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Em 2015, Life is Strange conseguiu chamar a atenção da crítica e da audiência, ganhando fãs ao redor do mundo com uma história que mistura o sobrenatural e o cotidiano dos relacionamentos. Agora, a franquia ganha uma nova história, sim, Life is Strange 2.

Se você nunca jogou o primeiro, não precisa se preocupar. Não existe nenhuma barreira que impeça você de jogar. Antes de mais nada, devo dizer que este novo jogo possui alguns elementos políticos. Afinal, temos uma força policial racista no game, que serve como uma crítica para a América moderna. Apesar dos tais elementos políticos não serem o foco da história, ao menos não no primeiro episódio, é interessante ver como o jogo tenta tocar no assunto.

E, apesar de ser uma sequência, o jogo não traz nenhum dos personagens do primeiro jogo, apenas algumas referências que mostram que os dois jogos se passam no mesmo universo. Algo bem corajoso, já que os personagens do primeiro jogo foram bastante elogiados pelos jogadores. Porém, o jogo pergunta se você jogou o primeiro jogo e qual foi sua decisão final, dando a entender que teremos mais conexões em breve.

Além disso, o personagem Chris, que participou do prólogo grátis ‘The Awesome Adventures of Captain Spirit’, não está neste primeiro episódio. Aqui, seguimos os irmãos Daniel e Sean Diaz, filhos de um pai solteiro mexicano, imigrante. Os garotos são forçados a fugir a partir do momento em que Daniel começa a desenvolver poderes telecinéticos. Sim, até parece uma história dos X-Men, mas as coisas não são tão simples. Chega um momento em que tudo se tornando chocante e inevitável e o jogo mostra que tem ainda mais coragem do que já foi falado antes neste review.

Life Is Strange 2 te coloca no papel de alguém que sofre preconceito e em tempos em que a intolerância é tão discutida, um jogo assim é muito bem vindo e se mostra bastante eficaz na conscientização de como as minorias podem sofrer. Aqui, você controla Sean, o irmão mais velho. O jogo funciona basicamente como o primeiro, o que nos faz lembrar muito da finada Telltale Games.

Porém, ao invés de manter as mecânicas do primeiro jogo, há algumas mudanças narrativas, começando pelo fato de que o personagem com poderes é seu irmão e não você, o protagonista. Sean é um garoto normal que precisa se tornar responsável e proteger seu irmão. Neste primeiro episódio, a preocupação é manter os garotos vivos, encontrando abrigo e comida, além de evitar os ataques extremistas de racistas.

Vale lembrar que o primeiro jogo foi bastante elogiado pelo desenvolvimento dos personagens e pelo trabalho com a narrativa. Ainda não dá para julgar o quanto o novo jogo vai evoluir nestas áreas, mas este primeiro episódio já conta com um bom número de decisões difíceis para serem tomadas.

Porém, a dinâmica que mais chama a atenção aqui é que qualquer uma das suas decisões, mesmo aquelas que são bobas e pareçam inúteis, possuem um grande efeito em Daniel, seu irmão mais novo. É possível que cada um de seus atos estejam influenciando diretamente no comportamento do garoto. Então, tome cuidado com o que faz na frente dele.

Há também uma boa evolução gráfica em relação ao primeiro jogo. As animações faciais ainda possuem certas limitações, mas os cenários estão bem mais bonitos. Entretanto, acredito que seria possível evoluir em alguns aspectos, tais como os cabelos dos personagens.

No fim, ainda não dá para saber qual caminho ‘Life is Strange 2’ irá seguir, mas é possível ter uma boa impressão. O jogo tem personagens interessantes e uma história envolvente. A narrativa parece ser mais complexa do que a do primeiro jogo, principalmente pela dinâmica de ter um irmão mais novo sendo influenciado por nossas ações. Os gráficos estão bem mais bonitos e a música é sensacional. É um começo promissor para uma temporada que pode ser inesquecível.



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