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Colocar “Imperdoável” como uma história do tipo “o que aconteceria se o Superman decidisse se tornar malvado?” não parece algo apropriado, visto que a série escrita por Mark Waid tem muito mais poder do que essa simples descrição apresenta.  Afinal, hoje temos “Injustiça”, que nos dá uma clara ideia de como isso poderia acontecer.

Vale dizer que os personagens que estão no elenco de “Imperdoável” também possuem superpoderes e vestem roupas coloridas, porém, Waid dá uma sensibilidade real para eles, distinguindo de qualquer material da série “o que aconteceria?”. Na história, os cidadãos reagem aos eventos contidos ali, como qualquer pessoa do nosso mundo reagiria. E pode acreditar, isto é um grande diferencial.

Todo o mundo de “Imperdoável” é um verdadeiro pesadelo. Cada capítulo da história de Waid traz sequências com atos impensáveis cometidos pelo Plutoniano, o antigo protetor do planeta Terra e o ser mais poderoso que existe. Waid imagina como alguém, com todos os poderes do Superman, poderia causar destruição (do nível “normal” ao “caótico”). O Plutoniano pode transformar uma família em uma pilha de cinzas em um quadro e, no próximo, decidir acabar com um continente. O seu poder de destruição é tão grande quanto o seu desejo de destruir.

Cada capítulo da HQ envolvem flashbacks que mostram que o Plutoniano não seria capaz de se manter são para sempre. O herói é um pilar de verdade, justiça, esperança e inspiração para o mundo, porém, de tempos em tempos, ele tinha alguns ataques de raiva. Um momento interessante é quando ele salva uma torcida em um jogo de baseball, enquanto todos torciam para o Plutoniano vencer o robô malvado que ameaçava a população, um homem ficava chamando o Plutoniano de “exibido” e “pervertido”, o Plutoniano usou sua super-audição para se concentrar apenas neste rapaz e sua expressão não é nada feliz.

Como dito antes, descrever tal história apenas como uma analogia ao Superman seria algo injusto, talvez fosse mais justo dizer que é um estudo de personagem em uma corrida contra o tempo. Afinal, seus antigos aliados viajam pelo planeta em busca de algo que possa vencer o Plutoniano. E as cenas do que acontece com cada um desses personagens é o que mais choca o leitor. Waid consegue escrever cenas de pura crueldade, coisas que deixariam George R.R. Martin com inveja. É impossível não ficar entretido com este título, principalmente pela magnitude da violência que o Plutoniano consegue exercer. Peter Krause, o artista, faz com que a câmera nunca fuja do horror causado pelos atos sádicos do antigo herói.  

Talvez, o quarto capítulo seja o mais forte neste título. Vemos o amor que o Plutoniano nutria por Alana Patel, uma engenheira de som da estação de rádio onde ele trabalhava. Fica ainda mais claro que a força do material de Waid está no sentimento humano que ele insere em seus personagens, é interessante observar cada personagem coadjuvante deste material. Quando Dan se revela para a mulher que ele ama, a reação é totalmente inesperada, mas totalmente crível. O Plutoniano, sem usar nenhum tipo de violência, expõe seu coração partido e os resultados são devastadores.

Peter Krause é perfeito para o título, ele consegue desenhar perfeitamente cenas inimagináveis de terror. Mais importante do que isso, o artista ainda precisa nos lembrar que o Plutoniano já foi um homem bom. Nos flashbacks, vemos um herói loiro e musculoso tão ameaçador quanto um beija-flor. É incrível o contraste que o artista consegue criar com a nova persona que o Plutoniano cria. Outra coisa que mostra bem essa diferença é o uso de cores: Nas cenas em que o Plutoniano é um herói, temos cores brilhantes e tons claros. Enquanto o presente (com o Plutoniano malvado) é colorido com cores mais escuras e pálidas.  

Os leitores devem se preparar para a falta de resolução no fim deste primeiro volume e isso é algo que gera uma certa revolta. Porém, a culpa não é de Mark Waid, mas sim da editora Devir, visto que o segundo volume nunca foi publicado e não há nenhuma previsão de que isso aconteça. A história completa é composta por 10 volumes, mas ainda assim, o primeiro volume é bem satisfatório.

De toda forma, “Imperdoável” é um ótimo título, rodeado de mistério, ação e horror. Uma verdadeira amostra do que o nosso mundo poderia sofrer se surgisse um super-herói e ele perdesse a cabeça. Para quem ainda tem dúvidas, Imperdoável é altamente divertido e muitíssimo recomendado. Quem quiser adquirir o título, pode clicar aqui e aproveitar o desconto. 

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.