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Um deus bebe champanhe enquanto encara Singapura do alto de uma varanda. Desde a primeira página deste incrível material, dá para ver que este não é um conto convencional sobre deuses e deusas. Os criadores de “Mulher Maravilha: Sangue” forjaram um livro que te intriga, cativa e te deixa sedento por mais histórias da Mulher-Maravilha e dos personagens que são mostrados aqui. Brian Azzarello escreve uma história épica, enquanto nos apresenta a cada um deles. Nós nos importamos com esses personagens e nos ligamos instantaneamente a eles.

Desde que comecei a ler quadrinhos, confesso que li muito pouco sobre a Mulher-Maravilha, geralmente, eu a encontrava em histórias da Liga da Justiça. A Princesa Amazona precisava de algo especial. Apesar do título ter sido lançado há algum tempo (junto da iniciativa Novos 52), o encadernado chegou em um ótimo momento, visto que a participação da personagem em ‘Batman vs Superman: A Origem da Justiça’ fez com que todos ficassem empolgados para ver o filme solo da heroína, enquanto ele não chega, a HQ consegue satisfazer seu desejo e até te faz pensar que esta pode ser a história que inspira o filme.

Coletando as 6 primeiras edições de ‘Mulher-Maravilha’, o encadernado prova que Brian Azzarello e os artistas Cliff Chiang, Tony Akins e Matthew Wilson souberam traduzir a grandiosidade que a personagem possui. Ao lado de Batman e Superman, ela faz parte da poderosa trindade de heróis da DC Comics. Em uma HQ que tem o tom de um filme, vemos as maquinações de deuses e deusas em uma trama épica, mas com um toque bastante pessoal. É uma história de sangue e família, tópicos que fazem com que qualquer um se identifique. O humanidade que Azzarello consegue imprimir nos deuses deste encadernado é algo que conquista o leitor.

Azzarello reinventa Diana dentro das páginas deste título e qualquer um pode começar a ler a história sem precisar ter nenhum conhecimento da personagem. Não se preocupe, Azzarello tem tudo planejado e o livro consegue te apresentar a origem da Mulher-Maravilha em um ritmo compassado e ideal. Ele te conta muito com poucas palavras e informações, deixando um ar de mistério tomar conta do material. Ao fazer isso, Chiang e Akins são capazes de contar a história de forma belíssima através da arte. A Mulher-Maravilha parece até um novo personagem, que está sendo desenvolvida pela primeira vez diante de seus olhos. Nós descobrimos mais sobre Diana enquanto ela descobre mais sobre si mesma. A primeira aparição de Diana é um despertar: ela é acordada por Zola, que acaba ficando com a garganta rodeada pelas mãos da guerreira. Chiang mostra de forma poderosa que a Amazona está sempre pronta contra um possível ataque.

Logo no começo do livro, a batalha começa e é desenhada e colorida de forma dinâmica e visceral. Em um painel, uma flecha está vindo direto para Diana e Zola. A Mulher-Maravilha usa seus braceletes para conter o ataque, o que gera uma linda cena de luta e indica o poder deste material através da sua protagonista.

Sangue e família é o principal tema que se desenrola a cada página. Em certo ponto, o deus Apolo transforma 3 mulheres em seus oráculos. Uma diz a ele que a sua família está quebrada, arrasada e traída por sangue. Metafórica e fisicamente falando, ela está correta. Esquemas são reveladas e a família de deuses e deusas é manipulada, aquilo que eles consideravam como verdade, é obliterado.

Ainda que “Mulher-Maravilha: Sangue” seja repleto de batalhas e intrigas familiares, Azzarello e Chiang também adicionam um pouco de leveza. Hera é uma personagem que apresenta alguns momentos espirituosos. Ela consegue quebrar um pouco o clima de tensão da HQ, algo que se torna necessário, visto que os acontecimentos não param.  Azzarello mostra ao leitor que ele é capaz de brincar com várias emoções durante esta jornada, tais como tristeza, raiva e alegria.  

Cliff Chiang não decepciona com sua arte. O tamanho físico dos deuses é impressionante, os humanos ficam bem pequenos perto deles. O roteiro de Azzarello faz com que eles ganhem tamanho e personalidade, o que também aumenta a escala dos conflitos físicos e familiares. Afinal, estamos falando de seres mitológicos, para expressar isso, a utilização de painéis em uma página é algo frequente. Isso também fica evidente quando Chiang usa vários painéis em uma página. A cena de amor entre Zeus e a Rainha Hipólita usa 12 painéis, que são divididos em 4 cenas, tudo feito de maneira incrível.

Tony Akins é o artista que cuida das últimas 2 edições contindas no encadernado, embora ele tenha um estilo diferente de Chiang, tudo funciona muito bem. Assim como Chiang, ele consegue transmitir bem a história através de expressões faciais e ação. A arte de Akins não é tão épica ou limpa quanto a de Chiang, mas as interações entre os deuses ganham um novo nível. O surgimento de Poseidon é impressionante e o design escolhido para o personagem é dotado de um humor que não ofusca a ideia de poder. O que também deixa o leitor mais tenso, visto que você começa a se perguntar que tipo de monstruosidade te espera na próxima página. Tudo isso prova que Azzarello, Chiang e Akins estão em perfeita sintonia. As cores de Matthew Wilson também fazem parte do show e deixam tudo ainda mais fantástico e épico. Basta olhar para a cabeça de Hades, preste bem atenção no brilho amarelo e branco do deus do submundo.

Uma cena que mostra todo o brilhantismo deste encadernado está no funeral que acontece na ilha. Na cena, dá para ver dois caranguejos lutando. Logo depois, vemos a Mulher-Maravilha descobrindo um segredo de família, que muda tudo que ela acreditava ser verdade. Uma premonição de eventos é transmitida através do retorno da luta dos caranguejos, um deles arranca a garra do outro. Laços familiares e de sangue serão testados e levados a pontos de ruptura. Imagens poderosas e momentos humanos entre os deuses fazem com que este material seja um triunfo artístico. A equipe criativa entende e possui amor por esses personagens, o que parece se fortalecer e crescer a cada página. A jornada apresentada em Mulher-Maravilha: Sangue é intensa, épica e bastante humana. Vale a leitura! Você pode adquirir o título, clicando aqui.



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