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Lançado originalmente em 2016, “Mafia III” está de volta com sua Edição Definitiva, integrando a recém-anunciada coleção “Mafia Trilogy“. Após várias críticas negativas na época, será que ainda vale dar uma chance? Confesso que, por ser grande fã da versão original de “Mafia II“, fiquei com um pé atrás em relação ao terceiro jogo, e talvez tenha sido justamente isso que fez minha experiência ser mais satisfatória.

Na trama, acompanhamos a jornada de Lincoln Clay, um veterano da Guerra do Vietnã que retorna para New Bordeaux (versão fictícia de Nova Orleans) em 1968, num momento de convulsão social, incluindo distritos dominados por mafiosos. Obviamente, não demora para que tudo na vida do protagonista se torne um grande inferno.

E vamos começar justamente por Lincoln, que honestamente, pode ser considerado um dos pontos altos do jogo. O trabalho de voz e captura de movimentos do ator Alex Hernandez é impecável, algo que ajuda a te cativar no desenvolvimento do personagem. Você rapidamente sente suas perdas, e investe na jornada de vingança.

Como era de se esperar, temos comandos bem diferentes dos jogos anteriores, mas acredito que tenha sido uma mudança para melhor. A jogabilidade é muito interessante, tanto enquanto controla Lincoln quanto algum veículo. Existe estabilidade e fluidez em praticamente todos os aspectos, especialmente no manuseio de armas, ainda que a inteligência artificial dos inimigos também deixe a desejar (algo que vamos comentar um pouco mais abaixo).

Ao redor de Lincoln, vários personagens secundários também se destacam, como Donovan, que serviu ao lado de Lincoln no Vietnã e é um dos seus amigos mais próximos, Cassandra, Burke, Padre James, mas especialmente Vito Scaletta, protagonista de “Mafia II” que retorna 17 anos mais velho, agora integrante da Comissão e um dos rivais do grande vilão Sal Marcano.

A história é desenvolvida de uma forma praticamente perfeita, no melhor estilo cinematográfico, com depoimentos dos envolvidos na jornada de Lincoln e até mesmo imagens reais de acontecimentos da época nos EUA (incluindo confrontos étnicos). Tudo isso ancorado em uma trilha sonora de dar inveja. Caso seja fã de clássicos (como eu), você vai sorrir várias vezes com Johnny Cash, Rolling Stones, Little Richard e várias outras lendas.

Algo que vale ser citado é que, ao contrário do que aconteceu no lançamento, desta vez não temos bugs ou glitches (pelo menos, não experimentei nenhum no meu gameplay). Ao que parece, Hangar13 e 2K conseguiram corrigi-los praticamente que na totalidade. Existem, no entanto, denúncias de jogadores de PS4 Pro e Xbox One X que a resolução 4K foi perdida na atualização da Definitive Edition, algo que as produtoras já se declararam cientes e vão resolver em breve.

Por falar em visual, trata-se de um ponto curioso do jogo. Os personagens são muito bem feitos, mas a falta de atenção em outros detalhes dos cenários é de se lamentar, especialmente por ser algo que não aconteceu em “Mafia II”, de 2010. Ou seja, a oscilação realmente pode incomodar, dependendo do seu nível de exigência.

O mundo aberto não traz praticamente nenhum atrativo, e a inteligência artificial dos NPC’s também ficam abaixo da crítica. Um dos momentos mais irritantes no gameplay é quando você está dirigido normalmente, e de repente, algum pedestre simplesmente pula em direção ao seu carro no meio da rua. Supostamente, seria para “desviar” do possível impacto. Supostamente, é óbvio.

Aqui, também existe a tentativa de equilibrar a ação com furtividade. Mas novamente esbarramos na inteligência artificial dos inimigos, que sempre fazem os mesmos movimentos. Ou seja, a partir de certo ponto, o desafio não fica tão grande.

Aliás, a duração do jogo, inchada pelas já famosas atividades repetitivas (conquistar territórios, interrogar informantes, destruir propriedades, etc), continua sendo um mistério. Com uma campanha principal tão bem definida, com missões elaboradas e diversas, algo que renderia facilmente 30-35 horas de ótima jogatina, qual a necessidade de inserir tanto material “filler”? Diria que se, pelo menos, 40% desse material tivesse sido deixado de lado no desenvolvimento, a recepção no lançamento seria mais positiva.

Vamos lembrar, “Mafia II” é um jogo curto, mas recebeu aclamação justamente por contar a história de forma competente, separada em capítulos. Talvez fosse o caso de manter o mesmo formato aqui.

Mafia III: Definitive Edition” consegue ser um ótimo entretenimento para novos jogadores, especialmente aqueles sem tanta expectativa ou conexão com a franquia.

Para finalizar, também temos as expansões “Faster, Baby“, “Sign of The Times” e “Stones Unturned” incluídas na Edição Definitiva, e todas são adições muito válidas à experiência do jogo. Todas as três são desbloqueadas após determinado ponto da trama, e é aconselhável joga-las antes de chegar muito perto do fim do jogo base.

Positivo
  • História praticamente impecável
  • Trilha Sonora
  • Desenvolvimento de Lincoln Clay
  • Personagens secundários bem elaborados
  • Expansões
Negativo
  • Visuais oscilantes
  • Atividades repetitivas
  • Mundo aberto sem atrativos
Nota 8
Redator do O Vício. Bruno Gomes é especializado em cultura pop, com mais de 10 anos de experiência cobrindo filmes, séries e franquias de sucesso. Apaixonado por filmes de ação, acompanha todas as novidades do multiverso em tempo real.