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punisher

Depois do último encontro entre Frank Castle com o Mercenário, o Justiceiro saiu quase morto e foi parar na prisão. Mas não foi a cadeia e nem os ferimentos que quase acabaram com o Frank que conhecemos, mas sim palavras. As palavras que ele ouviu do Mercenário no fim da última edição (Justiceiro Max: Mercenário) – as palavras que ele imaginou que Frank disse para sua esposa antes dela ser assassinada junto com seus filhos. Enquanto Frank se recupera, as gangues o rodeiam, como se fossem abutres, esperando o momento certo para acabar com o Justiceiro de uma vez por todas.

Jason Aaron reafirma que a morte da família de Frank naquele parque foi o gatilho trágico que deu sinal verde para ele se tornar a pessoa que precisava/queria ser: O Justiceiro. Porém, é preciso dizer que, apesar de você imaginar que é repetitivo ver essa história, tudo é apresentado de forma brilhante nas páginas deste material, especialmente a página que mostra o momento anterior a tudo isso acontecer. Sinceramente, eu diria que esta é a melhor origem do personagem. Aaron mergulha na psiquê de Frank Castle e traz argumentos convincentes de como o Justiceiro chegou tão longe. Tudo faz sentido graças ao roteiro incrível que Aaron produz.

A forma como Aaron e o artista Steve Dillon mostram o passado (em seu lar) ao lado do presente (na prisão) não é algo muito sútil, mas mexe bem com os temas de isolação e restrição. No presente, Frank está preso na cadeia. No passado, Frank está preso a uma vida comum. A força de Dillon como artista está nos seus personagens. Seus painéis são sempre preenchidos com um ou mais personagens em destaque – ele não trabalha tanto com paisagens ou cenas abertas, nem com nada experimental. Mas ele é um cara que é muito bom no que faz, particularmente em expressões faciais – Dillon tem um estilo único e inconfundível. Seu trabalho continua impressionante.

A prova de fogo para qualquer roteirista do Justiceiro é mostrar ser capaz de escrever uma ótima história com Frank no centro dela, visto que, geralmente, ele funciona melhor no background do conto, esperando apenas o momento certo para espalhar toda a sua fúria. Jason Aaron consegue passar no teste com louvor. Ele humaniza Frank Castle de uma maneira nunca antes feira e, lentamente, nos mostra a criação de um monstro. Existem trevas no coração do Justiceiro, mas não é exatamente o que você deve estar pensando.

No fim, Jason Aaron e Steve Dillon conseguem entregar uma verdadeira análise do Justiceiro. Com o fim deste volume, fico ansioso pelo próximo (que é o último). Aaron demonstra um entendimento único do personagem, talvez, este seja o melhor material já escrito sobre Frank Castle. Altamente recomendado.

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.