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Desde os primeiros minutos em Kingdom Come: Deliverance II, fica evidente que a Warhorse Studios elevou todos os aspectos da experiência medieval do jogo original. Se o jogo de 2018 parecia uma ótima ideia com uma execução que deixava a desejar pela otimização ruim e problemas recorrentes de programação que geravam bugs e conflitos em missões, podemos dizer que agora o estúdio finalmente entregou o que queria – ou ao menos algo bem próximo disso.

A sequência mantém a proposta de realismo imersivo, mas agora tudo parece mais polido, com gráficos aprimorados, uma narrativa ainda mais envolvente e mecânicas refinadas. A sensação de estar em um mundo vivo é impressionante, com NPCs que seguem rotinas complexas e reagem dinamicamente às ações do jogador, tornando cada decisão ainda mais impactante. Não apenas isso, mas é comum encontrá-los conversando entre si, opinando sobre eventos que estão acontecendo na região, o que torna a imersão ainda maior.

Mapa de Kingdom Come
Reprodução/Warhorse Studios

Mas por falar em imersão, em alguns momentos aqueles velhos problemas ainda dão as caras, e embora alguns sejam bem irrelevantes e completamente aceitáveis, outros chegam a incomodar. Um exemplo disso envolve o fato de você não poder invadir as casas das pessoas, ou eles chamarão um guarda. Até aí, tudo bem. Mas é bem frustrante quando você está dentro da casa de alguém por alguma missão do jogo, conversando amigavelmente com o NPC, e assim que a linha de diálogo acaba, ele começa a expulsá-lo furioso porque a programação se sobrepõe e diz que ele deveria agir assim com quem estivesse dentro da casa dele.

O combate, um dos pontos mais desafiadores do primeiro jogo, foi ajustado para ser mais acessível sem perder a profundidade. O sistema de espadas ainda exige precisão e estratégia, mas agora os golpes parecem mais fluidos, e os erros não são tão punitivos para os iniciantes. Além disso, há mais opções para quem prefere abordagens furtivas ou diplomáticas, permitindo que os jogadores moldem suas jornadas de maneiras variadas. A nova física das armas e armaduras também adiciona uma camada extra de realismo, influenciando diretamente no desempenho durante os combates.

A história, que continua acompanhando Henry, está mais rica e repleta de momentos emocionantes. Logo no início, é possível perceber que o roteiro está mais ambicioso, com diálogos que se adaptam melhor às escolhas do jogador e missões secundárias que têm peso real dentro do mundo. Os dilemas morais são mais complexos, e as decisões nunca parecem preto no branco, o que reforça a sensação de um RPG autêntico e imprevisível. O humor sutil e os conflitos políticos tornam a narrativa ainda mais envolvente.

Reprodução/Warhorse Studios

Não poderia ser diferente, afinal, o roteirista do jogo e cofundador do Warhorse Studios, Daniel Vávra, já havia revelado o tamanho assustador do roteiro do game em forma física, confirmando 2 milhões de palavras – o equivalente a 100 roteiros de cinema ou 25 livros.

Outra grande melhoria está na ambientação. As cidades, vilas e castelos são mais detalhados, com uma arquitetura que respeita fielmente o período histórico. Cada local tem uma identidade própria, e a transição entre diferentes regiões acontece de forma mais orgânica. Pequenos detalhes, como o desgaste das roupas e os efeitos do clima, contribuem para a imersão.

Na verdade, podemos dizer que tudo no jogo se tornou mais acessível, o que deve expandir sua base de jogadores. Até mesmo o sistema de sobrevivência foi ajustado para ser menos frustrante, mantendo o realismo sem se tornar um obstáculo exagerado para a progressão. Você ainda precisa prestar atenção em se alimentar, descansar devidamente e até mesmo manter um certo grau de higiene, mas tem os meios de conseguir equilibrar isso com muito mais facilidade.

Reprodução/Warhorse Studios

A IA dos personagens também merece destaque. Guardas e habitantes das cidades agora reagem melhor ao comportamento do jogador, seja no cumprimento de leis, no uso de armas em público ou até mesmo na forma como Henry se veste e se porta. Um mercador pode se recusar a vender produtos se você estiver com uma aparência suspeita, e uma armadura suja pode influenciar diálogos com nobres. Essa atenção aos detalhes torna cada interação mais autêntica e reforça a importância de viver verdadeiramente dentro daquele mundo medieval.

A forma como o jogo lida com missões secundárias e tarefas também é digna de nota, pois mesmo aquelas que pareçam mais simples à primeira vista, se desenrolam para algo maior, que vai trazer informações relevantes para o mundo e para os personagens. Além disso, a maioria delas se estende para eventos tão interessantes que é normal que você se veja por horas sem sequer tocar em uma missão principal e mesmo assim sentindo uma progressão satisfatória. 

Se Kingdom Come: Deliverance já era um dos RPGs mais únicos da geração passada, a sequência consegue elevar a fórmula a um novo patamar. Com melhorias em praticamente todos os aspectos, desde combate e narrativa até gráficos e mecânicas de sobrevivência, a Warhorse Studios entrega um mundo mais vivo, desafiador e recompensador. 

Leia mais sobre Kingdom Come: Deliverance 2:

O jogo é descrito como “um empolgante RPG de ação, ambientado no caos de uma guerra civil na Boêmia do século 15.

No jogo, você é Henry de Skalitz, um homem comum fazendo coisas extraordinárias, que está preso em uma empolgante história de vingança, traição e descoberta.

Kingdom Come: Deliverance II
  • Desenvolvedora: Warhorse Studios
  • Publisher: Warhorse Studios
  • Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
  • Review feito no: PlayStation 5
Nota 8