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Quem cresceu no Brasil nos anos 90 deve se lembrar de Fly, o Pequeno Guerreiro, anime exibido no SBT. Ok, muita gente daquela época não sabe, mas este personagem e historia fazem parte da franquia Dragon Quest, a mais tradicional série de RPGs do Japão (sim, até maior que Final Fantasy por lá).
Não demorou muito para os games se espalharem para outras mídias e, assim, surgia Dragon Quest Dai no Dai Boken, um mangá com 37 volumes que virou um sucesso de vendas no Japão. Pois é, o verdadeiro nome de Fly é Dai, que foi alterado por motivos comerciais no nosso país. Com o sucesso do mangá, tivemos o anime, fruto de parceria da Enix (antes da fusão com a Square) e Toei Animation.
Além disso, não posso deixar de citar que o anime acabou ganhando um remake em 2020 com uma animação muito mais moderna e que, finalmente, adaptou o que o primeiro anime não conseguiu (o antigo só adaptou um terço da história original do mangá).
E o game?

Sim, com o sucesso de Dai no anime e mangá, não é surpresa que ele chegaria para a mídia que originou sua franquia. Na verdade, existe mais de um game, contando o mobile que já foi lançado, mas Infinity Strash é a entrada de Dai nos jogos de console.
Inicialmente anunciado como um game Action RPG, a verdade é que Infinity Strash é basicamente um tipo de visual novel. Primeiramente, temos um mapa em que você segue a sequência da história, a partir disso, temos uma apresentação de tudo que Dai passou em suas aventuras no anime, meio que como um slideshow com dublagem (muito bem feita, por sinal).
Os slides em questão são praticamente screenshots do anime, ordenadas e ressaltando os principais momentos, como se fosse um recordatório de tudo que aconteceu na série, mas, em raros momentos, temos animações usando a engine do jogo, que são simplesmente fantásticas.

Porém, tais apresentações podem durar até 10 minutos cada e, só depois de mostrar tudo é que finalmente batalhamos. Ou seja, prepare-se para assistir bastante, faça um lanche, aproveite o show, pois a parte de jogar mesmo… demora. Claro, é óbvio que você pode pular as cenas, principalmente se assistiu o anime há pouco tempo.
O jogo começa contando a mesma história do anime, contando a origem das aventuras de Dai, mas segue até a vitória no Castelo da Rocha Demoníaca. Após isto, a história acaba meio que de forma abrupta. É possível que mais aventuras sejam adicionadas em forma de DLC ou expansões, já que ainda há muito para adaptar (praticamente metade da série).
Através de sua jornada, você conhece e recruta os Discípulos de Avan para formar sua party. Todos os personagens possuem diferentes golpes e vantagens. Uma curiosidade é que você não consegue novas habilidades por upar seus personagens, na verdade, você precisa progredir na história para ganhar novas skills.

Você ainda pode ganhar várias roupas e visuais diferentes para os personagens, que podem ser customizados com elas. Porém, vale dizer que são mudanças puramente cosméticas. A mudança de atributo mesmos vem a partir dos cards chamados de Bond Memory. Cada um deles tem uma classificação de 1 a 3 estrelas e quanto maior o número, mais poderoso é o card.
Com seus cards em mão, você precisa ir para o Temple of Recollection, um local que abre no começo da história e que você pode ir lá para dar upgrade em suas habilidades, feitiços e Bond Memories.
Temple of Recollection
Lá você precisa passar pelo modo “Roguelike” do jogo. O seu nível é totalmente separado do nível da campanha e você começa cada run no nível 1. Cada andar é recheado de monstros, que você precisa vencer para avançar e ganhar recompensas. É com essas recompensas que você consegue dar upgrade nos seus itens. Caso você tenha avançado, perdido e quer continuar do andar em que parou, é possível, basta selecionar isso no menu.
O templo meio que reutiliza os bosses e monstros da história principal, há alguns exclusivos, que não aparecem na história de Dai. Mas até pra dominar o templo inteiro, você precisa avançar na história.
A Batalha

O game utiliza um modo de batalha que realmente segue a ideia de um Action RPG, mas com comandos bem simples, que trazem golpes animados, dentro de áreas limitadas em que geralmente você enfrenta apenas um inimigo – um boss que possui uma longa barra de vida.
Ok, não estou criticando o fato de termos apenas lutas de boss no geral, mas eu esperava um pouco mais de RPG neste game. Você não pode explorar locais, nem iniciar conversas com NPCs, receber quests e descobrir mais detalhes, nem dá pra visitar lojas e comprar itens. Geralmente é ver vídeos, lutar e depois gerenciar seus personagens no menu.
Por fim, as mecânicas de bosses são praticamente as mesmas. Você só precisa se preocupar em acertar o inimigo e não ser atingido. Há algumas batalhas com mecânicas diferentes, mas isso representa um número ainda pequeno frente ao número total.
Após zerar, você ainda abre um novo modo, o Desafio, que traz as mesmas batalhas contra versões ainda mais poderosas dos monstros. O que é bom pra você continuar ganhando recompensas e treinando sua party.
Vale a pena?

Como um grande fã da franquia Dragon Quest (eu realmente joguei todos que já foram lançados), eu curti bastante o visual, música e também a própria ideia de ter um jogo de Dai. Entretanto gostaria que a experiência desse um pouco mais de liberdade para o jogador.
No fim, Infinity Strash se torna uma ótima forma de apresentar um game da franquia para um novato ou para crianças, mas é uma pena que não haja opção em português do Brasil por enquanto. Porém, para quem busca um action RPG, talvez Infinity Strash não seja exatamente o que você busca, é preciso equilibrar as expectativas e o game acaba sendo um ótimo recordatório do anime. E é isso, um game feito para os fãs.
- Desenvolvedora: Kai Graphics
- Publisher: Square Enix
- Plataformas: PlayStation, Nintendo Switch, Xbox, PC, Steam
- Review feito no: PlayStation 5
- Um bom recordatório do anime
- Ótima trilha sonora
- visuais incríveis
- Você assiste muitas cenas e joga pouco
- Pouca liberdade






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