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Num futuro próximo, bem próximo, em que complexoas redes corporativas espalharam suas teias de cabos ópticos e componentes eletrônicos, a ponto de cobrirem as estrelas do céu… Um futuro informatizado, mas não tanto  ponto de liminar os conceitos de nação e grupos étnicos…

Havia um peculiar conglomerado de empresas num canto extremo da Ásia, formando um país chamado Japão…

Há um ano atrás, a JBC anunciou que lançaria Ghost in the Shell. Entretanto, a demora da empresa japonesa em fornecer os materiais necessários e os pedidos do autor e da publisher fizeram com que o lançamento fosse atrasado. Enfim, na CCXP de 2016, Ghost in the Shell foi lançado e o resultado é incrível. A publicação chegou em grande estilo e você pode conferir nosso review abaixo.

The Ghost in the Shell é um mangá focado na ciborgue Mokoto Kusanagi, membro de uma unidade de operações secretas japonesas, chamada “Seção 9”. Neste mundo, a tecnologia já é tão avançada que é fácil imbuir o corpo com nanotecnologia. A unidade da Kusanagi se especializa em lidar com crimes contra a tecnologia, tais como hackers, vírus e lavagem cerebral cibernética.

Apesar de termos diferentes histórias presentes neste título, todas estão conectadas com o Mestre dos Fantoches. Ele é um hacker que consegue ir além da tecnologia normal e controla a mente de uma pessoa, implantando falsas memórias.

Alguns fãs brasileiros já devem conhecer a animação lançada em 1995. O filme animado foi dirigido por Mamoru Oshii e foi considerado um dos animes mais influentes da história, citado como inspiração para o filme “Matrix”. Enquanto a sequência não teve o mesmo impacto que o filme animado original, existe uma série produzida pela I.G., chamada “Stand Alone Complex”, que foi bem trabalhada em duas ótimas temporadas.

Quem conhece o filme animado, logo perceberá algumas diferenças como a arte e o tom da obra. Entretanto, é preciso dizer que quanto mais a tecnologia se desenvolve em nossos dias, mais dá para ver o quão profético é este material. Originalmente publicado em 1989, este mangá apresenta um mundo complexo e confuso onde mentes e máquinas se fundem. As pessoas lutam e morrem para conseguir informação (não é algo muito diferente do que vivemos hoje). A cada capítulo, o mangá revela implicações e ideias sobre a evolução da tecnologia.

Apesar de não ter um tom tão sombrio quanto o filme animado, visto que o mangá possui bastante humor, ele não fica devendo em nada na quantidade de ação. O humor pode parecer estranho para os fãs do anime, mas ele serve como alívio em meio à ênfase nas implicações políticas e tecnológicas. Alguns conceitos podem até parecer confusos, é um verdadeiro desafio entender as nuances desta sociedade futurista japonesa, com seus vários ministérios e departamentos guerreando em busca de informações e negócios obscuros. Pode ser ainda mais interessante ver como o autor usou tantos termos técnicos na obra.

Entretanto, conforme dito anteriormente, é assustador como o mangá consegue ser profético. O principal núcleo aqui é a conexão entre mentes, computadores e internet. Um conceito que traz implicações que podem ser bem exploradas, algo que era apenas um sonho em 1989, mas que tem se tornado praticamente uma realidade em nosso tempo. Ainda não temos implantes, mas os computadores e a internet se tornaram partes do nosso corpo, seja através de smartphones, smartwatches ou óculos. É claro que a ideia de transferir a nossa consciência para a rede ainda é mais um sonho, mas apenas imagine se isso fosse possível. Você poderia ir para qualquer lugar, invadir qualquer sistema e até se unir à consciência de outras pessoas.

A cada página, o livro se torna mais metafísico, com o desenvolvimento da ideia de inteligência artificial e o envolvimento dela com a rede de computadores. Um material tão inteligente quanto uma obra de William GIbson ou Phillip K. Dick.

Embora alguns fãs estranhem a parte cômica do material, o humor sempre deixa o tom equilibrado. O mangá é estrelado por personagens divertidos, interessantes, não tão profundos, mas bem marcantes. Todos produtos de sua era., afetados pela presença da tecnologia e pelas suas próprias escolhas. O mangá consegue criar personagens cinzas, que vão além do conceito claro de bem e mal.

A arte é ótima, sempre bem feita e bem detalhada. Cada quadro chama a atenção pela quantidade de detalhes, as batalhas são bem planejadas e os designs de personagens, cenários veículos e armas são incríveis. Vale elogiar o autor pela quantidade de estudo e pesquisa para poder criar uma obra desta magnitude. É visível o esforço para deixar o universo do mangá mais crível.

Ghost in the Shell traz conceitos fascinantes e inteligentes. Com o desenvolvimento acelerado e a presença cotidiana da tecnologia em nossa vida, algumas ideias de Ghost in The Shell podem se tornar realidade algum dia. O mais interessante é que o mangá nunca condena a tecnologia ou a cibernética, mas mostra o perigo que essas coisas podem representar ao serem usadas por terroristas, algo que só mostra a natureza humana. Altamente recomendado.

Você pode adquirir o material, clicando aqui.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.