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Após um grande intervalo de tempo entre as publicações de Guerra dos Anéis e A Ira dos Lanternas Vermelhos, parece que a Panini resolveu apressar um pouco as coisas no que se trata dos encadernados da fase do aclamado roteirista Geoff Johns à frente da revista Lanterna Verde. Isso porque, pouco tempo depois (cerca de um mês) de lermos a batalha contra Atrócitus e seus lanternas vermelhos, já chegou às bancas o encadernado Lanterna Verde: Agente Laranja, continuação direta do volume anterior e que traz a introdução da incomum Tropa Laranja e seu doentio líder, Larfleeze.

Antes de começar de fato a resenhar esse quadrinho, acho importante contextualizar o título que dá nome ao arco. Historicamente, o agente laranja trata-se de um poderoso herbicida utilizado pelos EUA na guerra do Vietnã como desfolhante, cujo objetivo era destruir as selvas que os vietcongues utilizavam para se esconder. O problema é que o produto contém altas doses de dioxina,cujos efeitos vão de câncer a malformações físicas e mentais. Até hoje o país sofre com os efeitos deixados pelo agente laranja, considerado uma das substâncias mais perigosas do mundo. Dessa forma, Johns escolheu o termo para designar Larfleeze, o agente laranja que dá título à história.

Na trama, que parte exatamente de onde terminou o volume anterior, vemos os Controladores – uma espécie de rivais dos Guardiões do Universo – chegando ao sistema Vega, mais exatamente no planeta Ookara, onde finalmente localizaram a existência da cor laranja do espectro emocional. Seu plano, como já era de se esperar, é criar uma Tropa Laranja seguindo os moldes da Tropa Verde, para fazer frente aos Guardiões, e depois de derrotá-los…. ora, vejam só… controlarem o universo. O que não esperavam era que a bateria energética estaria em posse de Larfleeze, e que o espectro emocional laranja nada mais é do que a avareza, fazendo com o que a estranha criatura seja egoísta, vingativa e extremamente possessiva. Um erro que custa a vida dos Controladores, dizimados pela Tropa Laranja.

End_of_the_controllers

Algo interessante sobre o conceito de Larfleeze e que difere a sua Tropa totalmente de qualquer outra, é o fato de que todos os membros na verdade não passam de construtos feitos pelo próprio Larfleeze, tornando-o na verdade o único portador de um anel de fato. O Agente Laranja é tão poderoso que seu espectro era temido até mesmo pelos Guardiões, os quais haviam lhe proposto um acordo onde a criatura deveria ficar para sempre no sistema Vega, em troca de nunca ser incomodado. Para cumprir o acordo, foi estipulado no livro de Oa que Vega seria um sistema completamente proibido para os Lanternas Verdes. No entanto, a aparição dos Controladores enfurece Larfleeze, que acredita que o pacto foi quebrado, e que portanto, os Guardiões devem pagar.

Esse desentendimento traz um clima de guerra pairando por sobre Oa, ao qual os Guardiões decidem revidar de uma vez por todas, ao contrário da decisão ocorrida bilhões de anos atrás, quando ainda não possuíam a força dos Lanternas ao seu lado. Se Larfleeze saiu de seu sistema buscando guerra, é guerra que ele teria. 

Mas agora falando sobre o grande protagonista da história, aquele que é considerado o maior Lanterna Verde de todos os tempos (há controvérsias), encontramos Hal Jordan ainda sofrendo os efeitos da batalha contra os Lanternas Vermelhos em Ysmault, quando foi dominado por um anel vermelho e só teve sua sanidade – e sua vida – restauradas graças a intervenção de um anel azul. Agora no planeta Odyn encarando o problema de ter um anel azul preso à sua mão e que não quer sair de maneira alguma, Jordan acaba sendo empurrado para a guerra contra Larfleeze enquanto precisa entender o funcionamento do espectro emocional da esperança, um sentimento que não é comum ao piloto.


O mais interessante, como sempre, é o tratamento que Geoff Johns dá às diferentes cores do espectro emocional, principalmente durante essa fase da revista, denominada Guerra das Luzes, que posteriormente levará à fatídica e profetizada Noite Mais Densa. Como já disse em outras ocasiões, acho sensacional toda a grandiosidade que o roteirista trouxe para o universo do Lanterna Verde com a criação das diversas cores e seus respectivos aspectos emocionais, mas o mais interessante de tudo é o detalhamento cuidadoso que Johns dá para cada cor, como é o caso aqui, onde trata especificamente do azul – introduzido no volume anterior – e do laranja. 

Todo o conceito dos anéis azuis só funcionarem quando próximos de um verde, por exemplo, é genialmente explicado pelo fato de que a esperança, ainda que seja um sentimento forte, não traz frutos se ficarmos apenas esperando sentados. Esperança requer força de vontade, que obviamente, é o que move os anéis verdes. Simples, porém nada menos que genial.
Já sobre o espectro laranja, chega a ser poético o fato de que o portador do anel que simplesmente quer ser o possuidor de tudo… não possui nada. A ganância e o egoísmo de Larfleeze faz com que o ser mais possessivo do universo seja completamente solitário, acompanhado por uma tropa inexistente criada pelos seus próprios construtos. São conceitos simples à primeira vista, mas que se analisados friamente nos dão uma ideia de porque a fase de Geoff Johns pelo Lanterna Verde é tão elogiada, figurando como a melhor que o personagem já teve.

Além de ser continuação direta de A Ira dos Lanternas Vermelhos, trazendo algumas consequências do que já havia sido apresentado lá, Agente Laranja funciona também como um prólogo da saga A Noite Mais Densa, que é o próximo encadernado a ser lançado pela Panini se continuarem seguindo as publicações de Johns. Com o terreno já sendo preparado no final desse volume pela Guardiã Cicatriz, temos uma série de prólogos da saga que servem como apêndice da edição, já mostrando o que vem por aí. Agora é aguardar e torcer para que o próximo encadernado chegue com a mesma velocidade com que veio esse. E que venha A Noite Mais Densa!