Se no primeiro ano de Injustiça: Deuses Entre Nós tivemos a construção de todo o background da história, e no segundo ano tivemos uma trama envolvendo os Lanternas Verdes, agora chegou a vez do panteão mágico do Universo DC chegar à HQ, com a inclusão de um certo mago britânico que não está nada satisfeito com a ditadura do Superman. No volume 5 da publicação brasileira, que compila as edições de 1 a 7 de Injustice – Gods Among Us: Year Three, temos a primeira metade do terceiro ano da série, que introduz John Constantine como um forte aliado à Insurgência liderada por Batman.
O roteirista, Tom Taylor, mostra novamente que fez sua lição de casa para trabalhar com tantos personagens da editora ao mesmo tempo, e sua caracterização de Constantine é excelente. Apesar de, assim como na versão dos Novos 52, o personagem estar inserido no meio do universo dos super-heróis, sua abordagem é bem mais próxima do velho mago do selo Vertigo. Não temos shows de pirotecnia e raios saindo das mãos do personagem, e sim o bom e velho John que utiliza a magia de forma bem mais sutil e equilibrada. A forma como o personagem é inserido no confronto que dividiu o universo DC de Injustiça também é bastante crível e plausível, apesar de simplória. É revelado que o personagem possui uma filha, Rose, que acabou perdendo a mãe durante a guerra de Superman com os Lanternas Verdes na edição anterior. Revoltado pela infância da garota lhe ter sido retirada e por ter que inseri-la em seu mundo, Constantine decide se vingar de Superman derrubando o seu regime. É simples, é até um tanto jogado no roteiro, mas é algo que o personagem faria.

O mundo da magia dá as caras nessa edição de Injustiça não apenas porque John Constantine resolveu entrar na jogada trazendo o máximo de conhecidos que poderia, como Detetive Chimp, Madame Xanadu e Retalho, mas também porque o Espectro – o espírito da Vingança – um dos seres mais poderosos do mundo da magia no Universo DC, decide tomar partido por Superman, satisfeito com a paz forçada trazida pelo Homem de Aço. Contra um adversário tão poderoso, a equipe de Batman começa a repensar novos planos para fazer frente ao Regime, o que inclui parcerias inusitadas e pactos que demonstram todo o desespero do lado rebelde.
Ao mesmo tempo que o quadrinho mostra que Superman continua cruzando linhas das quais não se tem retorno – como aceitar tortura como um método de interrogatório – Taylor procura trabalhar com o personagem de forma a mostrar que ainda existe um pouco do velho Clark ali, quebrado devido aos seus traumas, mas que verdadeiramente acredita estar fazendo o melhor para a humanidade. Em certo ponto da história, o personagem inclusive admite que caiu muito, ao mesmo tempo em que se decepciona com determinada atitude de Batman, que faz um sacrifício inimaginável para conseguir ser capaz de parar aquele que outrora foi seu melhor amigo. A última história do encadernado, inclusive, que traz a despedida de Tom Taylor do título, traz uma belíssima e interessante abordagem sobre o Homem de Aço, mostrando como seria o futuro se o desastre da primeira edição não tivesse ocorrido.

Assim como foi o volume 3, que apenas plantou as sementes para a guerra com os Lanternas Verdes na edição seguinte, aqui temos o terreno sendo preparado para o que parece ser uma grande guerra envolvendo todo o mundo da magia. Se com o palco se armando, já tivemos uma quantidade considerável de mortes – algo já característico na história – é de se imaginar que o próximo volume trará um embate ainda mais sombrio, com baixas para ambos os lados. Apesar de muitos acharem Injustiça um quadrinho fraco, principalmente por ser advindo de um game, considero que a HQ cumpre muito bem o papel que se propõe. Como a história do game é completamente auto-suficiente, é realmente louvável o que o gibi consegue trazer, contando o período de cinco anos que antecede o jogo, enquanto cria situações interessantes envolvendo praticamente todos os personagens do Universo DC.
Infelizmente, na próxima edição já não contamos com os roteiros de Tom Taylor, o inventivo escritor que vem tomando conta da histórias desde sua concepção. Taylor, que na época saiu do título para escrever o Homem de Ferro Superior na Marvel, é substituído por Brian Buccellato (Flash), escritor que fica com a árdua tarefa de manter o nível e a qualidade da série, e justo bem no meio de um arco em andamento. O volume 6 de Injustiça, que traz o final do terceiro ano capitaneado por Buccellato, deve chegar aqui no Brasil pela Panini no segundo semestre de 2016.






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