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Poucos jogos conseguem transformar um local em memória afetiva da mesma forma que Hitman faz com Sapienza. Não é só o mar cintilante ou os becos charmosos: é o prazer quase ritual de se infiltrar, eliminar um alvo e desaparecer sem deixar vestígios. Depois de ter vivido essas missões em outras plataformas, revisitar esse mundo no Nintendo Switch 2 é como vestir um terno sob medida. Mas será que essa versão portátil faz justiça à elegância mortal do Agente 47?

Uma coletânea à altura do legado

HITMAN World of Assassination traz, em um só pacote, os três jogos base da trilogia moderna, com suas respectivas campanhas, modos alternativos e uma generosa dose de conteúdo extra. O que temos aqui é um verdadeiro playground de assassinatos, com dezenas de locais, centenas de desafios, modos como Freelancer, Elusive Targets e Sniper Assassin, além de eventos sazonais, como as missões inspiradas em James Bond.

É verdade que parte do conteúdo mais recente ainda está atrelado a DLCs pagos. Mesmo assim, o volume do que já vem incluso beira o exagero — e isso é um elogio. Estamos falando de centenas de horas de possibilidades táticas, criatividade e rejogabilidade em níveis raramente vistos no gênero.

Portátil, mas com concessões

No Switch 2, a versão se esforça, mas não esconde suas limitações. Graficamente, o jogo entrega uma apresentação decente, mas irregular. A taxa de quadros, sem limite fixo, oscila visivelmente, algo que se torna ainda mais perceptível no modo docked, onde a tela maior expõe problemas de HDR e cores lavadas. O resultado é uma experiência visual menos vibrante do que se espera, especialmente em um jogo que sempre se destacou por sua ambientação.

A melhor forma de jogar é, sem dúvida, no modo portátil. Além de mais estável, ele se beneficia do excelente áudio espacial do Switch 2, que reproduz ambientes urbanos como os mercados de Marrakesh com uma riqueza de detalhes impressionante. É uma imersão auditiva de respeito, digna do método meticuloso de 47.

O charme letal permanece

Apesar dos tropeços técnicos, a essência do jogo permanece impecável. Nada se compara à sensação de manipular rotinas, estudar o mapa e realizar uma execução perfeita usando disfarces absurdos ou uma simples lata de atum, por que não? Hitman continua a ser uma obra-prima de design sistêmico, onde cada tentativa é uma aula de planejamento, improviso e sangue-frio.

E é aí que mora a magia: quanto mais o jogador investe, mais fluido se torna o processo. No início, cada passo exige atenção; após algumas horas, você atravessa locais fortemente vigiados como se fossem sua casa de campo, desviando de câmeras e patrulhas com elegância, antes de aplicar um golpe silencioso no momento exato. Quando tudo termina, você sai andando calmamente, como se nada tivesse acontecido. E isso é deliciosamente satisfatório.

Problemas que cortam o ritmo

Infelizmente, há uma escolha de design que quebra essa fluidez: a dependência de conexão online. Para acessar a progressão e recursos completos, é preciso estar conectado. O modo offline gera um save separado, o que inviabiliza continuar desafios em sessões sem internet. É uma decisão frustrante, principalmente em um console cuja proposta é justamente a mobilidade.

Veredito

HITMAN World of Assassination no Switch 2 está longe de ser a versão definitiva, mas é uma das mais acessíveis. A performance técnica poderia ser mais consistente e a exigência de conexão constante ainda precisa de revisão. No entanto, o conteúdo vasto, o design refinado e a liberdade criativa permanecem intactos. Se você busca uma experiência portátil com profundidade, tensão e um toque de humor, esta versão entrega tudo isso, desde que aceite suas imperfeições.

Hitman: World of Assassination
  • Desenvolvedora: IO Interactive
  • Publisher: IO Interactive
  • Review feito no: Nintendo Switch 2
Positivo
  • Conteúdo extenso e completo
  • Jogabilidade refinada e viciante
  • Liberdade tática e rejogabilidade altíssima
Negativo
  • Problemas de performance gráfica
  • Dependência de conexão online
  • Modo docked decepciona visualmente
Nota 8
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.