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Quando Ghost of Tsushima chegou, ele foi mais que um jogo, foi um verdadeiro evento cultural em meio ao cansaço dos mundos abertos genéricos e ao isolamento da pandemia. Era bonito, envolvente e oferecia uma experiência quase poética. Agora, anos depois, Ghost of Yotei emerge como seu sucessor espiritual e embora não cause o mesmo impacto imediato, ele não apenas honra o legado de Tsushima, como o expande de forma marcante.
A História de Atsu: Frieza, Dor e Propósito

No centro de Ghost of Yotei está Atsu, uma mercenária moldada pela tragédia e movida por uma sede de vingança inabalável. Quando era criança, ela viu sua família ser exterminada pelos Seis de Yotei, um grupo cruel comandado por Lorde Saito, que domina a região de Ezo com punho de ferro, desafiando a autoridade do Shogunato.
Décadas se passaram. Atsu retorna ao norte, endurecida pela guerra e distante de qualquer laço emocional. Sua missão é clara: caçar e eliminar os seis responsáveis por seu sofrimento. E embora o jogo inicie como uma típica jornada de vingança, Yotei rapidamente mostra que tem ambições maiores, especialmente ao confrontar Atsu com escolhas morais e reflexões que ressoam com os clássicos de Kurosawa.
Ezo: Um Mundo Que Respira e Sangra

Ghost of Yotei apresenta um dos mundos mais belos e vivos já vistos no PlayStation 5. De pradarias tingidas de flores dançantes a florestas carbonizadas banhadas por folhas escarlates, cada região reflete não só sua geografia única, mas também a personalidade e domínio dos membros do Seis de Yotei. O mundo não é apenas um pano de fundo, é um espelho da narrativa.
A estrutura em regiões oferece atividades variadas: santuários, confrontos, acampamentos inimigos e tesouros escondidos. Ainda que a fórmula se torne previsível, os encontros com os Seis de Yotei sempre culminam em batalhas memoráveis, que compensam a repetição com intensidade e desafio.
Combate: O Coração Afiado da Experiência

Se Tsushima tinha um combate estiloso, Yotei o leva ao próximo nível. Paradas perfeitas, contra-ataques brutais, lançamentos de armas improvisadas, tudo com uma fluidez impressionante. A introdução de armas como odachi e kusarigama, mecânicas, ataques e a habilidade que transforma Atsu em uma entidade temida, elevam o combate a um novo patamar de brutalidade e elegância.
O sistema de combate ainda carrega o DNA de “pedra, papel e tesoura”, onde cada tipo de inimigo tem sua arma ideal. É uma limitação que frustra pela falta de liberdade, mas ao menos o processo de aprender e desbloquear técnicas com mestres regionais torna a progressão mais significativa e integrada ao mundo.
Stealth e Companheirismo: A Sombra e o Lobo

A furtividade continua funcional, até demais. Infiltrar-se em acampamentos é gratificante, mas a IA permissiva tira parte do desafio. O destaque, porém, vai para a parceria com um lobo vingativo, que compartilha da dor de Atsu. A relação silenciosa entre ambos é poderosa e carrega um simbolismo bonito: mesmo no frio implacável de Ezo, há espaço para alianças forjadas na dor compartilhada.
Esse vínculo é mais do que estético, ele se traduz em habilidades especiais, ataques conjuntos e progressão própria. Realizar um Standoff com o lobo ao lado é uma experiência singular, quase mítica.
Narrativa: Uma Lâmina que Corta em Camadas
A narrativa de Ghost of Yotei não é linear, e isso é tanto uma força quanto uma fraqueza. A liberdade para caçar os Seis de Yotei na ordem desejada dá dinamismo, mas prejudica o ritmo em certos trechos. Alguns arcos, como o da Kitsune, soam desconectados ou apressados, destoando de outros mais intensos, como o de Oni.
Felizmente, a reta final recompensa a paciência com um clímax poderoso, emocional e brutal. As interações com Lorde Saito ganham peso real à medida que Atsu deixa um rastro de caos, e até o conteúdo opcional serve à narrativa, afetando a forma como os inimigos reagem à sua presença.

Visualmente, Ghost of Yotei está entre os melhores jogos da geração. A iluminação, os efeitos climáticos, o nível de detalhe, tudo impressiona. A performance no PS5 Pro, com Ray Tracing a 60fps, é de cair o queixo. A trilha sonora, mais uma vez, é um espetáculo à parte, ora melancólica, ora épica, sempre em sintonia com a jornada emocional de Atsu.
A customização de builds está mais rica do que nunca. As armaduras, amuletos e a nova função de loadouts permitem criar estilos de jogo únicos, seja focado em furtividade, confronto direto ou controle de medo sobre os inimigos. O sistema de progressão, aliado ao mundo aberto e às atividades secundárias, oferece uma jornada recompensadora para quem se dedica à exploração.
Conclusão: O Fantasma Caminha Novamente
Ghost of Yotei pode não carregar o mesmo frescor que seu antecessor, mas isso não o impede de ser uma obra-prima em seu próprio direito. É um jogo mais ousado, mais maduro e, em muitos aspectos, mais completo. Entre lutas sangrentas, silêncios significativos e paisagens de tirar o fôlego, ele entrega uma experiência que, mesmo com tropeços narrativos e certa repetição estrutural, marca profundamente. Atsu não é Jin Sakai. E é exatamente isso que torna Ghost of Yotei tão memorável.
Este review foi feito com uma key antecipada fornecida pela PlayStation. O jogo ficará disponível em 02 de outubro para PlayStation 5 e PlayStation 5 Pro.
- Desenvolvedora: Sucker Punch
- Publisher: Sony Interactive Entertainment
- Plataformas: PlayStation 5
- Review feito no: PlayStation 5
- Também testado no: PlayStation Portal
- Combate visceral e cinematográfico: fluido, brutal e satisfatório, com parries e contra-ataques impactantes.
- Variedade de armas: katana, odachi, kusarigama, e mais, cada uma com técnicas e estilos únicos.
- Sistema de progressão envolvente: novas habilidades são aprendidas com mestres através de atividades práticas.






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