com todos os seus dilemas e problemas, mas que no fim do dia irá resolver tudo. É como se Buccellato e Manapul só soubessem fazer um básico arroz com feijão. Mas isso não quer dizer que não seja um bom arroz com feijão.
Na segunda parte do encadernado, mais próximo do final, temos um arco curto onde é apresentado o Capitão Frio pós-reboot. Agora não mais com suas icônicas armas de frio, e sim com um estranho poder de criar gelo através dos próprios braços, Leonard Snart surge em uma versão mais jovem e mais… descolada. O antigo uniforme esquisito do vilão deu lugar a uma versão mais clean e estilosa, com os braços à mostra, ainda que os icônicos óculos tenha sido mantidos. Algo que me incomodou, mas que não chega a ser um problema afinal acredito que isso venha a ser trabalhado mais tarde, é o fato de não ser revelado como Snart conseguiu os poderes de gelo. O Flash chega a comentar que isso é uma novidade, e que inclusive preferia ele com as armas, mas nenhuma explicação é dada. A batalha no entanto é muito bem feita, e os motivos do vilão também são interessantes.

Apesar de ser mais o mais fraco dentre os encadernados da linha Novos 52 lançados até agora – Batman: A Corte das Corujas e A Noite das Corujas, Aquaman: As Profundezas e Superman: À Prova de Balas – a HQ continua sendo uma boa aquisição. Com um roteiro leve e aventuresco, e uma arte impecável, Flash: Seguindo em Frente diverte e vale a leitura, principalmente para aqueles que acompanham a série do velocista pela CW estrelando o ator Grant Gustin, e querem consumir algo do personagem.
É interessante também citar que essa é uma série que após os primeiros números passou a ser bem elogiada lá fora, trazendo tramas e vilões mais interessantes nas edições seguintes como a Galeria de Vilões e o Gorila Grodd. Portanto, é importante pegar essa edição não apenas para não se arrepender de não ter pego quando o negócio começar a ficar realmente bom, mas também para garantir as boas vendas e fazer com que a Panini traga a sequência rapidamente. Rápido. Sacou? Esse trocadilho sim foi proposital. E péssimo, eu sei.






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