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Revisitar o primeiro Gears of War quase duas décadas depois não é apenas uma experiência nostálgica, é uma viagem no tempo que passa pelas origens de um gênero que moldou o design de tiro em terceira pessoa como o conhecemos hoje. Com Gears of War: Reloaded, a Microsoft resgata a brutalidade e o peso da sua franquia mais visceral, mas o faz com um ar de hesitação. Afinal, trata-se da remasterização de uma remasterização e esse eco constante do passado pesa bastante nesta viagem.
A memória contra a realidade

Gears marcou parte da minha história gamer e esta nova versão me trouxe um estranho senso de melancolia. O que parecia épico em 2006 agora traz um sentimento meio diferente, Reloaded começa com Marcus Fenix despertando de sua cela, sujo, confinado, desacreditado. Em vez de um blockbuster impactante, temos uma abertura que ecoa a solidão de um mundo devastado, mostrando que as coisas não são tão fáceis. O contraste com o segundo Gears é gritante: Nada de discursos inflamados sobre honra e sacrifício, em Reloaded vamos direto às trincheiras, fazendo do jogador parte de uma resistência exausta e sem glamour.
Jogabilidade que sobrevive ao tempo
É impressionante como o loop de combate ainda funciona tão bem. O uso tático do cenário é quase hipnótico: Esconder-se atrás de uma mureta, carregar a Lancer e sair correndo para dilacerar um Locust ainda provoca aquele frio na barriga que faz com que a emoção aumente a imersão. A simplicidade do arsenal, limitada quando comparada às sequências, é compensada pelo impacto de cada confronto.
Ainda assim, Reloaded não tem vergonha de suas raízes: é um cover shooter de corpo e alma. Se você tenta avançar sem usar proteção, game over. E essa honestidade, embora antiquada para alguns, é quase refrescante.
Pura nostalgia
O multiplayer mantém a essência da franquia: tenso, direto, sem floreios. Com modos clássicos como Team Deathmatch, Execution 2v2 e One Shot One Kill, o foco está na habilidade, não na progressão por cosméticos. Mapas pequenos, armas poderosas espalhadas pelo chão e Gnasher para todo lado, o caos está de volta, e isso é ótimo. Claro, a apresentação é simples, até antiquada, mas há algo de encantador em voltar a um tempo onde o “nível” era o único medidor de prestígio.
Entre o peso do passado e a ausência de futuro
Reloaded brilha ao lembrar por que Gears foi revolucionário, mas também evidencia o quanto a franquia está presa ao que já foi. Enquanto os jogadores de PlayStation enfim recebem o convite para conhecer Marcus e Dom, não há trilha visível para o próximo capítulo. O tão esperado Gears of War: E-Day está a caminho, mas é um prelúdio, ou seja, mais uma vez iremos ao passado e o futuro parece ter ficado de lado.
A sensação é a de um ciclo sem fim: voltamos ao início mais uma vez, com texturas mais nítidas e gatilhos adaptativos vibrando no DualSense, mas ainda presos aos mesmos corredores, às mesmas frases, aos mesmos grunhidos. Afinal, existem planos para algo além de Gears 5?
Veredito
Gears of War: Reloaded é um lembrete poderoso do impacto que o jogo teve em seu tempo. Seu combate continua envolvente, seu mundo ainda carrega peso e sua trilha de ruínas industriais continua evocando uma beleza trágica. No entanto, o contexto atual da série faz com que esse relançamento soe mais como uma canção da saudade do que como uma bela balada.
É um excelente ponto de partida para novos jogadores, especialmente os de PS5, mas para os veteranos, é uma releitura que encanta e traz uma certa incerteza. Gears of War: Reloaded é uma cápsula do tempo bem polida: entrega o impacto e o ritmo que tornaram o original memorável, mesmo que carregue o peso de sua própria repetição. Para quem nunca viveu essa guerra, é uma estreia marcante.
- Desenvolvedora: The Coalition
- Publisher: Xbox Game Studios
- Plataformas: Xbox, PS5, PC
- Review feito no: PC
- Também testado no: Steam Deck
- • Jogabilidade clássica ainda extremamente satisfatória
- • Combate tático e visceral com ótimo uso de cover
- • Multiplayer competitivo fiel às raízes, sem distrações modernas
- • Poucas melhorias em relação ao Ultimate Edition de 2015
- • Campanha continua rasa em desenvolvimento narrativo
- • Enredo truncado e repleto de pontas soltas