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downloadE a Panini segue dando continuidade à publicação da aclamada fase do roteirista Geoff Johns à frente da revista Lanterna Verde em encadernados capa-dura, trazendo esse mês o sétimo volume da coletânea, intitulado de A Ira dos Lanternas Vermelhos. Partindo diretamente do ponto onde havia parado a histórias nos dois últimos encadernados que compilavam A Guerra dos Anéis, a primeira metade da HQ funciona como uma espécie de epílogo, mostrando a reestruturação da Tropa pós-guerra, e os resultados da enorme batalha que deixou seu rastro de destruição pelo universo.

Novamente Johns mostra o quanto soube trabalhar o vilão/anti-herói Sinestro durante sua passagem pelo título, ao entregar diálogos incríveis entre o Korugariano e seu ex-aluno Hal Jordan. Com a nova lei dos Guardiões do Universo de que os Lanternas Verdes podem usar de força letal, Sinestro é condenado à morte, e o que vemos é uma conversa incrível entre os dois personagens, no qual entendemos (mais ou menos) as convicções e objetivos de Sinestro, por mais estranhas que suas ideias e ações possam parecer. Johns consegue transparecer para o leitor a ideia de que o vilão será executado como mártir, e de que tudo que fez até ali – por incrível que pareça – é pelo bem da tropa verde, a qual ele ainda possui completa devoção, acreditando que o grande problema dentro dela são os Guardiões.

Mais do que isso, o diálogo consegue vender a ideia de que – como o próprio afirma – Sinestro foi o grande vencedor da guerra. E o pior, todo o contexto ideológico onde o vilão afirma ter saído vitorioso do conflito é feito enquanto ele está preso dentro de uma cela. E mesmo assim o diálogo convence o leitor. Não é a toa que a partir dessa época a popularidade de Sinestro só crescia, ao ponto de alçá-lo hoje como um dos melhores vilões da DC, ao lado de pesos pesados como o Coringa.

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Como disse antes, a HQ praticamente se divide em duas partes, com a primeira servindo não apenas de epílogo para a Guerra dos Anéis, mas também como introdução da mais nova ideia dos Guardiões: os Lanternas Alfa. Basicamente, são membros da Tropa escolhidos para sofrerem uma espécie de cirurgia cósmica que serve não apenas para fundir seus corpos aos anéis, mas também para limar completamente as emoções, fazendo uma espécie de mescla entre o poder dos Lanternas Verdes e a justiça fria e metódica dos Caçadores Cósmicos, a primeira tentativa falha dos Guardiões em criar uma força policial intergalática.

E os Lanternas Alfa surgem em um momento crucial da história, justamente quando a Lanterna Verde Laira mata sem piedade o membro da Tropa Sinestro Amon Sur, mesmo após ele ter se entregado para ser preso. Detalhe: Amon havia assassinado toda a família de um Lanterna Verde morto em combate na guerra, e seu objetivo ao se entregar era servir de exemplo para que outros membros da Tropa Sinestro fizessem o mesmo com as famílias de Lanternas Verdes pela galáxia. Seria então o caso de Laira uma morte justificada ou a execução de alguém que se rendeu? Justiça ou assassinato?

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O julgamento de Laira é o ponto de partida para a segunda metade do encadernado, quando finalmente tem início o arco que dá nome ao encadernado, A Ira dos Lanternas Vermelhos. Quando Atrócitus funda a Tropa dos Lanternas Vermelhos utilizando o sangue das Inversões no Planeta Ysmault, diversas pessoas passando por momentos de angústia, ódio e sentimento de vingança pelo universo são selecionadas pelos anéis vermelhos, e Laira – recém expulsa da Tropa dos Lanternas Verdes e completamente ressentida com o fato – acaba sendo um das escolhidas.

Com o objetivo fixo de capturar Sinestro e lhe dar a punição devida, a recém fundada Tropa Vermelha ataca o comboio de Lanternas Verdes que levaria o prisioneiro para seu local de execução e seguem em direção a Ysmault, onde o Korugariano é torturado enquanto Atrócitus planeja sua vingança não apenas contra Sinestro, mas toda a sua linhagem.

É quando temos conhecimento então que a Tropa Azul já havia sido fundada pelos Guardiões desertores Ganthet e Sayd, que informam a Hal Jordan que Sinestro simplesmente não pode morrer. Segundo a Tropa Azul – composta até então por Santo Andarilho e Warth – o ex-mentor de Jordan tem participação crucial em eventos que ainda irão se desenrolar no universo, e em profecias que envolvem A Noite Mais Densa. Cabe então a Jordan partir para Ysmault cheio de indecisões na cabeça e a grande dúvida se deve salvar ou não esse homem a quem deve tanto e que ao mesmo tempo odeia tanto.

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É interessante observar como ao longo da história, Johns já vai plantando as sementes sobre as profecias que envolvem a guerra das luzes e A Noite Mais Densa, ao introduzir duas novas cores de tropas (a vermelha e a azul), dar um upgrade nas Safiras Estrelas inserindo nas personagens também um conceito de tropa, além de já dar o pontapé inicial na apresentação da cor Laranja do espectro emocional, algo que será trabalhado no próximo encadernado a ser lançado pela Panini: O Agente Laranja.

Aliás, Agente Laranja é o último encadernado antes da mega-saga A Noite Mais Densa, o que nos faz pensar que provavelmente no ano que vem veremos essa história sendo publicada em edição definitiva pela Panini. Aliás, ponto positivo para a editora, que vem lançando essa excelente fase que redefiniu o Lanterna Verde e o colocou novamente no topo dos super-heróis, na íntegra e em belíssimas edições capa dura. O Lanterna Verde de Geoff Johns é material essencial para qualquer colecionador, e o mais impressionante é que é uma fase com início, desenvolvimento, e por incrível que pareça… até mesmo um fim (na medida do possível em se tratando de quadrinhos americanos).

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