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Poucos jogos passaram tanto tempo no imaginário coletivo quanto Lost Soul Aside. Anunciado há quase uma década como o projeto solo de Yang Bing, o game passou por uma transformação completa depois que foi abraçado pelo China Hero Project da PlayStation, a iniciativa de mentoria e suporta para desenvolvedores sediados na China.
O problema é que, mesmo com uma escalada de produção e ambições maiores, o game ainda carrega os traços de um projeto pequeno – o que, dependendo do ponto de vista, pode ser tanto um charme quanto uma limitação. Tendo explorado tudo o que o jogo tem a oferecer, posso dizer que Lost Soul Aside é uma experiência tão fascinante quanto frustrante. Um jogo que até brilha em partes interessantes, mas tropeça em quase todo o resto.
A alma do jogo está no combate
Vamos direto ao ponto: o combate é o que justifica a existência de Lost Soul Aside. Ele é rápido, fluido, bonito e oferece uma profundidade surpreendente. Logo nos primeiros encontros, o jogo já apresenta o básico: combos, troca de armas, desvio perfeito, bloqueio com parry, ataques especiais, e aos poucos vai revelando mais e mais camadas. A sensação de aprendizado é constante, e quanto mais você entende as regras do jogo, mais divertido ele se torna.

Obviamente, como o combate é satisfatório, os chefes são o ponto alto. São muitos, são criativos, e são desafiadores. É aqui que Lost Soul Aside se transforma num verdadeiro teste de reflexo e domínio de mecânicas. Nada de spammar botão esperando por vitória – aqui, a vitória vem da leitura de padrões, da precisão cirúrgica e do domínio da esquiva no momento certo. Quando tudo encaixa, um dos sistemas de combate mais gostosos do gênero hack n’ slash nos últimos anos.
O problema é todo o resto
Infelizmente, esse sistema super interessante está cercado por um jogo que parece ter saído direto de 2015 – e não de propósito. A narrativa é um amontoado de clichês genéricos: império autoritário, rebelião, irmã sequestrada, energia misteriosa. O protagonista, Kazer, tem a profundidade emocional de um pires, e seus companheiros não ajudam em nada nesse aspecto.
A história até tenta ser épica, mas a maneira como é contada simplesmente não funciona. Diálogos forçados, cenas cortadas bruscamente por telas pretas, explicações jogadas em menus, e cutscenes que parecem estar sempre fora de ritmo.
A exploração é tão limitada quanto previsível. O design dos mapas é extremamente linear, com arenas conectadas por corredores estreitos, lembrando o medíocre Final Fantasy XVI, além de pouquíssima interação com o cenário. Há momentos de plataforma, puzzles simples e até algumas tentativas de variedade (como surfar na espada ou fugir de naves inimigas) mas tudo isso parece mais improvisado do que parte de uma visão coesa. Paredes invisíveis e áreas vazias reforçam a sensação de que o mundo foi feito às pressas, apenas para servir de pano de fundo para os combates.
E o sistema de progressão… bom, prepare-se para procurar NPCs escondidos que desbloqueiam funções básicas, como o aprimoramento de habilidades. Se você passar batido por um deles, o jogo simplesmente deixa de te avisar, e você corre o risco de ficar travado contra inimigos muito mais fortes sem nem entender o porquê. É uma decisão de design arcaica, que só atrapalha.
Vale a pena?
Lost Soul Aside é um jogo de extremos. Em termos de combate, ele entrega uma experiência de alto nível – comparável a títulos de peso como Devil May Cry e Bayonetta. Mas todo o resto parece ter ficado preso em outra geração. Narrativa rasa, personagens esquecíveis, estrutura linear e problemas técnicos perceptíveis até mesmo no PS5.
Se você é do tipo que gosta de combates frenéticos e simplesmente quer um jogo simples para não esquentar muito a cabeça, pode mergulhar sem medo. Agora, se busca uma história envolvente, personagens carismáticos e um mundo vivo para explorar… talvez seja melhor procurar em outro lugar.
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Em Lost Soul Aside, quando seres dimensionais invasores chamados Voidrax roubam a alma de sua querida irmã, Kaser embarca em uma jornada perigosa para combater essa terrível ameaça, salvar a irmã e libertar a humanidade.
- Desenvolvedora: Ultizero Games
- Publisher: Sony Interactive Entertainment
- Plataformas: PlayStation 5, PC
- Review feito no: PlayStation 5
- - Combate divertido
- - Inimigos desafiadores e variados
- - Narrativa cheia de clichês
- - Personagens unidimensionais
- - Exploração limitada e previsível
- - Sistema de progressão confuso