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Jujutsu Kaisen: Execução chega aos cinemas com uma pitada de desconfiança, afinal, o próprio formato coloca qualquer fã em alerta. A prática recente de transformar recapitulações de temporadas e prévias de novos episódios em “filmes” gerou uma fadiga evidente no público. Solo Leveling e até a própria franquia Jujutsu Kaisen já pagaram esse preço. A pergunta que martela na cabeça de todo mundo antes de entrar na sala é simples: vale a pena rever algo que está disponível no streaming só para assistir poucos minutos inéditos na tela grande? Mas a surpresa é que, desta vez, funciona. E funciona melhor do que deveria.

Um filme que não tenta ser filme

Naoya Zenin e Choso em cena de JUJUTSU KAISEN: Execução
Reprodução/MAPPA

Execução abraça sua natureza híbrida sem sentir remorso. Ele não tenta disfarçar o DNA televisivo nem cria uma narrativa artificial para justificar a ida ao cinema. Em vez disso, a obra assume a missão de condensar o caos brutal do arco de Shibuya e, logo depois, abrir a porta para o início do Jogo do Abate com os dois primeiros episódios da terceira temporada.

Para quem chega sem conhecer o universo da série, a experiência é muito caótica: nomes, maldições, clãs, mortes e conceitos são despejados com a velocidade de uma avalanche. Na verdade, a recapitulação funciona mesmo como um grande clipe, sem qualquer explicação ou direcionamento do longa. A quantidade de informações é tão densa que, por momentos, parece que alguém está despejando informações soltas dentro de sua cabeça.

Para os veteranos, no entanto, a estrutura funciona como uma cápsula de adrenalina: um resumo intenso, emocional e estilizado de tudo que Shibuya teve de mais chocante.

Visual e som em estado de exuberância

Yuta Okkotsu em cena de Jujutsu Kaisen: Execução

Se existe uma certeza, é isso: Execução é visualmente deslumbrante. As batalhas são puro delírio audiovisual, com criaturas grotescas, sangue, demônios, explosões e paisagens apocalípticas que parecem arrancadas de um pesadelo grandioso demais para caber em uma tela de TV. Shibuya em colapso ganha vida com uma precisão quase cruel, reforçada pelos enquadramentos agressivos e pelo senso de movimento que a MAPPA domina como poucos estúdios hoje.

A trilha sonora segue pelo mesmo caminho. Entre faixas bombásticas e momentos de suspensão melancólica, o som guia o espectador como uma força invisível, elevando cada golpe e cada revelação. As atuações seguem impecáveis e ajudam a sustentar a carga emocional, mesmo quando o combate acelera mais do que deveria.

O compilado que não parece um compilado

Yuta Okkotsu e Yuji Itadori correndo em cena de JUJUTSU KAISEN: Execução
Reprodução/MAPPA

A grande virada de Jujutsu Kaisen: Execução é entender que um resumo não precisa ser uma colagem sem alma. Há intenção estética aqui. Há ritmo. Há escolhas de montagem que criam sentido, mesmo condensando dezenas de episódios em minutos. A versão “compactada” funciona quase como uma tortura emocional, enfatizando suas perdas de forma ainda mais crua.

Em vez de apenas “lembrar o que aconteceu”, Execução reorganiza os eventos para transmitir o peso psicológico da história e isso dá personalidade ao filme, principalmente pela forma como encontramos Yuji Itadori, carregado de peso, culpa e dor.

E então chega a 3ª temporada

Yuji Itadori em cena de JUJUTSU KAISEN: Execução
Reprodução/MAPPA

O verdadeiro motivo que leva as pessoas ao cinema é a antecipação de temporada. E, felizmente, os dois episódios presentes aqui são excelentes. A abertura do Arco do Extermínio já mostra que o Jogo do Abate será bombástico, imprevisível e emocionalmente corrosivo. Os confrontos entre Yuji, Choso, Yuta e Naoya têm impacto físico, peso dramático e um senso de urgência que poucos animes de ação conseguem replicar.

Só há um porém: a apresentação das regras do Jogo do Abate é atropelada. São tantas condições, exceções e detalhes que a montagem passa por cima de quase tudo, deixando só quem lê kanji rápido o suficiente para realmente absorver o conteúdo. E são muitas regras, caberia melhor uma narração de todas elas, eu sei, poderia até quebrar o ritmo, mas ajudaria a entender o que vem por aí. É um ponto fraco em meio a uma expansão de universo que merecia um respiro.

Uma porta de entrada? Um presente para fãs? Os dois.

Por mais que Execução ainda carregue o estigma dos “filmes compilatórios”, ele acaba encontrando um propósito próprio. Para iniciantes curiosos após verem Demon Slayer ou Chainsaw Man explodirem nas bilheterias, funciona como um teaser agressivo e chamativo. Para fãs veteranos, é um esquenta empolgante para a temporada mais importante da série. De um jeito estranho, o formato finalmente encontrou uma razão para existir.

Jujutsu Kaisen: Execução
  • Desenvolvedora: Mappa
  • Publisher: Sony
Positivo
  • Visual e som em nível altíssimo, dignos de cinema
  • Dois episódios inéditos fortes, com excelente direção e ritmo
  • Recapitulação estilizada que transmite emoção e não apenas informação
Negativo
  • Regras do Jogo do Abate são apresentadas rapidamente
Nota 8
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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